CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CISÃO

A aparente inconsistência entre duas importantes vozes são-paulinas a respeito do motivo do afastamento de Lúcio tem uma razão: apesar de declarações conflitantes, João Paulo de Jesus Lopes e Paulo Autuori disseram a mesma coisa.

O dirigente relacionou o desligamento do zagueiro a um episódio disciplinar, negado pelo técnico. Questão semântica. Lúcio não brigou ou discutiu com ninguém no São Paulo, não houve atrito. O que há são visões distintas de como o dia a dia deve ser conduzido, que resultaram na decisão de Autuori de não trabalhar com o ex-capitão da Seleção Brasileira.

No último domingo, ao dizer que vontades pessoais não seriam colocadas acima das necessidades de seu grupo, Autuori estava, sim, referindo-se a Lúcio. A menção não tem nada a ver com conduta fora do campo, área na qual a trajetória do zagueiro não pode ser criticada. As diferenças são profissionais.

Lúcio tem currículo vasto, personalidade forte e convicções sobre o que é melhor para sua carreira, aos 35 anos. Tais convicções se revelam em certas desobediências táticas durante as partidas e, também, em divergências sobre métodos de treinamento. O que Autuori pretende para o São Paulo, neste momento, é diferente do que Lúcio pretende para si próprio. O encontro dessas diferenças aconteceu nos primeiros dias após a chegada do treinador, sem que houvesse a necessidade de levantar a voz.

Lúcio pensou na Copa do Mundo ao decidir retornar ao Brasil depois de doze anos na Europa. O destino já era uma possibilidade quando ele jogava na Internazionale e o clube recebeu uma oferta de 18 milhões de euros do futebol russo. Para deixar a Itália, só Inglaterra e Brasil eram opções interessantes. O contrato de dois anos com a Juventus foi rompido após apenas cinco meses e quatro jogos. Com o São Paulo, o compromisso – também previsto para duas temporadas – durou sete.

GÊNIOS

A concessionária que administra o novo Maracanã foi incapaz de colocar os torcedores do Fluminense dentro do estádio para ver o jogo contra o Cruzeiro. Muita gente só entrou com o segundo tempo já em andamento. A calamidade é tamanha que permite duvidar que se trate, apenas, da mais vergonhosa incompetência. Mas é sempre um erro subestimar os incompetentes.

LÓGICA

Que bom seria se pudéssemos discutir – e quem sabe fazer mais a respeito – a regra que estabelece limites para a alegria de um gol. Caminhamos para o dia em que árbitros medirão o tempo de uma comemoração e punirão os que ultrapassarem a marca permitida. Isto dito, enquanto a lei for essa, jogador que tirar a camisa para comemorar prejudicará seu time. Bobagem insistir.



  • Ricardo Turqueti

    André, me parece no mínimo possível a sua visão (informada por fontes, tenho certeza) dos posicionamentos no vestiário do SPFC. Põe essa na conta do quanto o futebol é burro: chamaram o Autuori pra implementar uma visão… contrária a que mais da metade do vestiário, ou de mais da metade dos salários do vestiário, tem de si mesmos (aqui é a minha impressão). Só mais um adendo, meio “do lado de cá da cerca”, sobre arbitragem: entre miríades de coisas interpretativas que acontecem durante uma partida, quando o cara tira a camisa numa comemoração e se foi instruído pra punir, se pune na hora. Instantaneamente. Se não pune, não viu e se não viu, não serve nem pra fase um (ver), que dirá pra fase dois (interpretar). As vezes é simples.

    AK: Reporto o que apuro e sei que é verdade. A situação em questão, no sentido mais amplo possível, é bem mais complicada. Um abraço.

  • Joao CWB

    Eu acho tão ridículo esse negócio de punir quem tira a camisa. Não sei se isso se deve ao medo dos cartolas terem frases polêmicas expostas para o mundo todo em uma transmissão ou por questões comerciais, quando na hora em que o jogador está em maior evidência acaba tirando a camisa e com isso não expondo a marca dos patrocinadores.

    Sei que é muito mais emocionante ver um Adriano tirar a camisa e rodá-la após um gol histórico contra a Argentina do que um Neymar fazendo dancinhas idiotas. (Que é um direito dele)

    Punir um jogador que comemora um gol junto com a torcida também é um exagero, a não ser que a festa realmente demore muito e prejudique o andamento do jogo. Mas qual seria esse limite de tempo?

    Tudo isso é resultado de uma visão arcaica e retrógrada daqueles que “fazem” o futebol, e nada tem de moderno como eles pensam.

    Abraço

  • Emerson Cruz

    E os problemas para se entrar no Maracanã se repetiram ontem no jogo do Botafogo. A incompetente concessionária que administra o estádio já se apressou para desempenhar a atividade na qual ela realmente parece ser a especialista, que é a de emitir notas oficiais apresentando algum tipo de desculpa, afirmando que irá “apurar” o que ocorrera e blá, blá,blá. Há de tudo nas poucas linhas dos comunicados oficiais, exceto propostas reais para o fim destes episódios vergonhosos que ocorrem com a co-participação dos clubes e no mínimo a cumplicidade da CBF, sim não nos esqueçamos dela, que mais uma vez mostra não estar nem aí para o principal campeonato que ela (des)organiza.

