CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

QUEM NUNCA?

“Quem nunca brigou que atire a primeira pedra”. Assim, com filosofia barata, um vereador que deu um chute num policial – e que está comemorando seus quinze minutos de infâmia – justificou suas ações.

Quem nunca brigou? Bem, depende de quem ouve a pergunta. Arruaceiros profissionais que infestam os estádios de futebol no Brasil, independentemente da distância e do preço do ingresso, certamente estarão de acordo com a retórica da selvageria. A quem entende o futebol de outra maneira, resta apenas abominar discurso tão miserável.

A imagem mais revoltante do entrevero entre “torcedores” do Corinthians, do Vasco e policiais militares no estádio Mané Garrincha não é a do vereador tatuado agredindo o guarda. É a de um homem tentando proteger uma menina no meio da confusão. É possível ver o medo em seus olhos. Eles não deveriam estar lá, provavelmente não voltarão. O encontro de uma criança com o futebol não deveria ficar marcado pelo terror.

Conhecemos as circunstâncias. A polícia que não prende, a Justiça que não condena, o sistema que falha ao proteger exatamente quem o ameaça. No caso do último domingo, a violência contou até com a cumplicidade dos gênios que imaginaram que corintianos e vascaínos acéfalos conviveriam em paz num estádio sem separação de torcidas.

Dois corintianos envolvidos na briga foram identificados por jornais. Estavam entre os “doze condenados” de Oruro. Pessoas que julgam saber de tudo decidiram: o que eles fizeram em um caso é prova do que eles podem ter feito no outro. Com tal senso de justiça, tudo se explica.

O penúltimo a produzir manchetes ao se utilizar do “quem nunca?” está preso numa penitenciária de Contagem, condenado pelo assassinato de uma moça que ele engravidou. Meses antes, quis saber, diante das câmeras, “quem nunca saiu na mão com mulher?”. Seu discurso está aí fora, solto.

BONS TIMES

Os melhores jogos da temporada tiveram a participação do Atlético Mineiro ou do Botafogo. Não por coincidência, o encontro entre eles na Copa do Brasil produziu duas noites de futebol ofensivo e competitivo. Ao seu estilo, pensando mais em jogar do que em não deixar jogar, o Botafogo parou o campeão da Libertadores. Um resultado que fala por si.

BOM COMEÇO

Vamos lá, sem exageros. O primeiro gol de Neymar pelo Barcelona valeu o título da Supercopa da Espanha. É suficiente para conclusões? Claro que não. Mas se ele tivesse feito duas atuações ruins, seria criticado. Portanto deve receber o crédito merecido pelo impacto no resultado, que representa um bom começo de temporada para ele no aspecto individual.



  • Emerson Cruz

    Como e com que dinheiro alguém que esteve preso por cerca de 6 meses consegue ir ao Distrito Federal e entrar num estádio com preço do ingresso, no mínimo, salgado. Das duas uma, ou o sujeito é rico, ou alguém está lhe fornecendo condições para que esta pessoa frequente estas viagens. No caso da segunda alternativa ser a verdadeira fica a pergunta: Quem será?

    • Matheus Brito

      Excelente questionamento. E mais, na verdade agora são três os envolvidos na confusão que estavam presos em Oruro. Fazer o quê? Seis meses preso, sem produzir, sem trabalhar e encontra meios de viajar a outro estádio para assistir a um outro jogo do Corinthians e se meter em outra confusão. Não digo que era culpado da primeira vez, mas essa segunda é caso para ser banido dos estádios juntos os outros.

  • Mario

    essa declaração desse pseudo torcedor me lembrou a do Bruno ex-goleiro do fla que falou “quem nunca bateu em mulher” e na minha opinião esses baderneiros organizados deviam passar uns anos na cadeia junto com o Bruno.

    AK: Você leu o texto até o fim? Um abraço.

  • Eduardo

    As autoridades sabiam o que podia acontecer em Brasilia, porque deixaram torcedores comuns no anel superior se embaixo não estava cheio? Deixasse somente as torcidas organizadas na parte superior e ficaria mais fácil até para o policiamento identificar e fazer a segurança tanto de torcedores comuns tanto de organizados.

    • fernando

      parabens pela lucidez,, em meio a um mar de “alienados manipulados” é bom ler comentarios de quem frequenta e sabe a realidade dos estadios e as FALHAS de segurança, que a imprensa simplesmente ignora por completo.

      AK: Você leu o texto?

      • fernando

        Eu li o texto sim, quando eu me referi a imprensa , não foi em relação a sua pessoa, mas em relaçã a cobertura geral da midia que simplesmente ignora as FALHAS na segurança, numa visão miope e simplista da realidade, com raras exceções.

        AK: As falhas foram apontadas e discutidas nos programas da Espn Brasil. Um abraço.

