COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

FAÇA O QUE EU FAÇO

O exemplo quem deu foi Messi, aos 24 minutos de um jogo que já estava decidido bem antes disso. Não deveria surpreender ninguém. O melhor jogador do mundo levou a pressão no campo de ataque – um dos pilares da ideia que o Barcelona pretende recuperar – ao extremo, quando fustigou um defensor contrário na lateral do campo para lhe tomar a bola. Com a esperada fome de início de temporada, temperada pelo gosto ruim da anterior, Messi criou o lance do gol de Daniel Alves. O terceiro gol de um primeiro tempo que terminou em 6 x 0 contra o Levante, de uma goleada que chegou a 7 x 0 e recheou a estreia do Barcelona no Campeonato Espanhol daquilo que o torcedor quer ver.

Neymar viu. O conteúdo primordial da exibição de seu time se deu na primeira metade do jogo, quando o brasileiro recém-contratado estava confortavelmente acomodado no banco de reservas. Mais perto da ação, e com o privilégio dos comentários dos companheiros, coube a ele sorrir, aplaudir e comemorar como o restante do Camp Nou. Neymar no banco pode ser motivo de escândalo diplomático para o nosso pachequismo incurável (“coisa desse técnico argentino”, diriam os iluminados), mas é absolutamente normal para quem se preocupa em entender como as coisas são.

O noticiário da véspera do jogo já tinha aberto uma fresta para o ambiente deste Barcelona de Messi e Neymar. De acordo com o jornal “El País”, Messi foi perguntado por amigos a respeito do número de ocasiões em que Neymar frisou seu papel coadjuvante no time, sempre revelando-se disposto a colaborar com o genial argentino. A resposta foi uma amostra de como pensa o camisa 10: “Ele é muito bom. Que fale menos de mim, não faça bobagens e diga que veio para buscar títulos”.

Como todo jogador transcendental, Messi impõe uma dinâmica peculiar ao seu redor. É clara a necessidade de mantê-lo confortável e satisfeito, mas não se pode ultrapassar a linha da subserviência. O problema é que essa é uma fronteira invisível que muda de posição conforme a pessoa. Neymar não deve ter dificuldades para se situar, contando com a ajuda de Daniel Alves, um dos jogadores mais próximos de Messi no elenco do Barcelona. Na falta de conselhos do amigo, a edição de sábado do “El País” certamente lhe será útil.

Em campo, onde a relação entre eles precisa ser funcional, a questão está também nas mãos de Tata Martino. O técnico argentino já declarou que fazer a dupla se entender é sua obrigação, assim como qualquer defeito no projeto será sua falha. O jogo contra o Levante não conta como experimento, já que Messi e Neymar habitaram o Camp Nou por menos de dez minutos. Martino disse que não é preciso ter pressa e agiu de acordo.

Quando Messi foi substituído por Iniesta, no segundo tempo, seu recado já estava dado. Se o centro do universo barcelonista pressiona e recupera bolas nos extremos do campo, só não o segue quem não quer. O artigo do “El País” diz que Messi é o menos tirano dos grandes gênios do futebol, e que não é difícil fazê-lo feliz. A conversa do craque com seus amigos comprova a tese.

NÃO FOI

Pênaltis inexistentes foram marcados a favor de Corinthians e São Paulo na rodada de ontem. No Pacaembu, Danilo não foi derrubado por Luccas Claro. Procurou o contato e caiu porque é mais leve do que o defensor do Coritiba. No Mané Garrincha, Lucas Evangelista não foi derrubado por Luiz Antônio. Simplesmente mergulhou na área. Ambos os erros da arbitragem têm a mesma gravidade. Os produtos dos erros é que foram diferentes.

ENERGIA

Ganhar de um dos piores times do campeonato, como se esperava que o Palmeiras ganhasse do Paysandu, renderia pouco além de pontos. Ganhar como o Palmeiras ganhou, depois de estar perdendo por 2 x 0 no segundo tempo, pode ter sido uma dessas viradas que significam mais do que se pôde ver. O futebol é assim.

CRIME

Sacrilégio!! A tecnologia na linha de gol entrou em ação no Campeonato Inglês. Querem acabar com a falha humana, que é a graça do futebol (sim, modo ironia ligado).



MaisRecentes

O início



Continue Lendo

Desconforto



Continue Lendo

Irmãos



Continue Lendo