COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ATÉ O FIM

Algo inacreditável aconteceu em Brasília na quarta-feira, você deve ter visto. Um gol de goleiro. Não, não apenas um gol marcado por um goleiro, cobrando falta ou pênalti. Esses já se tornaram comuns. Foi um gol de cabeça, de um goleiro que atravessou o campo para esperar um escanteio. Ok, vemos essas coisas com certa frequência, também. Só que foi o segundo gol de cabeça que esse goleiro marcou na vida. Melhorou? E esses dois gols, marcados por esse mesmo goleiro, estão separados por dez anos. Um foi em 2003, outro em 2013. Ainda não é o suficiente? Muito bem. Ambos os gols, os únicos que esse goleiro já fez, um dez anos depois do outro, foram marcados contra o MESMO TIME.

Lauro, goleiro da Portuguesa, é o autor dos gols e de algo cuja chance de acontecer não deve ser simples de calcular (se você souber como, tenha a bondade de dividir a descoberta. O email está aí em cima). Mas ao final do jogo contra o Flamengo, quando Lauro correu para a área adversária, certamente houve torcedores rubro-negros que se lembrassem do que ele fez há dez anos. Coisas assim parecem inevitáveis.

Lauro jogava na Ponte Preta em agosto de 2003, quando o Flamengo visitou o Moisés Lucarelli na vigésima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro, o primeiro realizado no formato dos pontos corridos. Perdendo por 1 x 0 em casa, aos cinquenta e dois minutos – isso mesmo, 52 – do segundo tempo, ele completou um escanteio do lado direito e empatou o jogo. Subiu bonito, como os melhores centroavantes, e cabeceou para baixo. Um gol que valeu mais do que um ponto.

Uma década depois, os jogos do atual time de Lauro têm sido emocionantes até o fim. Literalmente. Gols após os quarenta minutos do segundo tempo aconteceram em quase metade das partidas da Portuguesa no BR-13. Foram cinco em doze rodadas. Contra Criciúma e Náutico, vitórias se transformaram em empates. Contra Vitória e Atlético Paranaense, empates viraram derrotas. O gol de Lauro – marcado aos 48 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo vencia por 1 x 0 – significou o primeiro ponto que a Portuguesa somou em tais circunstâncias. No lugar de uma vitória, seis empates e cinco derrotas, o time teria campanha de 3-5-4, e cinco pontos a mais. Estaria em décimo-quarto lugar (as contas são de Ricardo Spinelli, processador de números do SportsCenter, da ESPN Brasil).

A síndrome do rebaixamento é o que impulsiona um goleiro a aparecer na outra área em um jogo da décima-segunda rodada. Pode parecer cedo demais para demonstrar urgência e correr riscos, mas os pontos têm exatamente o mesmo valor a qualquer momento do campeonato. Em teoria, times de todos os degraus da tabela deveriam agir da mesma forma.

Lauro é prova de que a recompensa pode estar no final da caminhada. Em 2003, a Ponte Preta não caiu para a Série B porque fez um ponto a mais do que Fortaleza e Bahia. Um ponto. A diferença pode ter sido o gol de Lauro contra o Flamengo. Quem dirá que não?

ÔPS…

Na coluna da semana passada, sobre a possibilidade de mudança no formato da final da Copa Libertadores, escrevemos aqui que Nicolás Leoz deveria deixar tudo como está. Nicolás Leoz? O presidente da Conmebol, desde maio, é Eugenio Figueiredo. Verdade que Leoz ficou na cadeira por quase trinta anos, de modo que é difícil mudar o costume. Mas o equívoco não poderia ter sido cometido.

OLHO

Os dois times de Curitiba estão entre os cinco primeiros do Campeonato Brasileiro. O Atlético Paranaense era o penúltimo colocado na sétima rodada. Escalou treze posições desde então. O Coritiba, que já liderou, permanece nas cercanias. Venceu o Grêmio, sem o craque Alex, jogando melhor em Porto Alegre.

CALMA

A situação do São Paulo não é simples, isso é fato. Mas quando se falou em risco de rebaixamento com dois terços do campeonato por jogar?



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