COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VARIANTE

Jô fez seis gols em seis dias. Três pela Seleção Brasileira, em dois jogos. Três pelo Atlético Mineiro, em um jogo só. Foram seis gols de um finalizador, em jogadas nas quais ele contribuiu com o posicionamento correto na área e o toque derradeiro, de primeira.

Os gols pela Seleção, nos amistosos contra Austrália e Portugal, funcionaram como lembretes. Fazia tempo que Jô não aparecia. Tanto que os três marcados na quinta-feira, na vitória sobre o Coritiba, foram os primeiros dele no Campeonato Brasileiro. Um turno inteiro em branco. A comemoração do título da Copa Libertadores – noite de 24 de julho, em que ele havia marcado seu último gol pelo Atlético – durou mais de um mês.

Impossível ver Jô com a camisa da Seleção e não lembrar da Copa das Confederações, quando ele precisou de pouco tempo e poucos toques na bola para fazer gols e provocar a pergunta sobre quem deveria ser o atacante titular. Jô entrava em campo no final dos jogos e, minutos depois, saía com a aura de quem não pode ser contido. Chamado para o lugar de Leandro Damião, que se machucou, ele assumiu o papel do jogador predestinado que o futebol adora criar. Fred só encerrou a questão na vitória sobre a Itália, após ouvir palavras tranquilizadoras da comissão técnica, que lhe garantiu que sua posição não corria risco.

Apenas dois jogadores fizeram mais gols do que Jô na Seleção de Luis Felipe Scolari: Neymar e Fred. Ambos têm a seu favor a hierarquia e a condição de titulares se a estreia na Copa do Mundo fosse amanhã. Neymar não enfrenta competição por sua camisa e ninguém gostaria de imaginar o Brasil sem ele. Com Fred, a conversa muda. Saudável, a 9 é propriedade do atacante do Fluminense. Mas as lesões têm sido frequentes e imposto a necessidade de alternativas. A mais confiável, a meses da Copa, é Jô.

Jô traz características diferentes para o debate. Tem mais mobilidade e mais utilidade fora da área, onde pode trabalhar como pivô pelo chão e oferece a jogada aérea – “quebrando” lançamentos longos para a aparição de companheiros – que é uma das marcas do Atlético de Cuca. Dentro, é perigoso pelo alto e se coloca com inteligência. Nenhum outro suplente potencial de Fred agrega tais qualidades e as tem mostrado no clube e na Seleção.

A questão é se a possibilidade de um time com Jô, num Mundial no Brasil, deixa Scolari tranquilo. A experiência da Copa das Confederações não é conclusiva neste ponto, uma vez que as participações de Jô – ainda que efetivas – foram curtas e circunstanciais. Fred, não se pode esquecer, foi decisivo nos últimos três jogos do torneio, com cinco gols marcados e tudo o que se pede de um “9 clássico”.

A despeito do que demais interessados podem fazer no trajeto que resta até a Copa, no momento parece evidente que Scolari adoraria chegar à semana da estreia com Fred inteiro e Jô como variante. Cenário que hoje não seria possível, o que aumenta a importância do desempenho de Jô no futuro próximo.

TRABALHO

A noite de quinta-feira foi especial no Morumbi. O retorno de Muricy Ramalho estimulou o torcedor e o resultado foi uma atmosfera diferente, que teve impacto no comportamento individual dos jogadores na vitória sobre a Ponte Preta. A missão é repetir essa postura a cada rodada, seja onde o ambiente for desfavorável, seja quando a presença do novo treinador não for mais uma novidade. Desempenho não pode depender das circunstâncias.

TRÁFEGO

O décimo colocado do Campeonato Brasileiro, hoje o Atlético Mineiro, está apenas três pontos acima da marca d’água da tabela. A quantidade de times ao alcance do campo de força da zona do rebaixamento garante perigo constante para todos. Como comparação, não há nenhum time a três pontos da zona da Libertadores. O quinto colocado, Internacional, está quatro pontos abaixo.



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