COMEÇO DE UMA IDEIA



A vitória da Seleção Brasileira (3 x 0 na Espanha: Fred-2 e Neymar) na final da Copa das Confederações me fez voltar seis anos no tempo, numa viagem até Maracaibo, na Venezuela.

Foi lá que, em 2007, o Brasil comandado por Dunga venceu a Argentina (também por 3 x 0) e conquistou a Copa América. A decisão deste domingo junta-se àquela na lista, curta, de grandes atuações do Brasil nos anos recentes. Voltaremos ao tema mais adiante.

Assim como fez com os espanhóis no Maracanã, a Seleção Brasileira foi quase impecável contra os Argentinos num domingo ensolarado, em julho de 2007. Também marcou no começo – Júlio Baptista, golaço aos 4 minutos – e aplicou uma estratégia extremamente bem sucedida no sentido de anular as virtudes de um time que tinha Verón, Riquelme, Tevez e Messi.

A exemplo do que se viu nesta Copa das Confederações, o Brasil fez, na final, uma partida melhor do que se esperava, muito superior ao que tinha mostrado no torneio.

O time de Dunga (falo sobre todo o período) era qualificado por termos como “moderno” e “competitivo”. Tinha uma defesa excelente, gostava de marcar e era referência mundial em contra-ataque. Ganhou a Copa América da Venezuela, a Copa das Confederações de 2009 e, por 45 minutos, eliminava a Holanda da Copa do Mundo de 2010.

O que houve no segundo tempo é visto por algumas pessoas como um acidente. Para mim, foi a soma dos defeitos de um time que era carente no repertório. De qualquer forma, o ponto aqui não é tratar daquela Seleção, e sim da atual, que venceu os campeões do mundo de maneira indiscutível no Maracanã.

Venceu com uma pressão intermitente e adiantada, com a interrupção dos circuitos mais importantes do oponente, com posse e com aparições decisivas de alguns jogadores.

Venceu uma seleção que estava invicta havia 29 jogos.

Por 3 x 0.

E com olé.

O que sempre me agradou nesta Espanha é como ela vence. Time de jogadores pequenos, bate seus adversários por intermédio de superioridade técnica e estratégica. Acima de tudo, aplica um modo próprio de jogar futebol que é motivo de orgulho e admiração.

É evidente que essa maneira de atuar não foi desenhada simplesmente porque alguém achou interessante. É a ideia de futebol que melhor se adapta às características e qualidades dos jogadores disponíveis. A virtude está em encontrá-la e aperfeiçoá-la. E no fato de ser particular, única. Ninguém no mundo joga desse jeito.

Entendo que escolas de futebol como a brasileira e a argentina devem ser modelos. São países que, historicamente, sempre tiveram o material humano para desenvolver e dar continuidade a uma identidade futebolística. Não gosto quando se diz que a Seleção Brasileira está jogando o tipo de futebol que se pratica em outros lugares. Isso me incomodava no time de Dunga e me incomodará no de Felipão, se ele tomar tal caminho.

Por outro lado, é necessário perceber que o futebol brasileiro não dispõe, hoje, de muitos jogadores que possam sugerir a formação de uma Seleção virtuosa, no aspecto do jogo propriamente dito. Também não dispõe do tempo necessário para construi-la.

É quase que obrigatório procurar a verticalização, a transição em velocidade.

Por isso escrevi, ao comentar o amistoso entre Brasil e Inglaterra, que analisaria a Seleção de Scolari com base no que ela pretende ser. E nessa ótica, a apresentação deste domingo foi realmente digna de elogios.

O Brasil equilibrou a posse de bola com o time que não costuma dividir a bola com ninguém. E marcou de forma tão impetuosa e inteligente, que reduziu os passes certos da Espanha aos menores números desde que o técnico é Vicente Del Bosque.