  • o fera

    acredito que o que eles fizeram em Brasília não os credencia a culpados pelo que aconteceu na Bolívia, mas um deles foi preso (na Bolívia) com resíduo de pólvora nas mãos e sinalizadores semelhantes ao que matarma o Kevin na mochila. Só isso já devia dar cadeia a esse safado. Os outros tbém tem que ser presos, pagar multa, proibir de ir a jogos (não somente 90 dias), sei lá… Alguma coisa tem que ser feita com urgência, principalmente a quem já é reinscidente.

  • RENATO77

    o “conceito” de estadios para copa do mundo, sem divisões e sem barreiras que impeçam a invasão do gramado, deverão ser revistos após o evento.
    Infelizmente.
    A cultura de que se “pode tudo” numa arquibancada de futebol vem desde o momento em que um pai traz o filho ao jogo e a primeira coisa que faz quando o arbitro entra em campo é xingá-lo, tudo sob a observação atenta da criança.
    Abraço.

  • André Pericles

    Complicado demais. Acontece que nosso país não tem lei para “brigas”.
    Se acontece uma briga em uma boate, por exemplo, os brigões podem até ser presos no momento. Mas depois vão responder todo o processo em liberdade.
    Deveria ser criada uma lei especifica para brigas de torcidas. Até tem. Alguns, raros, casos o baderneiro é obrigado a ir em uma delegacia nos dias e horários dos jogos. E só. Muitos nem vão. E sabe o que acontece com eles? Nada.
    Como disse, seria necessário criar uma lei para isso. Mas nossos representantes andam muito ocupados voando e aviões da FAB e se esforçando para não cassar deputados presos.
    To me estendendo um pouco, mas vai mais uma.
    Punir os clubes não tem lógica. É mais uma medida idiota. É a mesma coisa de punir a dona de casa por deixar a porta aberta e ser assaltada. Tem que punir o assaltante. O Bandido.
    Só acho.

  • Samuel Santos

    Acho que a conclusão mais útil desse episódio é a de que muitas das pessoas envolvidas nessas brigas é composta sempre pelas mesmas pessoas.

    Fato que sugere claramente uma punição individual, e não aos clubes.

  • Rodrigo – CPQ

    O tal vereador também é Guarda Municipal em Campinas, acredite! E está afastado de suas funções!

  • LUIZ CARLOS

    Nós, torcedores de Brasília somos uns “coxinhas”. Não estamos acostumados a comparecer a estádios, muito menos a brigar com outros torcedores. As torcidas brasilienses costumam misturar-se, com flamenguistas, vascainos, botafoguenses, etc, sentando lado a lado. Não houve exatamente uma briga: as organizadas do São Paulo e do Corinthians, que vieram de fora, agrediram flamenguistas e vascainos.

  • Roberto

    São sempre as mesmas pessoas envolvidas.
    Quer seja em brigas, quer seja em pressão aos jogadores e demais coisas.
    E digo mais, eles se julgam mais torcedores do que os outros. Incomodam os torcedores comuns que vão ao estádio que invadem o “espaço” deles.
    Dizem que brigam defendendo o clube e o amor que tem pelo clube, quando na verdade são um bando de selvagens.
    Estão em todos os Jogos do clube, mas financiados por terceiros, no caso a própria organizada.
    Estes não são os verdadeiros torcedores. Os verdadeiros torcedores são os que sofrem com a dor da derrota, se alegram com a alegria da vitória, mas que no final sabem o limite e já estão preparados para a próxima aventura do seu time do coração…
    Isto é ser torcedor, o resto tem outro nome: bandido, selvagem, marginal, etc…

  • Dyl Blanco

    Separar o joio do trigo. Os clubes não abrem mão das organizadas, financiando, amparando e até hospedando suas “torcidas”. Então que sejam criadas barreiras físicas, deixando torcedores comuns em áreas diferentes dos estádios, fazendo as organizadas entrar em horário especial, bem anterior a abertura dos portões, afinal eles parecem não fazer outra coisa na vida a não ser ir aos estádios. Com esses “torcedores” confinados, certamente aquele pai que abrigou a menino com seu próprio corpo terá coragem para retornar aos estádios.

  • Paulo Pinheiro

    Maravilhoso o texto, André, mas achei inoportuno o comentário sobre os “condenados de Oruro”.

    Na sua opinião o fato daqueles sujeitos estarem ali no meio não quer dizer absolutamente nada? Não simboliza nada? Não chama à reflexão de nada mais?

    Por 6 meses eles posaram de pobrezinhos injustiçados, e qualquer ser humano de caráter, mesmo cometendo seus erros, jamais sairia de uma experiência daquelas sem ter aprendido algo, sem prometer a si mesmo nunca mais misturar-se com o que quer que cause a dor alheia.

    Se eles vierem a julgamento pelo ocorrido em Brasília (pff… duvido), penso que o magistrado deve SIM levar em conta a vida pregressa dos caras.

    AK: Foram condenados por uns, absolvidos por outros, sem que ninguém saiba o que realmente aconteceu. Precipitadamente martirizados e demonizados, conforme a vontade do cliente. Um abraço.

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