EXPERIÊNCIA



O leitor Nicholas Shores enviou o seguinte relato ao blog, sobre suas idas ao novo Maracanã. Suspeito que muita gente se relacione com a “experiência” dele. A coisa é preocupante.

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Ontem, assisti à vitória do Botafogo sobre o Corinthians e, devido à recorrência destas, decidi escrever um breve relato sobre as graves falhas encontradas pelos torcedores jogo após jogo no estádio, depois da reforma empreendida para a Copa e desde que o Consórcio Maracanã S/A assumiu a sua administração.

Desrespeito S/A

Sempre mantendo a distância das atitudes de torcedores ocasionais e, por conseguinte, às vezes desinformados, segui à risca toda e qualquer orientação para evitar transtorno nas várias etapas que compõem uma ida ao estádio de futebol. Comprei meu ingresso pela internet para não pegar fila. Cheguei ao metrô com certa antecedência. Retirei meu ingresso em míseros três minutos depois de descer a rampa da UERJ. Encaminhei-me à entrada B, de bola, mas também de babaca.

Foi assim que me senti segurando a lanterna de uma fila imensa, mesmo querendo acessar o ‘Maraca de um Bilhão’ 20 minutos antes da bola rolar. “Ah, mas certamente havia outros 70 mil torcedores que, por ocasião, tentavam adentrar o antigo Maior do Mundo nesse mesmo momento…” Tente 23 mil. Pouco mais de um quarto da capacidade do estádio.

Quando passo por situações desse tipo, juro que tento entender que fatores extraordinários podem estar causando o engarrafamento. Não consegui enumerar nenhum. A não ser que a escalação de apenas cinco policiais/guardas para a revista dos torcedores na entrada que notoriamente mais é solicitada pelos botafoguenses – e nem precisava ser algo notório, basta tirar da venda de ingressos qual setor teve maior procura – seja algo extraordinário. Será que uma falha bizarra no projeto das catracas, mal distribuídas e vagarosas, em um estádio que custou nove casas decimais de reais ao bolso dos contribuintes, é algo extraordinário?

É. Extraordinária incompetência, para tentar resumir. Jogo após jogo, desde que o novo Maracanã foi inaugurado, estejam lá 10 mil, 20 mil ou 30 mil espectadores, transcorre a mesma rotina. O lastimável Consórcio pode contratar quantos orientadores/animadores quiser – e olhe que são dezenas deles, postados desde a saída do metrô até a rampa de acesso ao estádio, alguns mais para te desejar uma boa noite e um bom jogo do que algo além disso – a Via Crucis continua.

Mas calma, não estou misturando as coisas. Uma coisa são falhas da obra levada adiante pelo Governo Estadual e suas secretarias a isso competentes. Outra é a administração feita pelo Consórcio. O grande problema é que as duas partes cometeram ou seguem cometendo erros inadmissíveis. No final, quem está pagando por esses erros, todos eles e em todos os sentidos, sou eu. E bem caro.



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