CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PLANO DE SAÚDE

A matemática dos pontos corridos informa que um time terá boas chances de ser campeão brasileiro se fizer dois pontos por jogo. Tal aproveitamento (66,6%) só não produziu o título em um dos últimos cinco anos. Claro, não há como somar dois pontos em uma rodada, por isso a conta tem de ser quatro pontos em duas. Uma vitória e um empate. Faça isso a cada dois jogos e o fim do ano será festivo.

Ocorre que nem todos os times têm o luxo de um planejamento ousado. E se engana quem pensa que aqueles que sabem que brigarão para não cair vão jogando, tentando somar o máximo, para ver no que dá. Também existe um “plano de sobrevivência na Série A”, tão engenhoso quanto o cálculo do campeão. Ou mais.

Um clube da primeira divisão desenvolveu uma fórmula para evitar o rebaixamento, transformando pontos em dinheiro. A alquimia não é nova, mas a ideia é boa: as rodadas do campeonato são divididas em grupos de quatro jogos, nos quais o objetivo é conquistar no mínimo cinco pontos. Se o time atinge a meta, os jogadores são premiados com R$ 3.600,00 por cada ponto ganho. Se não, não recebem nada. Atenção: estamos falando de bonificação (o bom e velho “bicho”), não de salário.

O patamar de cinco pontos a cada doze disputados é humilde, corresponde a um aproveitamento de 41,6%. Ampliando os números para a visão geral de um campeonato de trinta e oito jogos, resultaria num desempenho ao redor dos quarenta e sete pontos. É garantia de permanência na elite, com alguma folga. Nas últimas sete temporadas, o décimo-sexto colocado ganhou cerca de 38% dos pontos.

Supondo que o rebaixamento será evitado, o preço será alto. O clube em questão desembolsará quase 170 mil reais para cada jogador. Multiplique por vinte e dois e o orçamento do projeto ultrapassará os 3,5 milhões de reais. Lembrando: os salários – quando pagos – não estão computados.

VAZIO

Na temporada de exposição pública de dramas do São Paulo, nada é mais evidente do que o vácuo de comando. É normal que um jogador que escreve uma história importante por um clube, e por tanto tempo, estabeleça relações que às vezes extrapolem suas funções. É obrigação do comando administrar esses casos. O preço é perder a capacidade de resolver problemas.

OÁSIS

O Palmeiras reencontra a paz na Série B, um dos inegáveis “benefícios” do rebaixamento. Quase tudo no futebol emana do que acontece em campo, e quando se vence com a frequência de um clube grande na segunda divisão, a tranquilidade impera. É a oportunidade de se reestruturar, o início do recomeço. E ainda tem a Copa do Brasil para disputar.



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