COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PERIGO

Amaral estava livre na área do Corinthians, no momento em que marcou o segundo gol do Goiás. Eram quarenta minutos do segundo tempo de um jogo que o Corinthians não podia se permitir empatar, quem dirá perder. Se Amaral não conseguisse cabecear, Rodrigo o faria. Ele também não sofria marcação no lance que decidiu a partida.

O Corinthians levou dois gols em casa, não conseguiu marcar nenhum – o último a tocar na bola não foi Alexandre Pato, mas Ramon – e perdeu pela segunda rodada seguida. A distância para a região de classificação à Copa Libertadores de 2014 manteve-se em cinco pontos, porque o Atlético Paranaense também foi derrotado. O título tornou-se uma façanha comparável, em pontuação, à saída do Náutico da zona do rebaixamento.

Internamente, o jogo deste domingo era visto como uma espécie de última chance. Uma vitória aproximaria os objetivos e sustentaria as possibilidades. Se viesse acompanhada de uma atuação elogiável, como nos 4 x 0 sobre o Flamengo, também seria um indício de que o time estaria na direção certa em termos de escalação e sistema de jogo. Ao final do domingo, resultado e desempenho se uniram para impedir qualquer leitura positiva.

Até há algumas semanas, a comissão técnica do Corinthians não havia percebido a necessidade de recriar um time saciado pelos troféus. O inventário da temporada mostrava uma eliminação controversa na Libertadores e dois títulos conquistados. As oscilações, de acordo com esta avaliação, eram resultado da saída de Paulinho, de lesões e da queda de rendimento de nomes importantes no período de vitórias. Era necessário dar tempo para uma ideia de jogo que se provaria competitiva.

O alarme soou após a derrota para o Luverdense. Tite experimentou configurações diferentes, como a entrada de Douglas e a mudança de Edenílson para o meio de campo, no sentido de encontrar uma equipe que “gostasse” mais de jogar. A solidez e o orgulho de ostentar a melhor defesa do campeonato seriam afetados por uma opção mais ofensiva, visão compartilhada pelos jogadores. Era o momento de se arriscar a sofrer mais gols em nome da recuperação de um dos piores ataques do BR-13. Diante do que o time apresentou contra Náutico, Botafogo e Goiás, a goleada sobre o Flamengo parece uma miragem.

Se estivesse disputando apenas o Campeonato Brasileiro, não haveria outro caminho senão buscar soluções para alcançar ao menos o quarto lugar. Mas a Copa do Brasil apresenta uma outra via para o mesmo destino, um objetivo que o Corinthians não pode deixar de atingir. A derrota para o Goiás pode ter sido a senha para a escolha do torneio mata-mata como prioridade do restante da temporada, uma escolha tão perigosa quanto o adversário das quartas de final: o Grêmio, com o segundo jogo marcado para Porto Alegre.

A última, talvez única, grande atuação do Corinthians no ano foi o segundo jogo da Recopa Sul-Americana, contra o São Paulo. Uma das explicações pode ser o caráter decisivo do encontro, algo que também existe na Copa do Brasil. Ao priorizar o que lhe parece mais atraente, o Corinthians joga com 2014.

DINOSSAURO

O erro grosseiro que anulou um gol de Ricardo Goulart, na vitória do Cruzeiro sobre o Atlético Paranaense, mostra como o anacronismo da arbitragem prejudica o futebol de diferentes formas. Após a marcação de impedimento (inexistente) e a anulação do gol do Cruzeiro, árbitro e assistente se reuniram para uma conversa. A pressão de jogadores dos dois times atrapalhou a comunicação, é verdade. Mas até a conclusão por manter a anulação do gol, passaram-se mais de dois minutos. O erro foi confirmado após um intervalo mais do que suficiente para que a tecnologia o deixasse evidente para todos. O jogo sofreu prejuízo na marcação e no tempo de paralisação, argumento dos que são contrários à utilização do vídeo para dirimir dúvidas. Com o “apito eletrônico”, teríamos menos desperdício de tempo e, claro, um erro convertido em acerto.



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