COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MAU EXEMPLO

As pessoas que administram o estádio Mané Garrincha nos ofereceram, anteontem, uma amostra do que pode acontecer tão logo a Copa do Mundo de 2014 se encerre. Foi assustador. Sete dias após o final da Copa das Confederações, o estádio brasiliense – o mais caro do país, a caminho dos R$ 2 bi – recebeu o jogo entre Flamengo e Coritiba em condições muito distantes do chamado “padrão Fifa”.

De acordo com os relatos de quem lá esteve, os problemas de organização foram sortidos: ingressos vendidos sem numeração, equipes de emissoras de rádio trabalhando na arquibancada, bilheterias e bares improvisados, banheiros fechados, sinal de internet desaparecido. O estado do gramado, prejudicado por um show de música que aconteceu há uma semana, completou o cenário sucateado em uma arena que ainda nem está totalmente pronta. O setor onde ficarão as cabines de rádio, por exemplo, não foi concluído.

A decisão do Flamengo de jogar mais duas vezes no Mané Garrincha (contra o Vasco, no próximo domingo, e contra o Asa, no dia 17) deve proporcionar a repetição dos fatos acima, uma ironia a respeito da utilização do estádio. O local onde a Seleção Brasileira venceu o Japão no dia 15 de junho precisa ser ocupado, mas não está apto no aspecto estrutural e, aparentemente, no de gestão.

Não é a primeira vez que tratamos do assunto, mas não custa repetir. Há uma decisão a ser tomada em relação aos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo. Ou nos adaptaremos a uma nova realidade de frequência, ou os adaptaremos ao que fazíamos antes de serem erguidos. A segunda possibilidade é, em essência, desperdiçá-los. O dilema vale para torcedores, funcionários, parceiros, profissionais de imprensa e, lógico, administradores.

Para os seis estádios que receberam jogos da Copa das Confederações, o verdadeiro evento-teste não foi o torneio oficial da Fifa, realizado sob condições especiais para mostrar ao mundo que, sim, haverá uma Copa no Brasil. Os testes se darão enquanto a Copa não chegar, a cada jogo, pela maneira como serão tratados cotidianamente. No caso do Mané Garrincha, situado numa região do Brasil onde não há futebol profissional que o justifique, o problema é ainda mais sério.

No sábado, também houve dificuldades de acesso para os torcedores (mais de 55 mil presentes), que sofreram para atravessar as largas avenidas que levam ao estádio em Brasília. Dentro e fora do Mané Garrincha, tapumes e entulho de obras em andamento. O Flamengo continuará levando públicos dessa ordem a seus jogos, de modo que a janela para a solução das falhas não é generosa. O governo do Distrito Federal é o dono do estádio e quem deveria se posicionar sobre o que se deu antes, durante e depois de Flamengo x Coritiba.

Os estádios da Copa do Mundo são objetos de muita controvérsia. Das escolhas políticas que os escalaram no Mundial ao uso de verbas públicas. Mas a pior coisa que pode acontecer com eles é o mau uso. Brasília – que surpresa… – deu um péssimo exemplo.

DE NOVO

No sábado, escrevemos aqui a respeito da preocupação dos jogadores do Corinthians com Renato Augusto. E eis que o meia voltou ao departamento médico por um problema casual, que pode acontecer com qualquer um. O fato de ter acontecido com ele revela incrível falta de sorte.

IMORTAL

Andy Murray nasceu em 15 de maio de 1987. Aos 9 anos, sobreviveu a um massacre na escola em que estudava, quando um homem matou 17 pessoas antes de se suicidar. Ontem, Murray se tornou imortal, ao ser o primeiro britânico campeão em Wimbledon em 77 anos. São mágicos os poderes do esporte.



  • Juliano

    Que mais profissionais sérios tocassem no tema, buscando sempre alcançar a população. Irretocável, AK.

    O que vemos com os estádios da Copa é o que acontece no Brasil desde sempre, não só com estádios, mas com tudo.

    “cenário sucateado em uma arena que ainda nem está totalmente pronta.” Perfeito. Se nossas hidrelétricas tivessem manutenção (há uma perda de quase 30% do potencial energético gerado), jamais seria necessário erguer a criminosa Belo Monte. Mas procura-se justificativas diversas para sua necessidade. Como é o caso dos estádios, mal comparando. E este exemplo é apenas um grão de areia. Serve para muitos outros.

    Que a população volte às ruas.

    Abraço!

  • Eduardo

    Pode acontecer apos a copa….
    E você tem alguma duvida sobre isso?

  • Anna

    Fiquei muito feliz por Andy Murray ter ganho Wimbledon. Ele é um dos meus tenistas favoritos. 😉

  • Silva

    André?

    Onde estão a notinhas pós-rodadas? “Preguiçoso”.

    Abraços.

  • Emerson Cruz

    E até agora não vi nenhum dos responsáveis pela construção do mamute albino do DF se pronunciar a respeito dos fatos relatados nessa coluna e presenciados por quem lá esteve no último fim de semana.
    Que surpresa!

