CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

XAVECO

Proforte não é um nome apropriado para um projeto que não tem similares na história do Brasil. Se a União perdoar os administradores incompetentes e/ou desonestos que a ela devem cerca de 5 bilhões de reais, o sistema de cobrança de impostos precisará de mais alguns séculos para ser levado a sério no país. Xavecoforte fica melhor.

Os dirigentes insistem no discurso ameaçador – “os clubes queimarão no inferno se tiverem de pagar suas dívidas” – que já lhes rendeu o embuste chamado Timemania e outras conversas moles. O governo se preocupa com a Copa, a campanha eleitoral, o retorno das manifestações… e se entrega à preguiça.

Sim, preguiça. As contrapartidas que constam do Xavec…, desculpe, Proforte serão solenemente ignoradas como foram as anteriores. E querem que você, descontado na fonte, acredite que seu clube se transformará numa instituição exemplar, investirá em modalidades olímpicas e ajudará crianças carentes.

Não se deixe alienar. O presente de 5 bi não beneficiará nenhum clube de futebol nos aspectos da gestão e da saúde financeira. Será uma autorização federal para que os mesmos cartolas de sempre continuem tratando os clubes como se fossem deles, e os recursos como se não fossem de ninguém. Eles é que receberão o perdão. Imagine.

Os clubes jamais ganharam tanto dinheiro. E as folhas continuam atrasadas, os meses esticados. Não há maior atestado de incapacidade. O Proforte é o prêmio no lugar da punição, o estímulo ao que está errado.

A União, em essência, é a proprietária de todos esses clubes. O perdão às dívidas só é aceitável se os clubes forem obrigados a operar como empresas, com gestores independentes e novas regras, como se deu no Chile a partir de 2005. Há gente no governo que sabe exatamente como fazer isso, mas é tarefa para quem quer arregaçar mangas. A preguiça é mais atraente e sedutora. Que pelo menos se mude o nome da pegadinha.

DESCONTO

Parece que os administradores do novo Maracanã perceberam o óbvio: ver cadeiras onde deveria haver gente desvaloriza o produto. A nova política de preços para jogos do Botafogo e do Fluminense ainda tem valores exagerados, mas se aproximou da realidade do futebol brasileiro. Apesar das explicações (“teste para setorizar o estádio”), alguém se enganou.

ESCÁRNIO

Com a remarcação dos jogos atrasados do Campeonato Brasileiro, a CBF enviou um claro recado aos clubes que decidiram excursionar: podem ir, boa viagem e aproveitem, mas não chorem na volta. Os clubes envolvidos, principalmente os que não se ausentaram e foram premiados pela tabela, não podem aceitar essa barbaridade. Vejamos como reagirão.



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