COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MÁ IDEIA

A Confederação Sul-Americana de Futebol informou no sábado, via twitter, que considera alterar o formato da final da Copa Libertadores da América. Ao invés de duas partidas, uma na casa de cada finalista, estuda-se realizar a decisão em jogo único em estádio neutro.

A proposta precisa ser aprovada pelos presidentes das associações nacionais e pelo comitê executivo da entidade (algo para fazer você pensar que as resoluções da CSF são tomadas com o nível máximo de diligência), mas o simples anúncio da possibilidade é um indicador suficiente.

Parece claro que a Conmebol se inspira na Uefa e sua Liga dos Campeões, decidida em final apoteótica que não apenas coroa o grande campeão europeu, como também encerra a temporada do continente com uma festa à altura do principal torneio de futebol que existe.

Desnecessário dizer que qualquer comparação – em termos organizacionais – entre as duas entidades será sempre desfavorável à sul-americana, uma das razões para Eugenio Figueiredo deixar a final como está e se esforçar para transformar a Copa Libertadores numa competição respeitável. Há muito trabalho a fazer.

O torneio pede várias mudanças. Dos gramados às arbitragens, passando pelos objetos que atingem ônibus adversários, pelos que impedem que escanteios sejam cobrados sem proteção policial e pelos que tiram vidas. Necessidades muito mais importantes do que o formato da decisão.

A maior ironia na ideia é justamente acabar com a única vantagem da Libertadores sobre a Liga dos Campeões. A final em ida e volta é mais apropriada, no sentido esportivo, para revelar o campeão de um torneio relativamente longo e disputado. Outros aspectos não devem se sobrepor ao jogo, à bola rolando. A decisão em duas partidas é mais justa e mais segura, pois aumenta a possibildade do melhor time prevalecer, diminuindo o impacto da sorte e das “falhas humanas” no resultado final.

Exercício proposto: pense na decisão recente entre Atlético Mineiro e Olimpia em jogo único, digamos, em Buenos Aires. Agora pense na última final da Liga dos Campeões, com uma partida em Munique e outra em Dortmund. Volte mais um ano. Imagine Corinthians x Boca Juniors decidindo a Libertadores sem passar pela Bombonera e pelo Pacaembu. E visualize dois Chelsea x Bayern, um em cada casa.

Ainda não chegamos às dificuldades de deslocamento na América do Sul, em relação ao que se faz na Europa. Ou à diferença de poder aquisitivo, que certamente privaria muita gente de ver seu time disputar um título em outro país. Ou até ao número de cidades e estádios sul-americanos que pudessem receber adequadamente um evento de tal caráter e tudo o que ele movimenta.

A proposta da final em jogo único é um desserviço ao futebol sul-americano e suas inúmeras carências. E um prejuízo à Copa Libertadores, por ameaçar uma de suas qualidades. Antes de pensar em como o torneio vai terminar, e copiar a Uefa no que não deve, a Conmebol precisa reformá-lo. É uma obra urgente.

VEXAME

Respeitadas as distâncias evidentes e aquelas que alguns insistem em não perceber, um time brasileiro da Série A jamais poderia permitir um placar de 8 x 0 para qualquer adversário. Jamais. Não há circunstâncias que justifiquem tamanho constrangimento.

VIDA QUE SEGUE

Sobre Chicão e o Corinthians: para um jogador que tem história num clube, poucas coisas são mais difíceis de aceitar do que a falta de espaço. Quando a questão fica clara, o problema passa a ser de percepção pública. Ambos os lados coincidem em apenas um ponto: não querem ser vistos como o causador da separação.

EXCEÇÃO

Há treinadores que gostam mais de futebol do que de prestígio, imagem e poder. Esses são os técnicos cujos times superam a soma de seus jogadores. Esses são os que não se consideram professores de coisa alguma. Oswaldo de Oliveira é um deles. Aprecie, botafoguense.



  • Emerson Cruz

    Incrível como a Conmebol dificilmente tem ideias melhorar o futebol neste lado do mundo. Enquanto ideias pouco inteligentes como esta passarão por discussão, quesitos como insegurança, estádios e gramados ruins, premiações paupérrimas e tantos outros problemas não parecem questões que entidade dirigida pelo senhor Eugenio Figueredo esteja disposta a encarar. Lamentável, mas tudo isso só ocorre por conivência dos clubes.
    Quanto ao Chicão, lamento sua saída do Corinthians, por mim ele encerraria a carreira no clube. Está difícil de engolir a “versão oficial” dada pela diretoria do clube que afirma não contar com ele no futuro e que é preciso diminuir a média de idade do elenco, pois não me parece um discurso coerente por parte de quem a pouco contratara Ibson e Maldonado.

