COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SELEÇÃO DE QUEM?

O material publicado nesta semana pelo jornalista Jamil Chade, no Estadão, ilumina a máquina de fazer dinheiro alimentada pelos amistosos da Seleção Brasileira de futebol. Mais do que isso, oferece uma nova explicação aos que se interessam por saber quem realmente lucra com os jogos do Brasil pelo mundo.

Chade revelou que os tais amistosos “caça níqueis” – geralmente contra adversários que a Seleção não deveria enfrentar, em lugares onde não deveria ir – não abastecem apenas os cofres da CBF e das empresas que adquiriram o direito de organizá-los. Partes dos cachês por 24 jogos da seleção nacional, totalizando pouco mais de 10 milhões de dólares, foram depositadas em contas de uma empresa de propriedade de Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona. A sociedade entre o dirigente catalão e as apresentações da Seleção Brasileira começou no reinado de Ricardo Teixeira e, de acordo com as reportagens, prossegue na gestão de José Maria Marin.

A parceria Teixeira-Rosell é antiga, como se sabe. Data da época em que “Sandrinho” – forma como o ex-presidente da CBF se refere ao amigo – trabalhava para a Nike no Brasil. Um caso de amigos que viraram sócios em empreitadas lucrativas como os jogos pelos quais não se cobra menos de um milhão de dólares. Cachês tão valiosos que a CBF se dá o luxo de não recebê-los integralmente.

As informações reveladas pelo “Estado” não sugerem uma operação necessariamente ilegal. Mas expõem relações promíscuas na exploração comercial da marca da Seleção Brasileira. Na hipótese de Rosell ter atuado como intermediário entre a CBF e a ISE (companhia sediada nas Ilhas Cayman que desde 2006 negocia os amistosos do Brasil), os depósitos feitos em contas de uma empresa do cartola catalão seriam comissões. Importa pouco que a Uptrend Development LLC seja desconhecida, pois, de fato, quem está sendo pago é o próprio Rosell. Amigo de Teixeira, presidente do Barcelona… conflitos evidentes e numerosos.

É deprimente que se ignore a importância da Seleção Brasileira como um bem de interesse público. Quase tão deprimente quanto o que se faz para lucrar com ela. Já se sabia que a CBF era essencialmente uma agência de marketing que vendia a camisa, o distintivo e a tradição. Agora se sabe um pouco mais a respeito de quem ganha e quanto.

Um dos mais claros exemplos sobre a Seleção e o interesse público remonta ao jogo entre Brasil e Portugal, em novembro de 2008. O amistoso em Brasília foi organizado pela Ailanto Marketing Ltda., outra empresa de Sandro Rosell, contratada sem licitação pelo governo do Distrito Federal. Após investigação de superfaturamento, o Ministério Público cobra a devolução de R$ 9 milhões.

Os cidadãos pagadores de impostos do Distrito Federal talvez não tenham notado a edição de 31 de julho do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Nela, a Ailanto Marketing comunica a sexta alteração no contrato social da empresa. Alexandre Rosell Feliu e Vanessa Almeida Precht reduziram drasticamente o capital social de R$ 12,8 milhões para 120 mil.

Objeções de credores e demais interessados devem ser feitas no prazo de noventa dias.

AJUSTE

Os empates do Corinthians continuam causando a impressão de que foram piores para ele do que para o adversário. Reflexo da comparação entre o que o time pode fazer e realmente faz. Tite está correto quando pede que o torcedor não pense que é uma questão de vontade. Não é mesmo. Mas seu time tem encontrado uma barreira no aspecto ofensivo, para a qual não desenvolveu uma resposta. A lesão de Guilherme pode impor a necessidade de uma nova ideia. O jogo contra o Luverdense, pela Copa do Brasil, pode ser o momento.

RELÓGIO

Amanhã tem Portuguesa x Botafogo. O encontro dos times que mais sofreram gols nos minutos finais de partidas promete um desfecho emocionante. Mais ou menos como certos jogos de basquete, em que o que verdadeiramente interessa é o último quarto, a visita do líder do campeonato ao Canindé será imperdível após os quarenta minutos do segundo tempo.



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