COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

AÇÃO NECESSÁRIA

Os problemas do Corinthians vão bem além da classificação na Copa do Brasil. Dizem a lógica e as disparidades técnicas entre os times que a vaga nas quartas de final não ficará com o Luverdense. Uma atuação simples no Pacaembu – um desempenho que não mereça elogios nem críticas – deve ser suficiente para construir o placar necessário. O que, se acontecer, pode sugerir que tudo voltou ao normal no time de Tite. Será um engano.

No glorioso ano de 2012, houve momentos em que o Corinthians pareceu um carro cujo motor foi preparado com aquele botão onde está escrito “nitro”. Quando acionado, o time era capaz de elevar seu nível de jogo de forma a não deixar dúvidas em relação à vitória. Esse modo “hoje vamos com tudo” não tem nada a ver com vontade. É atenção, intensidade, capricho, urgência. O jogo contra o Tijuana, pela fase de grupos da Copa Libertadores, no Pacaembu, é um bom exemplo de noite em que o time turbinou seu desempenho.

Exceção feita às partidas da Recopa Sul-Americana, contra o São Paulo, o Corinthians não conseguiu acionar o botão neste ano. Ou, pior, o acionou e o motor continuou trabalhando no mesmo giro. Nada aconteceu. Novamente, não é uma questão de disposição. Não se trata de querer mais ou menos. O Corinthians de hoje é um time que carece de elaboração ofensiva para resolver jogos. Um time que tenta vencer sempre da mesma forma. Basta para manter o topo da tabela do Campeonato Brasileiro em distância segura, e para se candidatar ao título da Copa do Brasil. Provavelmente não bastará para mais do que isso.

Alguns jogadores gostariam de ver o time trabalhando em soluções para jogos, especialmente em casa, em que a insistência do Corinthians e a resistência do adversário combinam para gerar a sensação de que o gol – um gol, qualquer gol – sairá cedo ou tarde, porque há jogadores que justificam tal possibilidade. É o cerne da questão. O Corinthians ganhador das últimas temporadas vencia por intermédio da superioridade coletiva. O atual se apega ao lampejo individual.

Ocorre que a oportunidade para esse desenvolvimento não existe, já que times praticamente não treinam. Preparar jogos – o que se faz hoje – é diferente de treinar. Razão pela qual se desperdiçou uma ocasião, talvez duas, de dar sopa para a sorte ao enviar um time reserva a Lucas do Rio Verde. Um conjunto com jogadores que atuam pouco, instruído a se apresentar com um sistema diferente do habitual, poderia produzir algo novo, mostrar um caminho. Foi assim, num jogo contra o São Caetano em março de 2010, que Mano Menezes encontrou um lugar no time para Jucilei.

O momento se assemelha a setembro de 2011, quando o Corinthians perdeu dois jogos seguidos pelo Campeonato Brasileiro e Tite se viu pressionado a caminho de um clássico com o São Paulo. Foi quando ele afastou Chicão. Um sofrido 0 x 0 no Morumbi teve um efeito tão benéfico quanto a atitude do técnico, recebida pelos jogadores como um sinal de que o comando estava atento.

Um novo sinal é necessário.



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