  • Grisalho

    Joguei no futebol de várzea de São Paulo durante quase 30 anos. Alguns jogos da LIbertadores são MUITO MAIS perigosos para o juiz, times e torcedores adversários do que um jogo de várzea em São Paulo sem alambrado, polícia ou TV. É assustador. Quanto a organização, levando-se em conta a disparidade econômica, creio que a Copa Kaiser é mais organizada.

  • Felipe Lima

    Alguns questionamentos:

    * A final em jogo único (eu até defenderia se o nível de organização da Libertadores fosse um “pouco” maior) tem alguma coisa a ver com a proposta de incluir os times da MLS?

    * Será que ninguém na Conmebol parou pra pensar no que “pode dar errado”?

  • André,
    a CONMEBOL não costuma dar ponto sem nó. Se essa idéia foi ao menos proposta, é porque alguém lá dentro vai ganhar dinheiro com isso. A própria entidade vai perder (vai ter participação sobre a renda de um jogo ao invés de dois), então devem haver interesses poderosos por trás…

    Desculpe fugir do assunto, mas você viu isso? http://www.theguardian.com/football/blog/2013/aug/03/bayern-munich-pep-guardiola
    Minha primeira impressão quando o Bayern contratou o Guardiola é que era um casamento perfeito, mesmo com o excesso de expectativas pela performance em 2012. Aparentemente, as coisas não vão tão bem assim.

    AK: Muito cedo, não? Independentemente disso, como escrevi aqui, os títulos do ano passado aumentaram as dificuldades para o novo técnico. Um abraço.

  • Anna

    Com tudo que o Botafogo vem passando, o time ainda é líder do campeonato. Tb admiro Oswaldo de Oliveira. Botafogo mais do que favorito ao título brasileiro e merecedor disso. Grande abraço, Anna

  • Juliano

    8 a 0 é um absurdo! Sim, nenhum time da série A pode tomar 8. Talvez Portuguesa e Náutico também passariam por tamanho vexame. Mas o Santos não pode! Pela história e grandeza.

    Olhando friamente, o time está esfacelado, sem identidade. Esse papo de “meninos da Vila” é um marketing furado, para tirar o foco do fraco elenco que carece de investimento de contratações decentes. Todo time precisa, mesmo que tenha uma base da casa.

    Ainda em 2002, Leão abriu o jogo sobre os “meninos”. Lançou a garotada por falta de opção, não tinha outra. Surgiram Renato, Elano, Diego e Robinho. Muito bem, deu certo, mas não foi planejado. Contou com uma dose extra do acaso. Não dá pra contar com isso sempre.

    O que vimos contra o Barcelona foi um time juvenil com uma zaga senil. Desde 2010 não aturo Dracena-Durval, mas em 2010 o time fazia mais gols do que sofria. Os “meninos” naquela época (Neymar, PHG e Wesley) tinha suporte de jogadores experientes, como Robinho, Elano e Léo. De lá pra cá, saíram todos os jogadores relevantes sem reposição a altura (parabéns diretoria!).
    Fui contrário à contratação de Montillo, e infelizmente ele vem me dando razão (como eu queria estar errado!). A maior contratação da história do time (em termos financeiros) e é um embuste! Sobrou Arouca.

    O resto é safra do time campeão da Copa-SP: Leandrinho, Citadini, Neílton, Giva, Victor Andrade (17 anos), Robson (16 anos!), Pedro Castro. Todos estiveram em campo. Todos tem menos de 21 anos. É um time amador, que se tornou profissional ontem. A disparidade com o super-campeão Barcelona é gritante. Gênio foi quem marcou este amistoso. Não tem como competirem no mesmo gramado.

    Onde a diretoria aplicou o dinheiro de PHG? Cícero, Cicinho (quem?), Mena, Rene Jr, Montillo, Willian José (!) e Thiago Ribeiro (!) não irão resolver nada em lugar nenhum. Nunca. E ainda tem Marcos Assunção e o tal Pinga, que jamais pisaram em campo. Muito dinheiro jogado fora. Elenco horrível. Diretoria péssima!

    Olhando para este cenário, 8 foi é pouco. É o profissional vs o amador. Desde a estrutura, direção. Dentro de campo o que vemos é apenas o reflexo. Mas é claro, concordo que um time da série A do “país do futebol” não poderia passar por tamanho vexame. A postura é condenável, os jogadores olhavam, não combatiam, sequer faziam falta. Isso independe de idade. Enfim… foi medonho!

    Que falta já fazem Rafael, Elano, PHG e Neymar.

    Por mais que não esteja em posição tão ruim no Brasileirão, continuo achando que se não cair é lucro. Com este elenco, é lucro.

    Abraço!

  • Olha, confesso que me surpreendi quando o AK discordou da final “estilo UEFA” proposta pela CSF. Mas, realmente, parece que é algo que não deve ser feito. Apesar de eu gostar da ideia de fazermos isso na Copa do Brasil.

