COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

EMPATE NÃO SE COMEMORA

1 – Corinthians x São Paulo. Tranquilidade x ansiedade. Posse x espera. Criação x espaço. Clara proposta são-paulina de ceder a bola ao adversário, muito mais por força das circunstâncias do que por opção de estratégia de jogo. Cenário definido: iniciativa corintiana, com preço fixado a pagar por um erro na faixa central do campo.

2 – Controle absoluto do mandante nos primeiros movimentos no Pacaembu, porque mesmo quem opta por não ter a bola precisa cuidar dela com capricho. Em meia hora de clássico, o Corinthians ostenta 65% da posse. E o São Paulo faz pouco com pouco: 18 passes errados.

3 – Nas raras ocasiões em que o campo se abre para a velocidade são-paulina, Ralf se estabelece como estraga prazeres. Recuperação, intensidade e tempo. Presença de manual do volante do Corinthians.

4 – O futebol impõe a avaliação de cada time conforme sua capacidade e proposta. Assim, quem termina o primeiro tempo com saldo devedor é o Corinthians. Diante de um oponente aparentemente satisfeito por chegar ao vestiário sem levar um gol, o time de Tite não soube aplicar suas qualidades ao jogo. Uma aparição de Romarinho, finalização rasteira que passou à direita do gol de Rogério Ceni, e só.

5 – Alteração de postura no intervalo. Do São Paulo. Comportamento de quem quer discutir o jogo, ao invés de apenas acompanhá-lo. Destaque para Fabrício, apesar das condições distantes das ideais. Sobra ao São Paulo a necessidade de ser mais incisivo, mas faltam confiança e coordenação para passar da tentativa. A nova dinâmica apresenta ao Corinthians a possibilidade do contra-ataque, como se quisesse testar o nível de desejo do time.

6 – Nota-se a intenção de Tite de abrir o campo, como condição para encontrar o espaço. Nota-se também a dificuldade para fazê-lo. É preciso levar em conta a atuação mais confiável da defesa do São Paulo, um dos pontos que devem ter agradado a Paulo Autuori.

7 – Fabrício deixa o jogo. Renato Augusto e Alexandre Pato entram. E o Corinthians parece mais merecedor de um gol. Só parece, porque Pato não consegue finalizar na direção certa em duas oportunidades. Nos vinte minutos finais, o zero a zero soa como um resultado satisfatório para ambos. De fato, não é.

8 – O encontro anterior – jogo de volta da Recopa Sul-Americana – assustou por causa da ausência de competição. Não é normal, ainda mais numa disputa de troféu, mesmo quando um time é claramente superior ao outro. O clássico deste domingo teve um São Paulo mais envolvido, em especial no segundo tempo. E após uma pressão inicial que não deu frutos, um Corinthians em dúvida sobre o que quer. O empate significa que cada um continuará lidando com seus problemas.

9 – Conclusão: não perder o nono jogo seguido certamente melhora a qualidade do sono, mas como Autuori enfatizou em sua entrevista, “empate não se comemora, é pouco”. Há aspectos na atuação do São Paulo, em termos coletivos, que são mais relevantes do que o ponto somado. No Corinthians, as questões permanecem as mesmas: é possível reciclar motivação? Há uma escolha a ser ponderada entre o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil?

AGENDA

A viagem do São Paulo para Europa e Ásia expõe um dos problemas do calendário do futebol no Brasil. Excursionar é necessário, pelos aspectos das finanças e da valorização de marca. Mas fazê-lo durante o Campeonato Brasileiro gera prejuízos esportivos que não podem ser medidos. O São Paulo deixará o país ocupando a zona do rebaixamento, e, quando retornar, pode estar na última colocação. Neste momento, o passeio por Alemanha, Portugal e Japão é inconveniente.

VEM AÍ…

Falando em Alemanha, o que Borussia Dortmund e Bayern Munique mostraram no sábado deixou uma ótima impressão sobre a temporada que está por vir. A vitória do Dortmund (4 x 2) na Super Copa da Alemanha revelou que o time de Jurgen Klopp continua sendo um fenômeno. O de Pep Guardiola, em fase de construção, terá fortíssima competição doméstica. O campeonato promete.



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