CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

RESISTÊNCIA

A campanha do Olimpia nesta edição da Copa Libertadores é um contrassenso. Um desses episódios em que o futebol nega as mesmas normas que costuma impor. Assim como o Chelsea tem conquistado títulos rasgando os mandamentos do planejamento e da estabilidade de comando, o clube paraguaio chegou à sétima final continental de sua história sem pagar seus jogadores em dia.

A caminhada desde a fase preliminar do torneio transcorreu em meio a toda sorte de problemas financeiros e trabalhistas que atingiram uma folha de pagamento considerada ridícula no futebol brasileiro: pouco mais de 1 milhão de reais. O Olimpia chegou a dever nove meses de salários. Hoje, o mês gira em torno de sessenta dias.

Dois eventos impediram a derrocada. Alguns empresários de Assunção se uniram para resgatar o time para o qual torcem, responsabilizando-se por despesas e mantendo o Olimpia em funcionamento. E os jogadores, ao invés de fingir que jogam enquanto o clube finge que os paga, encararam a Libertadores como a fonte de alimentação de suas contas bancárias. O título e a exposição trariam os recursos para estabilizar os salários.

Só um grupo de pessoas unidas é capaz de lidar dessa forma com dificuldades ligadas ao próprio sustento. A amálgama do Olimpia é o técnico Ever Hugo Almeida, ex-jogador do clube e ídolo da torcida, que soube conduzir o time para superar perdas de jogadores negociados e enfrentar notícias aterrorizantes como o caso do lateral Sebastián Ariosa, que abandonou o futebol em junho para se tratar de um câncer no mediastino.

No início da Libertadores, o Olimpia não estava cotado para disputar o título. A viagem a Belo Horizonte na próxima semana contraria tudo o que se prega no futebol profissional. Mas não é uma surpresa para os jogadores do time e nem para a história do clube que conquistou seus três troféus continentais fora de casa.

O Mineirão lotado não os assustará.

TROCO

Como informou este diário, a Recopa Sul-Americana poderia ter acontecido em Pequim, em jogo único no Ninho de Pássaro. A proposta que agradou a Corinthians e São Paulo era de 1 milhão de dólares para cada clube, somados aos direitos de televisão e à exposição internacional. A Conmebol não topou. O campeão recebeu 200 mil dólares e o vice, a metade.

FORNO

Joseph Blatter disse ontem, na Áustria, que pedirá ao comitê executivo da Fifa para considerar a realização da Copa do Mundo de 2022 durante o inverno. “Não se pode jogar futebol no verão no Catar”, afirmou Blatter, em declaração que revela uma impressionante descoberta. As questões relativas ao calor foram debatidas antes da escolha do país sede.



  • “O Mineirão lotado não os assustará.”

    Arrepiou!

    Se o Galo ganhar essa Liberta, será épico demais, por todas as circunstâncias, reviravoltas etc.

    Mas que o Olímpia merece muito, principalmente pelos motivos citados no texto, isso merece!

    Fosse no Independência, cravaria Galo, daquele jeito, sofrido… no Mineirão, sei não… acho que teremos um Mineirazo!

  • R. Abdallah

    A situação do Olímpia me faz recordar o Inter de 2010, pela campanha irregular, e o Botafogo no Brasileiro de 95, onde apenas o Túlio tinha salário em dia e mesmo assim ambos foram campeões. Futebol tem dessas coisas. Ainda bem.

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