    Sobre a VEXAME, parece que o Santos joga contra o Barcelona como um moleque qualquer fã de futebol se comportaria ao encontrar um grande ídolo: fica boquiaberto e besta, sem saber o que fazer.

    Abraço!

  • Viali

    Nicolás Leoz ==» Eugenio Figueredo

  • LUIZ CARLOS TOLEDO PEREIRA

    Aprecio, caro André. O Oswaldo está fazendo o Botafogo se superar, depois das saídas de Andrezinho e Fellype Gabriel. Só não me conformo com essa expressão “professor”, usada hoje em dia por todos os boleiros. É tão inadequada que os jornalistas, pelo menos, deveriam evitá-la. A não ser no caso de Joel Santana, emérito professor de inglês.

    AK: Gostei do critério para o uso do “professor”. Um abraço.

  • Ailton de Souza

    Caro André
    Parece que o jogo do Santos e Barcelona só serviu para uma coisa: apagar o vexame de umas das maiores goleadas de final de mundial de interclubes Barcelona 4 X 0 Santos, que não foi de mais porque diferente dos 8 X 0 o Barça tirou o pé. É uma covardia que fazem com atual molecada dos Santos e o seu treinador, que culpe a diretoria. Pois se o Santos Muricy, isto aqui é trabalho, Neymar, Ganso, Borges, Elano, campeão das Libertadores caiu de 4, este time jovem tomaria de quanto. se houvesse um bolão antes do jogo, todos apostariam que seria mais de 6.

    Abraços

  • Armando Lima

    André, a Conmebol me lembra a estória do sofá: o marido chega em casa e flagra a mulher o traindo no sofá da sala com seu “melhor” amigo e se vendo obrigado a tomar uma atitude, resolve vender o sofá. Será que não há vida inteligente na Conmebol? Pelo menos noção do ridículo deveria existir. Um mínimo já seria de bom tamanho a esta altura dos (sempre lamentáveis) fatos que todos os anos presenciamos e que você descreveu.
    Quanto à Oswaldo de Oliveira, confesso que ele está me surpreendendo. Saiu do Brasil em baixa (embora tenha uma história de grandes conquistas) e está fazendo o Botafogo jogar um belíssimo futebol. A boa surpresa até aqui.

  • sardu

    A Conmebol deve melhorar a estrutura da libertadores, como segurança e proibir a a entrada de torcida organizada (com penalidade as clubes) obrigar aos clubes cadastrar seus torcedores pra evitar vandalismos nego tacando pedra ou sinalizadores ou bombas.
    Melhorar o marketing na libertadores e da sul americana, (pois da UFEA e a Liga) tem um marketing alto e se tiver uma final aqui no Maraca entre Barcelona x Milan vai lotar do mesmo jeito porq todos sabemos que é uma final importante do mundo futebol.

    Final de jogo Único é bom desde que tenham um organização boa, e que o campeonato seja mostrado que é essa final é a partida mais importante da temporada (coisa q na America do sul a partida mais importante é do mundial diferente a Europa que a mais importante é a da Liga). Uma final entre São paulo X Boca la no EUA lota do mesmo jeito, agora se colocar Boca e Olímpia aqui no brasil vai ser um fiasco, no Brasil valorizamos mais a rivalidade do que o Jogo.

  • Tarso Holanda

    André,

    Assistindo uma entrevista do João Saldanha no Roda Viva (disponível no youtube, só digitar saldanha entrevista) fico impressionado como as reclamações de calendário do futebol brasileiro são antigas e sempre as mesmas….

  • André,
    Discordo de vc quanto a decisão da UEFA ser em dois jogos.
    Um jogo em país e estádio pré-estabelecidos tem mais emoção e
    questões de marketing contam muito para tal opção.

    Já na libertadores, vc relatou muito bem, precisa de uma faxina geral
    para aumentar sua credibilidade num torneio já desgastado.

    AK: Como está escrito, meu ponto é que aspectos extracampo não devem ser mais importantes do que o jogo. Marketing não deve direcionar uma decisão. Um abraço.

    • Concorco com vc. Mas a imagem da marca UEFA “Champions League”, é dimensionada
      pela gestão impecável e marketing (obvio que não só publicidade) como a maioria pensa que em tal conceito.

      A questão em campo é prioritária, óbvio, tendo qualidade superior e muito a libertadores.

      O conjunto é que nos dá idéia da importância e dimensão do torneio. A decisão em um jogo obviamente é um ponto chave para toda a estratégia. Com certeza vc também sabe que as mudanças de regulamento só podem ser alteradas de 3 em 3 anos. Isso que é regulamento.

      Por fim na Libertadores “n” questões devem ser reavaliadas.

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