COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

UM GRANDE BRASIL

1 – É isso. O hino nacional que independe da gravação oficial será o vigésimo-quarto jogador da Seleção Brasileira na próxima Copa do mundo.

2 – Neymar cai no primeiro minuto e Sergio Busquets o manda levantar, com um pito. Os dois são companheiros de clube, mas só a partir desta segunda-feira.

3 – Fred. GPS, instinto e recurso. Nada é mais empolgante do que uma decisão que já começa com 1 x 0. Nenhum outro jogador faria o gol que Fred fez. (E ele ainda ofereceu o segundo para Oscar).

4 – É o gol mais precoce que a seleção espanhola sofre em 29 anos. Um gol que tira os campeões do mundo do modo de controle a que estão acostumados. Interessantíssimo e ótimo para o jogo.

5 – Gol de David Luiz. Sensacional intervenção do zagueiro para roubar o gol de Pedro no último instante. A bola estava quicando, David mergulhando, e ele foi capaz de desviá-la por cima. A única falha defensiva do Brasil no primeiro tempo foi corrigida por um carrinho heroico.

6 – Neymar desequilibrante. O passe para Fred, entre os zagueiros, criou o segundo gol brasileiro no Maracanã. Casillas o impediu. Mas nenhum goleiro seria capaz de evitar o chute de pé esquerdo, bruto, no alto. Os espanhóis, futuros companheiros e adversários de Neymar, viram de perto o excepcional finalizador que ele é. Um gol para apresentá-lo aos desligados que ainda não o conheciam, e para ser comemorado por quem duvida dele.

7 – Detalhes do gol: a noção de posicionamento de Neymar, que se percebe adiantado e volta (abandonado por Arbeloa, desatento) para se colocar em condição de receber a bola. E a noção de tempo de Oscar, que segura, segura, e só ativa Neymar no momento adequado. Tudo certo.

8 – No intervalo, os 2 x 0 no placar valem muito. Mas, ainda, menos do que o futebol que os construiu. A pressão sobre a bola atrapalhou a saída espanhola desde a intermediária defensiva. Fred se movimentou e participou das duas dimensões do jogo. Paulinho e Luiz Gustavo trabalharam silenciosamente. A defesa deu aula. E a natureza deu mais alguns saltos com Neymar.

9 – E mais um gol nos primeiros minutos dá outro caráter ao jogo. Fred, com um toque de sinuca, leve e preciso na medida perfeita para encontrar seu destino. Não é mais uma derrota normal para um visitante no Maracanã. É a imposição de um resultado que deve ser processado com certo constrangimento. De três para cima é assim.

10 – Até o pênalti que suavizaria as coisas foi para fora.

11 – A história contará que a invencibilidade de 29 jogos da Espanha chegou ao fim no Maracanã, numa noite em que foi impossível conter o Brasil. O que diz muito, mas muito mesmo, sobre o que a Seleção Brasileira fez neste domingo.

12 – E com olé.

13 – Conclusão: grande atuação, grande vitória, grande ambiente, grande estímulo. Oportunidade aproveitada sob todos os ângulos. Os objetivos que existiam antes da Copa das Confederações foram completados, com o bônus de uma final festiva contra os campeões do mundo. Um ano para lapidar, com seriedade, o que já parece bom.

DOIS TOQUES

FANTASIA

Na tentativa de criar o atrasado “nós contra eles”, tentou-se vender um confronto entre a melhor seleção da atualidade (condição que não se alteraria por qualquer resultado na final da Copa das Confederações) e a seleção mais vencedora da história. Como se o passado e os títulos do Brasil pudessem entrar em campo e enfrentar o presente. Esse tipo de visão trabalha contra a evolução da Seleção Brasileira.

CONFUSÃO

Daniel Alves quer que a imprensa brasileira seja como a espanhola e ame mais sua seleção. É a manifestação de um jogador que não necessariamente entende o papel e a obrigação de jornalistas, e que é produto do ambiente em que vive. Na imprensa esportiva da Espanha – como em vários países onde o futebol é importante – existe um grande contingente de encantados que não estão interessados em fazer perguntas ou críticas. Aqui também. É desse tipo de “profissional” a culpa por conceitos confusos como os expressados por Daniel.



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