NO LANCE! DE HOJE



(publicada no Lance! deste sábado e, aqui, a pedido dos editores do jornal)

MENTE INSANA

A declaração mais interessante sobre o atual momento do São Paulo não fez parte do sintomático debate entre Rogério Ceni e Adalberto Baptista. Quem a ofereceu foi Denílson, em entrevista recente que não recebeu a atenção que deveria. Talvez porque o volante não seja um jogador do qual se espere esse tipo de análise. Ou talvez porque sua intenção tenha sido dizer algo menos profundo. Não importa.

“Primeiramente a gente tem de estar de bem com a gente. O problema é principalmente psicológico”, disse Denílson, dias atrás, ainda esperançoso de que o São Paulo pudesse vencer a Recopa Sul-Americana e conquistar um período de tranquilidade. Deu-se o contrário e, mesmo que o time tivesse superado o Corinthians, o benefício seria mínimo. O título atacaria o sintoma, não a doença.

Como Denílson frisou, a questão é psicológica. Ele se referiu ao time, mas acertaria em cheio se ampliasse a visão. O São Paulo é dirigido de forma centralizada e autoritária, modelo que já se provou trágico em outros clubes. Juvenal Juvêncio julga possuir um conhecimento de futebol maior do que um Morumbi lotado, e se vê tão acima de todas as questões que é capaz de transformar a apresentação de um técnico em um espetáculo tragicômico em que se isentou de tudo o que está errado no clube. Mais: Juvêncio, orgulhoso, mandou fazer DVDs de sua atuação na coletiva ao lado de Paulo Autuori e os distribuiu na última segunda-feira.

O principal sinal de que a cabeça são-paulina está ruim é a exposição pública de problemas internos, algo que não acontece em clubes bem administrados. Os atores em cena são reveladores. O maior ídolo da história do clube e um dirigente neófito. A história de Rogério Ceni no São Paulo não lhe confere um atestado de razão eterna ou licença para criticar seus superiores, mas Adalberto Baptista escolheu um caminho pouco inteligente para confrontá-lo. Em essência, Baptista disse que Rogério está atrapalhando o São Paulo ao jogar machucado e sem foco. Equívoco duplo: 1) os problemas do time não estão nas atuações do goleiro; 2) se fosse o caso, a obrigação do diretor de futebol seria fazer algo a respeito. Fazer, não falar.

A tensão entre Rogério e Baptista não é recente. Esta coluna revelou, em novembro do ano passado, que o comando do São Paulo estava dividido a respeito da renovação do contrato do capitão do time. Havia quem torcesse para que Rogério não fosse capaz de se recuperar totalmente da lesão no ombro e decidisse se aposentar. Cerca de oito meses depois da renovação, Baptista usa a aposentadoria – anunciada publicamente – de Rogério para atacá-lo e se distanciar das próprias responsabilidades.

Conflitos dessa natureza não se resolvem, mesmo porque Ceni se despedirá em dezembro. Dependendo do nível de paciência de ambos os lados, pode ficar feio. Autuori terá de gerenciar a situação com o máximo de suas habilidades, e, voltando à frase de Denílson, talvez a ajuda de um psicólogo fosse útil. O último que trabalhou no São Paulo foi dispensado por falar demais com jornalistas.

CAMPEÃO DE NOVO

Para ganhar a Recopa no Pacaembu, o Corinthians mostrou a forma e a postura que o caracterizaram em 2012. Um time que domina, oprime, não perdoa falhas do adversário. O jogo aconteceu três dias depois de uma derrota em casa para o Atlético Mineiro, que jogou com escalação alternativa. O Corinthians estabeleceu um padrão de atuação que faz o torcedor supor que pode acontecer sempre. Não pode. A irregularidade é um oponente poderoso.

JOGO DA VIDA

Chelsea, Manchester United, Manchester City, PSG, Bayern Munique, Real Madrid e Barcelona. Todos começarão a próxima temporada com novos treinadores. Para a maioria, a troca se deu por razões comuns no futebol. Mudanças de rumo, ofertas, aposentadoria. Para o Barcelona, por uma razão muito mais importante do que o futebol. Tito Vilanova deixou o clube para enfrentar o câncer. Que vença.



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