  • R. Abdallah

    Ontem fui ver Botafogo x Vitória e muita gente teve problemas com filas totalmente desnecessárias, que não combinam com o tal “padrão FIFA”.
    Era uma vez o Maracanã. O que sobrou não é suficiente para reascender a chama, encher os olhos e cantar “ Domingo eu vou ao Maracanã”. Desculpe o saudosismo, mas tenho certeza quem muitos irão concordar. Poderiam ter feito outro estádio e apenas melhorado o Maraca, sem modificar sua estrutura. Enfim, muitos lados positivos também.
    Instalações e serviços estão boas. Apenas do lado de dentro.
    O estádio está bonito e confortável.

    Nos arredores não vendem cerveja por 2 horas antes e depois do jogo. Outra questão complicada.
    Na minha humilde visão, os estádios não são para platéias, são para as torcidas. Claro que queremos conforto, mas existe um limite. Senão é melhor ver em casa.

    Sobre a comemoração, vi o Elias tomar um cartão pq foi comemorar com a torcida. O futebol está caminhando para uma chatice sem tamanho.

    Grande abraço.

  • Pablo

    André,
    Parece que também aconteceu a mesma coisa ontem, no jogo Botafogo x Vitoria…
    Eles estão deixando apenas uma bilheteria aberta para entrada de torcedores quando é jogo de “uma torcida só”

  • JORJÃO

    André, e o que dizer das comemorações de “subir a escada” que estão ficando comuns nos novos estádios brasileiros e que tem sido punidas com cartão amarelo?

    AK: Quando envolve risco, é outra questão. Um abraço.

  • Neil Neri

    André….
    E o Milton Cruz? O que sustenta seu cargo e do que o mesmo eh responsabilizado?

  • Cesar

    É impressionante como tudo que envolve a Copa do Mundo, seus estádios, obras de “mobilidade urbana” (sic), etc está sendo mal executado.

    É decepcionante ver como nossos recursos (sim, NOSSOS, tudo saindo do nosso imposto ou ingresso) vão para o bolso de alguns e muito pouco ou quase nada volta pra gente.

    Me choca ver as pessoas pagando R$100, R$200, R$500 por um ingresso e serem mal tratadas, quase que abusadas pela falta de atendimento. Filas imensas para obter um ingresso caro, comidas de péssima qualidade e caras dentro dos estádios, lugares que não são respeitados… a lista é grande. Preço de 1o mundo e serviço de 5a categoria.

    Não dá pra acreditar em incapacidade de gestão, só em muita vontade de maximizar os lucros (ou desvios) às custas de um povo acostumado a ser mal tratado. E, em relação às obras, o que dizer depois dos escândalos que começam a aparecer por aí, em relação ao metrô, por ex? (só a pontinha do iceberg)

    Adoro futebol, sou atleticano do tipo que acompanha o dia-a-dia das notícias, mas sou do tipo que não se presta a pagar caro e ser mal tratado. Nos estádios antigos eu ia, era tudo meio que amador, mas o tratamento era (pasmem) melhor.

    Espero que dias melhores venham, tenho ficado triste com os rumos atuais…

  • San

    Boa Tarde. Lúcio não tem futebol pra jogar no tricolor, zagueiro experiente que é ainda marca a bola juntamente com o Douglas, fraco em bolas áreas, coberturas também, e às vezes passa a impressão de desleal com seus companheiros de profissões, como tem muitos no futebol brasileiro, consequência das base que primaram mais pela força, do que pela técnica.
    Conflito à parte, Lúcio, Douglas, Juan, Edson Silva, P.Miranda, Rodrigo Caio, não servem pra vestir a camisa do São Paulo. O Futebol brasileiro tecnicamente caiu muito, sequelas da má condução das bases brasileiras, só pensam em formar brucutus e os talentosos estão sendo ofuscados. Há jogadores que não conseguem dar passes de 2 metros, chutes horríveis, não driblam, não tem aquele improviso de dar caneta, chapéu, ir pra cima, está muito robótico. Exemplo mai claro, o Santos ontem, vexame!! Saudade de Dario Pereira, Silas, Muller, Careca, Pita, e outros jogadores nos quais formavámos três Seleções fortes pra ganhar Mundiais, hoje custamos pra formar uma. O trabalho de base tem que ser revisto.

  • Roberto Carlos

    André
    Os vexames de Santos e SPFC podem impactar negativamente nas oportunidades de convites futuros a clubes brasileiros para jogar contra os grandes na Europa?

    Abs

  • Rodrigo – CPQ

    Sobre tirar a camisa: acho um erro punir com cartão amarelo (ou vermelho). Acho sim que o atleta deve ser multado pelo clube, pois é o momento de maior exposição do patrocínio, por motivo óbvio.
    Ademais, acho a proibição de correr ao alambrado mais tosca que essa de punir por tirar a camisa…

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