COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

GENERAL MARIN

Há duas notícias interessantes na entrevista de José Maria Marin à edição de ontem de “O Globo”. A primeira é que o presidente da CBF já escolheu quem será o técnico da Seleção Brasileira após a Copa do Mundo, se Luiz Felipe Scolari não quiser continuar no posto: Alexandre Gallo, que hoje comanda as categorias de base da confederação e observa adversários para Felipão.

A segunda notícia é o motivo da demissão de Mano Menezes, em novembro do ano passado. Ao jornal, Marin deu uma explicação que faltou na época em que decidiu trocar o comando da Seleção: “Eu vou para uma guerra. Se não passasse bem na primeira trincheira (Copa das Confederações), aumentaria a pressão para chegar na segunda (Copa do Mundo). Eu quero meu comandante, os meus soldados. Eu iria com o comandante que outro (Ricardo Teixeira) escolheu? Será que o do outro iria morrer por mim, se não fui eu que o escolhi? Com o meu, vamos para a glória ou o inferno juntos”.

A questão é menos importante agora, após a bem sucedida campanha do Brasil na Copa das Confederações e a perspectiva de evolução que ficou evidente, principalmente, na final contra a Espanha. Mas revela a maneira de pensar e tomar decisões do dirigente que herdou a presidência da CBF graças à sua data de nascimento. Mano foi dispensado porque era “um soldado” de Ricardo Teixeira.

Vários funcionários que trabalhavam diretamente com o “doutorrrrr Ricarrrrrrrdo” foram desligados da CBF desde que o ex-presidente se exilou na Flórida. Alguns permanecem, como Alexandre da Silveira, o secretário particular que carregava as malas Louis Vuitton de Teixeira e agora informa as horas a Marin. Substituições em posições de confiança são naturais e comuns no ambiente administrativo. A declaração de Marin dá a entender que o técnico da Seleção Brasileira – cujas relações e funções são completamente distintas – também foi incluído na “limpeza” da gestão anterior.

O que mais chama a atenção é a pergunta ao final do raciocínio. A dúvida sobre o comprometimento de um treinador com um dirigente que não o escolheu é surreal. Como se fosse possível que Menezes se dedicasse menos ao próprio trabalho apenas porque seu chefe mudou. Estamos falando do técnico da Seleção Brasileira, não de um gerente financeiro.

Marin se complicou ainda mais quando abordou os aspectos futebolísticos da demissão de Mano. “Se o Brasil ganhasse a Olimpíada de Londres, eu não poderia mudar”, disse ao O Globo. O que significa que o soldado “do outro” continuaria no comando pelo menos até a Copa das Confederações. E que provavelmente não chegaria à Copa do Mundo, pois, afinal, Marin queria um técnico que fosse dele.

Uma pena Marin não poder dizer o óbvio. Que transferiu o peso dos resultados da Seleção para as costas de Felipão, largas o suficiente para carregá-lo, de forma a minimizar seus efeitos na eleição na CBF, em abril de 2014. Se as coisas estiverem bem, serão capitalizadas pelo cartola. Se não estiverem, ele se eximirá de culpa.

Imagine Felipão lendo a entrevista, e descobrindo que vai para a glória ou para o inferno com Marin.

BERÇO

Chapecoense, Joinville e Figueirense estão entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro da Série B. O Coritiba lidera a Série A, com Internacional (quarto lugar) e Grêmio, iguais em pontos, por perto. Não fosse a presença do Criciúma e do Atlético Paranaense na parte debaixo da classificação, o futebol da região sul do Brasil estaria sorrindo como nunca.

TAPETE

Mais imagens aterrorizantes do gramado do estádio Mané Garrincha, que atrapalhou o clássico entre Flamengo e Vasco. Não estamos longe do dia em que alguém dirá que a culpa é da “sequência de jogos”. Importante lembrar: o gramado do estádio de Brasília precisará ser trocado para a Copa do Mundo.

LOUCURA

O primeiro jogo da decisão da Copa Libertadores e o segundo jogo da Recopa Sul-Americana acontecerão na mesma noite, e no mesmo horário. Os torneios são organizados pela mesma entidade.



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