CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CASCA

O primeiro clássico da carreira de Neymar foi um jogo contra o Corinthians, em março de 2009. A camisa 7 do Santos parecia um lençol enrolado no corpo do menino franzino, escalado como titular no Pacaembu. Ronaldo lhe deu um abraço antes da bola rolar, Dentinho marcou o único gol do jogo, Neymar foi substituído no segundo tempo.

No início, talvez na primeira vez que tocou na bola, o ex-volante corintiano Cristian lhe deu as boas vindas ao “futebol de homens”: um safanão seguido de palavras pouco amistosas. Neymar, então com dezessete anos, desapareceu por cerca de meia hora. Fez-se notar em campo somente ao final do primeiro tempo, com um chute de fora da área – de pé esquerdo – que passou perto.

O futebol tem seus ritos de passagem e um deles é aprender a lidar com tentativas de intimidação. Famoso antes mesmo de estrear como profissional, habilidoso, magrinho e tímido, Neymar era um convite ao jogo bruto. A estratégia funcionou por algum tempo. Não demorou para defensores brasileiros perceberem que era melhor tentar marcá-lo.

Bruno Alves e Pepe, zagueiros da seleção de Portugal, tentaram a via mais rápida nos primeiros minutos do amistoso de anteontem. Foram além das disputas de bola com nível de agressividade exagerado. Neymar levou uma cotovelada, foi atingido sem bola e deu a impressão de querer confusão. Nada que se comparasse ao épico encontro entre Pepe e Felipe Melo na Copa de 2010, mas uma temperatura um pouco acima do que se espera de um amistoso.

Quando Neymar mudou do modo eles-não-podem-fazer-isso para o modo eles-vão-se-arrepender-por-isso, a Seleção Brasileira passou a dominar o jogo com bola no chão e coragem. O gol em jogada pessoal foi uma pequena vingança pessoal. O passe para Maxwell, no lance do gol de Jô, um toque de discreta maldade.

Assim como naquela tarde em 2009, Neymar foi substituído no segundo tempo. Desta vez, para ouvir aplausos.

SEGUNDO TEMPO

A vitória das propostas da associação Atletas pela Cidadania na Câmara dos Deputados, em votação massacrante a favor da transparência e alternância de poder na gestão esportiva, leva o jogo político para o Senado. CBF e COB trabalharão para evitar as mudanças. Na semana que vem, a sociedade brasileira saberá quem está a serviço de quem, e de quê.

AMPULHETA

O principal aspecto da troca de comando no São Paulo é o prazo. Muricy Ramalho dispõe de um turno inteiro para evitar o que se teme há tempos. Ele tem história no clube, a confiança de todos e era um pedido do torcedor, mas dificilmente descobrirá qualidades no time. Há equipes que são mais do que a soma de seus jogadores, o São Paulo tem sido menos.



  • Emerson Cruz

    Se o “modo eles-vão-se-arrepender-por-isso” for o único a permanecer ligado durante os jogos, Seleção, Barcelona e óbvio o próprio Neymar só terão o que comemorar.

  • Klaus

    O SPFC tem a sexta melhor defesa do Brasileirão. E o segundo pior ataque. Contraditório: Muricy terá trabalho na parte (teoricamente) mais qualificada do time. Engraçado o quanto Luis Fabiano começou a correr, assim, de repente.
    Um abraço.

  • André, só eu achei que o Brasil jogou melhor com Jô do que com Fred?

    A Seleção não corre o ‘sério risco’ de tê-lo como titular na Copa? Ele é um pivô absurdo para os padrões atuais NO país, marca saída de bola, briga em todas as bolas aéreas e agora vive uma boa fase goleadora…

    … enquanto o Fred… faz… faz… faz… gols.

    • Marcelo Morais

      Parece um agradavel problema, nao?

      • Com certeza o é!

        Quem diria, há 1 ano, que a Seleção estaria voando? E que Jô também?

        Sensacional esse tal de futebol, senhoras e senhores!

        AK: Escrevo sobre o assunto no Lance! de amanhã. Um abraço.

  • Anna

    Adoro Muricy. Confio nele. Pena que ojogo de seis pontos do SãoPaulo seja contra o Vasco. Tb gosto muito do Rogerio Ceni. Vamos ver o que acontece Grande abraço e ótimo final de semana, Anna

  • Fala André!

    Eu não compreendo o motivo pelo qual um jogador como Pepe pode ser considerado um futebolista. Não vejo talento em seus pés nem sentido em seus passos.

    Talvez você consiga nos explicar o que os técnicos enxergam nele que não enxergamos…

    Abs!

    AK: Disposição de fazer o que for necessário, entrega física e um razoável senso de posicionamento. Peca no controle dos nervos. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    Muitas vezes, por festerjarmos muito os atacantes, forçamos os defensores para uma posição de coadjuvância, que não se justifica. Os atacantes passam a ser os mocinhos e os defensores os bandidos.
    Em parte porque a roubada de bola, a métrica do bom defensor, tende a ser um movimento efêmero. Tão rápido que os narradores mal mencionam o nome do autor da jogada de “para-craque” e logo a bola já está nos pés de outro atacante, que a trata, a carrega e a chuta.
    Pior, a falha de um atacante pouco é notada (a não ser nos poucos lances chamados de “gol feito”), mas uma falha da defesa tende a ficar marcada pelo resto da carreira do jogador, feito o meião de um ala-esquerda numa copa do mundo.

    Tudo isso é verdade.

    Mas nada disso justifica o intimidador, o “sugestionador” (como diz o mestre Júnior).

    Defendo que qualquer jogador que utilize desse artifício seja banido dos campos, em nome do bom futebol, aquele futebol que conquistou as massas.

    E que sejam exaltados os “gamarras” da vida, que mostram que ser um bom defensor é questão de vocação, de talento.

    Para os pobres de espírito que defendem o futebol-é-jogo-de-contato-físico-e-se-não-gosta-de-contato-físico-vá-assistir-vôlei eu gosto de responder que futebol é bola no pé (foot + ball), e não agarrar e agredir. Se gosta de agarramento e agressão vá assistir MMA.

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