OS 4 Ps



O Newell’s Old Boys de Gerardo Martino era, acima de tudo, um time de futebol com identidade própria. Em mercados carentes como o argentino, levar uma equipe a tal estágio de personalidade é um feito.

Falta material humano, faltam recursos, falta tempo. E sobra pressão. É por isso que tantos técnicos carregam seus times para uma vala comum em termos de sistema.

Treinadores que não se afastam de conceitos, por vezes, conseguem superar a barreira da mediocridade. Foi o que Martino fez no Newell’s.

Quem prestou atenção viu um time que sai jogando de trás, que elabora movimentos, que protege e mantém a bola, que joga com um “falso 9” e ataca pelas laterais.

Martino foi jogador de Marcelo Bielsa e não nega sua influência, mas o NOB que vimos recentemente tem conceitos muito mais próximos do Barcelona (atenção, trolls: falo de ideias, não de produção) de Pep Guardiola.

Aí está a conexão – além da aprovação de Lionel Messi, claro – com os catalães, os motivos que levaram ao convite ao argentino e a um contrato de dois anos.

O “bielsismo” de Martino está na maneira de ver o futebol, na humildade, na autocrítica, na preparação minuciosa e no estudo do adversário. Em campo, Martino é mais paciente do que seu ídolo.

Depois de aplicar ideias “guardiolistas” no NOB, Martino agora tem o material original em mãos. Se tudo der certo, seu Barcelona terá os 4 Ps que formatam o RG das equipes de Pep: posse, passe, pressão e paciência.

Para o técnico, é uma oportunidade de sonho. Para o clube, um inteligente passo atrás.

Para nós, é mais um motivo para ver.



  • Anna

    Fiquei surpresa com a contratação de Martino e me perguntei o porquê de os técnico brasileiros não serem bem cotados no exterior. Obrigada por sua consideração para com os leitores. Sempre gentil. Por isso, seu blog é diferenciado. Grande abraço, Anna

    • Juliano

      Anna, não temos, do lado de cá, gênios à beira do gramado. Lá fora, sobram apenas os mercados árabes e correlatos (ou ainda, Joel na seleção africana, Carpegiani na seleção paraguaia e Autuori no Peru. Nada forte. Talvez, novamente LFS em Portugal, trabalho de maior impacto de um treinador brasileiro, aí sim, na Europa).

      Na nata, tivemos o “profexor” no Real, e o LFS no Chelsea (rico, mas sem aquela tradição). Seus trabalhos não enxeram os olhos nestas equipes. Pelo contrário. Quais os treinadores brasileiros que deveriam ser cotados, por exemplo, para comandar este Barcelona? Não vejo nenhum, mesmo.

      A boa notícia é o surgimento de interinos que fazem um belo trabalho e acabam entrando no mercado (tem sido assim com o Coritiba, revelando treinadores novos nos últimos anos, e será assim com Claudinei no Santos, por mais que, neste caso, seja por falta de opção. Deixem o homem trabalhar! Seu trabalho hoje no time, já é melhor que o de Muricy).

      Abraço!

  • Emerson Cruz

    Interessante como o Barcelona desde a saída de Van Gaal, não tem apostado em treinadores com grife. Quanto ao futuro trabalho de Martino na Catalunha, é esperar para ver.

  • @R9Sal

    Em geral os técnicos brasileiros são contra a vinda de técnicos estrangeiros para o Brasil, ao mesmo tempo em que são sequer lembrados para dirigir times de ponta na Europa

    Brasil é a Coreia do Norte dos técnicos.

  • Fosse Rosell, quem VOCÊ contrataria, André?

    Martino, Bielsa, Luis Henrique, Hiddink, Villas-Boas ou Tite?

    AK: Minha primeira opção seria Bielsa, pela filosofia e experiência. Mas o encaixe com Martino talvez seja melhor. Um abraco.

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