  • cosme

    há tempos os imbecis se preocupam com o itaquerão,estes mesmos imbecis darão um jeito para resolver os problemas do mane garrincha,2 bilhões de reais e aumentando fora os outro bilhão e meio do maraca,gastos em uma REFORMA, não em uma construção que corre o risco de ficar sem ser utilizado,pois os times do rio preferem mandar seus jogos brasil afora, mais manaus,natal e cuiabá,mas o problema é o estadio do CORINTHIANS,que o brasileiro aprenda a se manifestar antes das coisas se definirem,não comemorar na hora e depois culpar os outros,povinho mediocre…

  • Dyl Blanco

    Olhar atento, coragem no posicionamento, dever cumprido. A denúncia, no formato de informação, foi irretocavelmente formulada, cabendo agora a repercussão e o desdobramento, com a participação popular cobrando nas devidas instâncias e com toda a intensidade possível as atitudes necessárias para tentar evitar mais desperdícios. Tempos de superação e entrega. Se o uso indevido, com shows ou quaisquer eventos acessórios, trouxer mais problemas, que sejam boicotados então, deixando seus “promotores” amargando os prejuízos até que aprendam a usar corretamente o equipamento. Mãos a obra.

  • Antônio Borges

    Estive no Mané Garrincha neste jogo e a situação só comprovou a minha indignação com a construção dos estádios da copa. O acabamento é horrível, o entorno está um desastre, sujo, os bares também estão uma porcaria, venda de bebidas em caçambas. Foi tudo uma grande roubalheira.

  • Márcio Rodrigues

    São por essas e outras coisas que perco a esperança de viver em um lugar melhor, quando você olha um escárnio desses só para encher o bolso de bandido e do outro lado vê pessoas morrendo por falta de qualidade nos serviços públicos. Oferecer uma boa saúde e educação deveria dar bastante dinheiro para esses corruptos, só assim a população teria uma contra partida dos roubos desses meliantes de colarinho branco.

  • Joao Daniel

    André, primeiramente, parabéns pelo texto.

    Quanto ao Fla X Coxa, sou de Brasília e estava no estádio. Identifiquei alguns dos problemas que você citou, mas do meu ponto de vista, infelizmente, mais do que os problemas na estrutura do estádio, está no comportamento das pessoas.

    Entrei para o jogo com 1h30m de antecedência, e infelizmente pude observar que a atitude das pessoas faz com que os problemas só piorem. Lixos sendo jogados no chão (mesmo quando a lata de lixo estava a 5 passos de distância), banheiros sendo depredados (vasos sanitários quebrados, chão sujo de fezes e papel higiênico usado).

    Isso só mostra que os problemas piores estão em nossa educação, e que infelizmente, parece não haver perspectivas de melhoras.

    Abraço!

    AK: Sim, por isso escrevi que os torcedores têm responsabilidade na decisão que precisa ser tomada. Um abraço.

  • m.m.

    sem comentarios!!!!!!!!

  • Joao Daniel

    André, primeiramente, parabéns pelo texto.

    Quanto ao Fla X Coxa, sou de Brasília e estava no estádio. Identifiquei alguns dos problemas que você citou, mas do meu ponto de vista, infelizmente, mais do que os problemas na estrutura do estádio, está no comportamento das pessoas.

    Entrei para o jogo com 1h30m de antecedência, e infelizmente pude observar que a atitude das pessoas faz com que os problemas só piorem. Lixos sendo jogados no chão (mesmo quando a lata de lixo estava a 5 passos de distância), banheiros sendo depredados (vasos sanitários quebrados, chão sujo de fezes e papel higiênico usado).

    Isso só mostra que os problemas piores estão em nossa educação, e que infelizmente, não há perspectivas de melhoras…

    PS: Saco pequeno de Ruffles a R$ 8,00 é um escárnio! Deveria ser proibido isso!!

    Abraço!

  • Rodrigo – CPQ

    Ótimo texto, André. Foi citado, inclusive, pelo Mestre Tostão, em sua coluna de hoje. Parabéns!

    Em tempo: é uma pena que seja um baita texto sobre um assunto vergonhoso. Mas assim é o jornalismo… paciência…

  • guilherme pexeiro

    Meus camaradas, temos que nos convencer mesmo que alguns fiquem p…da vida, somos sim pais de terceiro mundo e não estamos distantes de países como, deixa pra lá sem ofender ninguém vamos olhar o nosso umbigo…esta copa do mundo começou errado com o Sr. Lula dando uma de presidente de primeiro mundo e já sabíamos que seria uma roubalheira dos infernos ou não? saúde, educação, segurança pública, reforma política quem precisa disso…e nóis na fita, esfregam as mãos e sorriem, e agora temos um povo acostumados com a anarquia nos estádio, urinando no chão dos banheiros e corredores, cambistas com ingressos caros, flanelinhas de montão, bagunça na venda de ingressos por que? EDUCAÇÃO DO POVO que não temos…e lamentável e só vai piorar…..paguem pra ver.

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