Mas não foi só isso. Especialmente no segundo e terceiro gols, o talento se fez presente na construção e na finalização das jogadas (escrevo mais sobre elas em minha coluna no Lance! desta segunda, que estará aqui amanhã). Pudemos ver o que se chama de “futebol brasileiro” em meio a conceitos que não são necessariamente nossos, e isso é muito bom.

A Copa das Confederações terminou da melhor forma possível, mas já tinha sido um sucesso em alguns aspectos, entre eles os mais importantes: a existência de um time e a relação torcedor-seleção.

Se Scolari conseguir partir do que vimos neste domingo para uma ideia que mescle a necessidade de “ser moderno” com o “gosto de jogar”, o Brasil terá uma seleção muito forte. Mais, terá uma seleção imprevisível, capaz de atuar e vencer com diferentes roteiros.

Uma seleção com repertório.

Que a formidável vitória sobre a Espanha, num Maracanã belíssimo de ver e ouvir, tenha sido apenas o começo.

______

PS: A “lista de grandes atuações recentes”, mencionada lá em cima, não é longa:

Brasil 4 x 1 Argentina – final da Copa das Confederações de 2005
Brasil 3 x 0 Argentina – final da Copa América de 2007
Brasil 3 x 2 Estados Unidos – final da Copa das Confederações de 2009
Argentina 1 x 3 Brasil – Eliminatórias para a Copa de 2010, em Rosário
Brasil 1 x 0 Holanda – primeiro tempo, Copa do Mundo de 2010
Brasil 3 x 0 Espanha – final da Copa das Confederações de 2013



  • José Guilherme

    Muito importante que Scolari incorpore o moderno com o gosto de jogar, pois dificilmente essa equipe se relaxará como a de 2006 relaxou sob o comando de Parreira. Felipão é bom para esses momentos de oba-oba. Foi assim com Portugal, mas faltou material humano, embora tivesse Cristiano Ronaldo, mas o português ainda era imaturo. Neymar já demonstra uma maturidade absurda para sua idade, e isso é animador.
    PS: Sempre sensato em suas análises. Sou admirador de sua visão sobre o futebol.

  • Fabio Britto

    Você esqueceu:
    Brasil 3×0 Itália, na Copa das Confederações em 2009.
    Brasil 6×1 Chile, na Copa América de 2007.
    Brasil 6×2 Portugal, em amistoso em 2008
    Brasil 4×0 Uruguai, em Montevideo, pelas eliminatórias em 2009

    AK: Só esqueci do jogo no Uruguai. Os outros não merecem entrar na lista. Um abraço.

    • Alexandre

      Também ia comentar deste jogo contra o Uruguai.
      E acho que o jogo contra a Holanda não mereceria estar na lista, pois de nada adianta ser impecável no primeiro tempo e lastimável no segundo.

      AK: Também acho. Por isso só metade entrou na lista. Um abraço.

    • André

      Desse jogo contra o Uruguai, vocês estão considerando apenas o resultado (placar) em si. Me lembro bem desse jogo e o que o Uruguai perdeu de gols não está no gibi. Fora que o Brasil contou com uma tarde super infeliz do goleiro Viera. Não foi uma atuação tão “grande” assim do Brasil, apesar do placar mentiroso.

  • O Brasil foi realmente impecável, que orgulho de ser Brasileiro!

  • Marcelo

    Ótima análise, André. O Brasil fez uma partidaça, sendo inquestionável o papel de Felipão na conquista. David Luiz e Luiz Gustavo foram dois gigantes em campo. A vitória começou ainda na semifinal, quando a Itália bloqueou o “tic-tac” espanhol. Na final, Felipão armou o time para “morrer em campo” se fosse necessário e aí ficou evidente o maior “defeito” da Espanha: a técnica excessiva. Jogadores técnicos raramente tem “pegada”, e foi aí que o Brasil acabou com La Roja. E se a Seleção jogar mais cem vezes contra esse time espanhol da mesma forma que atuou hoje, unindo vontade e qualidade, não vai perder.

