COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

LIBERTAS

O Atlético Mineiro melhorou a partir do minuto 64 do jogo contra o Olimpia, quando Ronaldinho Gaúcho foi para o banco. Guilherme, seu substituto, foi quem criou a melhor chance de gol do time brasileiro em Assunção, com um primoroso lançamento para Jô, na área. O goleiro Martín Silva prevaleceu ao defender o chute com a perna.

Resultado à parte, o que aconteceu no Defensores del Chaco não é a norma na passagem de Ronaldinho pelo Atlético. A contratação que parecia carregada de extremo risco se provou um acerto de Alexandre Kalil, de Cuca e, claro, do próprio Ronaldinho. Ele tem sido o jogador diferente, impactante, com frequência muito maior do que se imaginava quando chegou do Flamengo. Seu futebol virtuoso é uma das razões pelas quais o torcedor atleticano experimenta a decisão da Copa Libertadores pela primeira vez, o que não o protege de críticas por atuações insossas como a do jogo de ida contra os paraguaios.

As maiores diferenças entre o Ronaldinho que brilhou na Europa e o que vemos hoje são o tempo e o espaço. No ambiente mais competitivo do futebol mundial, os adversários mais capazes não permitem que se pense e se tome decisões confortáveis em campo. Sobrevivem apenas os jogadores que conseguem raciocinar antes e agir num instante. O luxo do futebol na América do Sul está na liberdade.

Os encontros entre Atlético Mineiro e Arsenal de Sarandí, pela fase de grupos desta edição da Libertadores, são emblemáticos. O time brasileiro marcou cinco gols em cada jogo, comprovando ampla superioridade em todos os aspectos. Ambas as vitórias foram conduzidas por exibições de Ronaldinho, gerador de jogadas ofensivas que os defensores argentinos não puderam acompanhar. A explicação vai além do desnível técnico entre os times. O Arsenal concedeu a Ronaldinho o espaço e o tempo que ele necessita para desequilibrar. Pagou o preço geralmente cobrado de qualquer equipe que comete tal erro.

Basta um momento de desatenção ou confusão, como os jogadores do Newell’s Old Boys podem confirmar. Ronaldinho não faz sua presença ser notada por intermédio do volume de aparições. Seu talento (ainda) pune adversários que falham numa situação específica: permitem o encontro entre Ronaldinho e a bola na faixa do campo em que um passe bem executado pode ser decisivo, e o presenteiam com segundos extras de privacidade.

Vigiado com tolerância zero, o desempenho de Ronaldinho perde eficiência por causa da dificuldade de criar o próprio lance. Não são numerosos os jogadores capazes de produzir sob pressão de marcação por vezes dobrada, recurso utilizado por times bem treinados para asfixiar a origem dos movimentos adversários. Na carreira de Ronaldinho, esse dom está distante. O Olimpia sabe disso e vai tratá-lo com a atenção devida, o que impõe ao dez atleticano um grande desafio.

Na quarta-feira, o Atlético precisará de uma atuação de máquina do tempo de Ronaldinho Gaúcho. E a mudança do Independência para o Mineirão não ajuda: as dimensões dos gramados dos dois estádios são rigorosamente iguais.

CLASSE A

Por falar em máquina do tempo, Alex tem revivido grandes momentos. Sua atuação na Vila Belmiro (marcou os dois gols do Coritiba no empate com o Santos) ofereceu algumas das melhores qualidades de um meia: inteligência para se desmarcar, instinto para atacar, técnica para finalizar. E o segundo gol foi de pé direito. Acima de tudo, Alex pensa melhor do que a maioria. Seus neurônios o tornam mais valioso.

IMPORTADO

Ignácio Scocco vai jogar no Brasil. Não é mais um menino, mas depois do que mostrou na Copa Libertadores, sua contratação pelo mercado futebolístico mais poderoso do continente era uma obviedade. Gol do Internacional, que receberá um jogador difícil de marcar e dotado de técnica superior. Indiretamente, lucramos todos com a presença do talentoso argentino por aqui. Quem ainda não viu, vai gostar.



