OSCAR



O texto abaixo foi feito para o programa “Bola da Vez”, da Espn Brasil, que recentemente recebeu Oscar Schmidt. Oscar entrou para o Hall da Fama do Basquete neste fim de semana, tornando-se definitivamente imortal.

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Dizem que os grandes arremessadores vivem e morrem chutando.

Quando estão mal, atolam seus times num buraco de bolas defeituosas.

Quando estão bem, os levam a lugares onde eles jamais imaginaram chegar.

Mal ou bem, os grandes arremessadores nunca param de chutar. Isso é o que eles sabem fazer, um presente genético aperfeiçoado por incontáveis horas dedicadas a um só movimento.

Eles chutam para comemorar, chutam para esquecer, chutam para poder continuar chutando, como se cada batida do coração merecesse o inconfundível som do encontro entre a bola e a cesta.

Os grandes arremessadores não precisam de espaço ou tempo. Basta um rápido olhar, e a memoria dos músculos ativa um gatilho automático.

Eles não precisam ter a bola, apenas tocá-la. Não precisam ficar perto da cesta, apenas saber onde ela está.

Nunca houve um arremessador como Oscar.

Ele representa uma época em que a seleção brasileira estava habituada a disputar os jogos olímpicos. Oscar esteve em nada mais do que cinco edições.

Ele também representa um dia em que o impossível aconteceu com a seleção mais poderosa do mundo, em casa, inundada por uma chuva de bolas de três pontos.

A era de Oscar sempre receberá críticas por oferecer um basquete unidimensional, impaciente, pouco elaborado.

Mas como poderia ser diferente se, na quadra, havia alguém como Oscar?

Quem se atreveria a dizer para Oscar deixar de chutar? Seria como pedir a ele que não respirasse mais.

Os grandes arremessadores vivem e morrem chutando.

Nunca houve um arremessador como Oscar.



  • Thales

    No Bola da Vez, até o Oscar ficou emocionado, apesar de ter ressaltado que não foi apenas um grande arremessador.

    Parabéns, esse texto ficou muito bom. Já tinha te elogiado sobre ele em outro post seu…

    Emocionante!

  • Teobaldo

    Agradeço ao Oscar por ter sido um dos catalizadores do surgimento do do Dream Team I (primeiro e único). Indianápolis-87, inesquecível. Até hoje choro quando vejo aquelas cenas, principalmente Oscar e Marcel desafiando os americanos – “shoot, shoot” – e eles (David Robinson e Denny Manning, inclusive), afinando. O choro de Oscar e Marcel e o Pipoca pulando no fundo da quadra (sem trocadilhos, naturalmente) ficarão para sempre na minha memória. E já se foram 26 anos… que pena, o tempo passou!

  • Anna

    Lindo texto! Oscar é um dos maiores de todos os tempos! Boa semana, Anna

  • Juliano

    😀

    Preciso ir atrás deste Bola da Vez…

    Como eu falei antes e todos aqui sabem: tens o dom da escrita, assim como Oscar tem o dom do arremesso.

    Excelente mais uma vez. Parabéns. Obrigado!

    Abraço!

  • Willian Ifanger

    Parabéns pelo texto, André.

    Devidamente imortalizado.

    E muito engraçado ele contando sobre a metáfora de “dormir com a bola”. Baita entrevista.

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