    Por fim, só mais um detalhe: a Espanha já chegou ao auge e o Brasil ainda tem muito a evoluir. Isso é animador! E se não temos mais competições oficiais até a Copa, que cada amistoso seja disputado como uma final. Não fará sentido se não for assim. Abraço!

    AK: É tiki-taka. Um bordão de um narrador, nada a ver com o relógio. Um abraço.

  • Emerson Cruz

    O recital de ontem no Maracanã, serviu para demonstrar ao mundo que em 2014(ao contrário de muitos prognósticos anteriores) os anfitriões serão sim, favoritos ao título. Entretanto isto não pode significar aos brasileiros acomodação e mesmo soberba. Há 1 ano até o próximo mundial, a Seleção deve manter a consciência de que ainda não é um time pronto e que ainda existe o que melhorar até a próxima Copa. Mas o Brasil vai mais forte do que se achava até pouco tempo.

  • Roberto

    André, excelente texto como sempre. O que mais me impressionou foi a marcação. Para fazer algo assim (tipo o Bayern contra o Barça) não é só uma questão de vontade, garra… precisa de muita coordenação e treino. Nunca achei que o Brasil encaixaria um jogo assim tão no começo na trajetória da dupla Felipão + Parreira. Acho que vai dar uma oscilada, mas dada a idade do time, o Brasil só melhora daqui pra diante.

    Seria muito interessante ver um texto de bastidores sobre como eles fizeram essa organização, que tipo de treino específico, escolha das peças, orientação, motivacional, encaixe nas peças da espanha (o Iniesta apanhou bastante)… queria ouvir mais o Parreira, eu acho q ele deve ter um dedo (uma mão inteira talvez) no que aconteceu no Domingo. Quem sabe alguém escreve um bom livro sobre isso (tipo o do Pep).

    Grande abraço.

    • Thiago Mariz

      Importante ressaltar algo interessante: o Brasil bateu um bocado, mas em nenhum momento foi desleal. Isso foi bastante positivo, pois foi um time intenso, que bateu o que podia, digamos assim. O Marca deu uma reclamadinha das faltas, porém acho que não houve nada demais. O Brasil foi intenso, físico e isso gera faltas. Natural e sem exageros.

      Iniesta apanhou mais do que o costume, mas o mais interessante é que não houve maldade, deslealdade, só vontade. E isso é digno de nota, pois as pessoas falam do Felipão e sua forma meio ultrapassada de marcar (ao menos até sábado falava-se nisso), mas o Brasil castigou a Espanha de todas as formas possíveis. Foi tão impressionante como o time do Bayern, justamente pelo pouquíssimo tempo trabalhado. Se o encontro serviria como termômetro para o Brasil, percebemos o quanto nosso país é abençoado em termos futebolísticos. Mesmo com essa geração que muitos concordam não ser tão gloriosa como as passadas, temos jogadores capazes de fazer frente à seleção hegemônica atualmente. É impressionante, simplesmente impressionante…

  • Anna

    Foi um jogo extraordinário marcado por emoção e por uma apresentação perfeita da Seleção Brasileira!!! Nem me lembrava desse jogo de 2007. Foi o melhor jogo do Brasil que vi em muito tempo! Muito bonito, mesmo. Temos um time, agora. O que acontecerá em 2014, só Deus saberá, mas deu um gostinho de “quero mais”. Grande abraço e boa semana, Anna

  • Dyl Blanco

    A falta de repertório foi sendo contornada por mudanças pontuais. A mudança mais significativa nessa Seleção Brasileira está sentada no banco de reservas, no humilde banco de reservas. A parceria Felipão/ Parreira é uma jogada de mestre. Parreira tem aguçada visão tática, planeja seus times conforme o perfil do adversário, a custa de muito estudo e observação, qualidade sempre cobrada de Felipão, que tem uma capacidade de motivação, de controle dos jogadores invejável, deficiência clara de Parreira. Essa combinação de determinação e disposição com ocupação e inteligência tática formam uma Seleção muito forte. E o que é melhor, bem próximo da Copa do Mundo, não entregando muito tempo aos adversários para se adaptarem a essa nova faceta do futebol brasileiro. Já deve ter muito técnico estrangeiro pedindo aumento em seus salários para compensar as muitas horas extras que serão obrigados a cumprir para nos enfrentar.

