COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

COMPETIÇÃO

O estádio Mané Garrincha não ficou lotado, o clima que se percebeu durante a Copa das Confederações não apareceu, o jogo não era de competição. Em circunstâncias assim, já vimos a Seleção Brasileira assumir uma postura passiva e decepcionar quem esperava uma atuação elogiável, independentemente da capacidade do adversário. Mas no sábado, na primeira apresentação em casa após a conquista da Copa das Confederações, o Brasil atuou como se ainda estivesse jogando o torneio.

Até os 6 x 0 na Austrália, parecia que Luiz Felipe Scolari dirigia dois times. Semelhantes nos nomes, distintos no caráter. O time dos jogos “para valer” se revelou tudo o que o time dos amistosos não conseguiu ser. Nada do que acontece em uma partida de futebol pode ser explicado por apenas um aspecto. Mas é provável que a atitude mostrada em Brasília – uma clara disposição coletiva de tirar o máximo da ocasião – esteja relacionada a motivações pessoais.

Scolari foi transparente na entrevista coletiva antes do jogo: ainda há vagas na lista de nomes que disputarão a Copa do Mundo pelo Brasil. Somada à declaração do técnico, a proximidade do Mundial aumentou o valor de um amistoso em casa contra um oponente inferior. Os desfalques terminaram por abrir o time e escancarar a oportunidade de jogar e agradar. Maicon, Ramires, Bernard, Jô, e até Pato, aproveitaram uma tarde em que a Seleção fez o que deve ser feito diante de um time frágil. Não economizou e não se contentou com pouco.

Guardadas as evidentes distâncias, foi o que aconteceu no amistoso entre Barcelona e Santos, quando um fato imprevisto contribuiu para o placar exagerado de 8 x 0. Era o primeiro jogo em casa do Barcelona com um novo treinador no banco. Até para jogadores estabelecidos no clube, a presença de Tata Martino representou a obrigação de tratar a noite com seriedade. Não por acaso, candidatos a perder um lugar no ataque – por causa da chegada de Neymar – mostraram notável esforço. O Barcelona não parou de pressionar o Santos até o final do jogo, mesmo com um time alterado por substituições. Foi o que a Seleção Brasileira fez com os australianos.

A goleada de sábado ainda serviu para testar um novo sistema, precipitado pela ausência de Oscar. O trabalho do meia do Chelsea foi dividido por dois volantes que têm boa saída e bom passe: Paulinho e Ramires. Luiz Gustavo se posicionou atrás de uma linha de quatro jogadores que tinha Neymar e Bernard como extremos. Jô foi o atacante mais adiantado, à espera de associações facilitadas pelo ex-companheiro de Atlético Mineiro. Uma variação ao 2-3-1 bem sucedido na Copa das Confederações.

Scolari acerta ao não tratar seu time como uma organização secreta, impenetrável. Os jogadores entenderam que a chance de jogar a Copa do Mundo é real e não se resume a imprevisibilidades. As motivações pessoais devem continuar a se fazer sentir em amistosos como o de amanhã, em Boston. Para alguns, é jogo de competição.

ALÍVIO

A candidatura de Istambul levou 75 delegados à reunião do Comitê Olímpico Internacional, em Buenos Aires. Os japoneses, que saíram da sala escolhidos para organizar os Jogos de Verão em 2020, em Tóquio, levaram 100 delegados. A delegação de Madri, derrotada pela terceira eleição seguida, tinha 180 pessoas. Representantes de um país com trágicas dificuldades econômicas e sociais, autoridades esportivas implicadas por um escândalo de doping, foram a uma festa na Argentina. Parece que existem dirigentes ainda mais desconectados da realidade do que os brasileiros.

TENDÊNCIA

A última vez que a Europa Ocidental recebeu um dos dois maiores eventos esportivos que existem foi em 2005, quando o COI deu a Londres os Jogos de 2012. Não há Copa do Mundo por lá desde 2006, e, se o rodízio continental continuar, não haverá por um bom tempo.



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