  • Teobaldo

    Tentei postar a mensagem a seguir, na semana passada, mas o sistema não o aceitou. Pelo baixíssimo número de mensagens nos 2 posts anteriores, acho que o privilégio não foi só meu. Coisas de informática….., mas lá vai:

    A minha conclusão (putz, começar pela conclusão é dose pra elefante, sou obrigado a reconhecer!!!) é que todos nós, Atleticanos, somos como Prometeu que, segundo a mitologia grega, roubou o fogo de Zeus para dá-lo à humanidade e, por essa ousadia foi amarrado a uma pedra para que uma água, durante o dia, lhe devorasse o fígado que, à noite, renascia, tornando sem fim o seu sofrimento. Sinto-me como Prometeu, condenado que estou ao sofrimento. Bem, pelo menos ele sabia o motivo de sua condenação. Como Prometeu, nosso fígado renasceu várias vezes (contra São Paulo, naquela expulsão do Lúcio; contra o Tijuana, naquele pênalti; contra o NOB) mas, ao que parece, será devorado novamente… como nossos avós, os filhos deles, nós, os nossos filhos, todos pertencentes a gerações que se renovam para serem comidas pela água sequiosa… Que pena! O fato é que apenas uma maldição divina explica as nossas derrocadas. Alguém lá de cima (ou lá de baixo, talvez) apontou o dedo para nós e vaticinou: Sofrerão!!! Oxalá, um dia, essa maldição divina acabe!!!!!!!

    Em relação ao Ronaldinho, por mim, ele joga até se estiver em cadeira de rodas ou em coma! O fato é que nenhum jogador com a idade dele e o hístórico etílico dele aguentaria uma marcação tripla. O problema do Galo é que os nossos dois jogadores que sobravam (Luan e Josué) não criaram nada naquele jogo (não criam nunca, bem entendido). Então, porque o Guilherme entrou e criou? Porque é um bom jogador (nada mais do que bom) e o técnico do Olímpia passou a marcá-lo no homem à homem. Com mais espaço que R-10, Guilherme apareceu. Pelos motivos escancarados pelo AK, eu nunca tiraria o R-10. um abraço a todos!

    AK: Sobre os comentários, o blog tem sido afetado por problemas técnicos desde a última sexta-feira. Obrigado pela compreensão. Um abraço.

  • Ailton

    Caro André

    Antes de mais nada, obrigado pelo carinho com seus eleitores ao explicar os problemas técnicos com o blog.

    Falando sobre futebol. Na minha opinião, se o Ronaldinho entrar em campo com o espírito de Santos 3 X 0 no Flamengo, que em 15 minutos ainda no 1° tempo empatou e virou no 2º para Santos 4 X 5 Flamengo, o Atlético será campeão. Era um jogo para o Flamengo tomar uma humilhante goleada. E acredito que tomando de 3 X 0 para um moleque que era considerado o fenômeno do momento, Ronaldinho começou a jogar com “sangue nos olhos” e querendo mostrar que se “Flamengo é Flamengo”, “Ronaldinho é o Ronaldinho” e só não fez 4 gols naquele jogo, foi porque o Thiago Neves se antecipou a sua cabeçada no 2º gol que seria certeira. Se campeão amanhã dará a Ronaldinho a oportunidade de conquistar um título que ele não tem e conquistar outro diante de Pep Guardiola e do Poderoso Bayern. Será que serão motivos suficientes para ele tem de novo “o sangue nos olhos” como em 2011?
    Sobre a questão de espaço, podemos contar nos dedos quais os times da Série A do Brasileiro fazem marcação por pressão ou compactação de espaços. Nesse mesmo jogo o gol mais bonito de 2011 saiu numa jogada de 2 santistas contra 6 rubro-negros e a demora de um goleiro que não sabe saiu do gol.
    Qual o gol mais bonito Nilmar 2009 ou Newmar 2011?
    Forte abraço
    PS: não gosto deste modismo de “sangue nos olhos”, mas não achei expressão melhor

  • O Atlético – MG cometeu vários erros e um grande pecado. Usou de forma desleal para conseguir um contrato com o consórcio que administra o Independência; Ficou tão acustumado com seu terreiro que não perdeu ainda la. Mas, ainda é adverbio de tempo. Seu presidênte cometeu um pecado ao ignorar a cor celeste do manto da protetora do clube N. S. Aparecida. Lembrando ainda, que na quarta-feira o Papa vai a S. Paulo para visitar a capela dos milagres da referida e participar da cerimónia da troca do manto da NSA. Consta que o manto é cortado em pedacinhos, e enviado para grandes fieis. Eu brinco muito, mas com a fé dos outros, não. o Olímpia é um time copeiro e acostumado a enfrentar grande adversários fora de casa. Como eu não brinco com fé dos outros não vou ariscar um palpite. Mas cuidado!

  • toninho

    Comprovadamente em toda sua carreira sempre demonstrou que: quando precisa mesmo dele, ele some do jogo, lembram-se dele na seleção brasileira?? um verdadeiro fiasco.
    entao amigo, jogador de pelada, so joga contra times menores, e quando o time nao precisa.
    Se precisar, o atletico ta . jogador amarelão. comprove hoje.

    • Teobaldo

      Eu assisti, toninho (seu nome é iniciado com letra minúscula mesmo?)! Você sabe tudo de bola, amigão. Apareça mais vezes aqui no blog. Ler comentários tão inteligentes quanto o seu é sempre muito divertido!

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