BALE É ÓTIMO, OZIL É CRAQUE



O Real Madrid foi responsável por boa parte do noticiário no fechamento do período de transferências na Europa.

Ao final, gastou uma fortuna e recebeu outra em negociações que alteraram significativamente seu elenco e os dos clubes envolvidos.

Do Madrid para fora, importa pouco se a contratação de Gareth Bale quebrou ou não o recorde de montante pago por um jogador.

Quer dizer, se o galês ficou abaixo – como pretende o clube espanhol, para evitar insatisfações no elenco – ou acima – como vazou o Tottenham, que tem acionistas a satisfazer – dos 96 milhões de euros pagos por Cristiano Ronaldo.

Dizem que futebolistas como Bale terminam por devolver o investimento feito neles com receitas provenientes da exploração de imagem. A pergunta que insiste em aparecer nessas horas – vale ou não vale? – só poderá ser respondida uma vez que a relação entre jogador e clube estiver encerrada.

Não é surpreendente que o clube que se especializou em contratações exorbitantes tenha quebrado a banca mais uma vez. Faz parte do modelo.

No campo dos negócios, Bale chegar ao Real Madrid faz todo o sentido. No campo onde a bola rola (trataremos do galês sob este aspecto em instantes), a saída de Mesut Ozil é espantosa.

Os detalhes da venda do meia alemão para o Arsenal começam a atingir a superfície. Podem explicar, mas não justificam a cessão de um jogador como ele.

Reportagem desta quarta-feira do El País informa que Ozil foi procurado recentemente por um companheiro que lhe fez ver o seguinte: Carlo Ancelotti joga num 4-4-2 clássico, com dois volantes defensivos, dois meias e dois atacantes. Ozil não poderia imaginar que jogaria como volante, nem no lugar de Ronaldo ou no de Benzema. De modo que sobravam duas vagas, pelas quais a competição seria direta com dois novos contratados: Isco e Bale.

A proposta do Arsenal chegou, o clube a considerou atraente e Ozil se foi para a Inglaterra.

Opinião: Ozil era o melhor meia do elenco do Real Madrid (e já é um dos três melhores meias da Premier League, antes mesmo de estrear), e sua venda desmente o discurso de Ancelotti sobre a maneira de jogar que ele gostaria de implementar. Basicamente, encerrar o futebol de contra-ataque imposto por Mourinho.

A história do El País revela que Ozil estava insatisfeito com sua remuneração no clube, e que a ordem de negociá-lo veio de cima para baixo. Ancelotti obedeceu a hierarquia.

O alemão saiu por 50 milhões de euros. O argumento financeiro – contrapeso do valor pago por Bale – não cola, pelo que já explicamos acima e pelo fato, difícil de entender, de o Madrid ter recusado uma oferta de 40 milhões de euros do Manchester United por Sami Khedira.

Se o plano é ter a bola e tratar bem dela, Ozil precisa estar na conversa.

Isto dito, Bale é ótimo. Moderno, ousado, jovem. A única questão é que jogadores como ele, cujo futebol é diretamente dependente das condições físicas, costumam ter um período de auge mais curto. Bale é como um cavalo puro sangue.

Sua contratação pode ser um grande sucesso, tanto nas finanças quanto sob o ponto de vista do desempenho.

Mas perder Ozil foi um equívoco. Dos grandes.

ATUALIZAÇÃO, 16h04 – Repercussões da venda de Ozil: Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Joachim Low.



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