  • Rapaz, ontem deu gosto de ver, hein…

    Das listas sua e do Fábio, os únicos jogos que considero são as vitórias em Rosário e Montevidéu, sobre Argentina e Uruguai, respectivamente. São as duas grandes atuações brasileiras que me lembro nos últimos anos.

    Sobre a opinião do Marcelo (“E se não temos mais competições oficiais até a Copa, que cada amistoso seja disputado como uma final.”), eu discordo. Acho que os amistosos devem servir para o treinador testar mais variações táticas, alguns jogadores para fechar o grupo, além da reação da seleção a outras situações, como levar um gol primeiro, por exemplo. Ou seja, simular situações de jogos “oficiais”, onde, aí sim, devemos disputar cada um como uma final.

    E como bem disse a Anna: “Temos um time, agora.”

    Abraço!

  • fabio

    AK, quanto ficou a posse de bola?

    AK: Pela Fifa, Espanha 53% a 47%. Um abraço.

  • Marcos Nowosad

    Em minha modesta opiniao, eu nao incluiria o jogo Brasil 3×2 Estados Unidos (2009) como grande exibicao da selecao brasileira na historia recente.

    Por 3 razoes:

    1) Grande diferenca tecnica entre os 2 times. Os Estados Unidos e’ um adversario modesto e sem tradicao. Perder para o time americano em uma competicao oficial seria uma zebra historica.

    2) Exibicao ruim do time brasileiro no primeiro tempo (Estados Unidos 2 x 0)

    3) Exibicao apenas razoavel do time brasileiro no segundo tempo. Estados Unidos se “assustou” com o gol no primeiro minuto do Luis Fabiano e assumiu o “complexo de vira-lata” que acomete selecoes do “Terceiro Mundo” do futebol quando enfrentam o Brasil.

    AK: Os EUA tinham um time que marcava muito bem. Com 2 x 0 contra, virar o jogo era muito difícil. Um abraço.

  • toim

    Nunca deixei de acreditar no Brasil, existe duas maneiras de jogar futebol, o brasileiro e o resto e, o nosso é muito melhor, como disse o AK, em razão de ser imprevisivel. Desde quando ainda não ganhava nada, o futebol brasileiro já era o melhor do mundo, quando organizou deu nisso… Brasil o melhor futebol do mundo, sempre!!!

  • Bruno

    Chute: vc vai falar de como Oscar e Neymar “se ajeitaram” para que o gol fosse “validado”.

    Em tempo: na falta de planejamento de quem está lá cima, vejo a seleção cada vez mais em torno da idéia de entrega total – a qual todos nós exigimos – aliada a esta, ainda existente, propensão a gerar craques “brutos”, ao invés da lapidação que, pelo que acompanho daqui, existe lá fora.

  • Fala André!

    Pegando carona no resultado do jogo, um amigo meu jornalista do Estado postou este link, que é de um amigo dele. Vale a pena a leitura. Ótimas risadas com o tema!!

    Depois me fala se não é realmente engraçado! Eu apoio a teoria!

    http://leorossatto.wordpress.com/2013/07/01/a-teoria-senna-santana-de-inversao-da-polaridade-do-futebol-mundial/

  • Juliano

    Que abordagem excelente, AK! E é isso mesmo!

    AK, teremos as notas do jogo final?

    Meu humilde balanço destes últimos jogos: faltou Oscar (não me importa se estava cansado, não era o único), apesar de gostar muito dele. Perdeu um gol feito dentro da área na final. Fred perdeu outro. Ambos, passes de Neymar. Se Fred matasse, poderia ter saído com hat-trick. Pelos gols perdidos, e em 2 contra-ataques puxados por Neymar, a sensação é que ficou barato para a Espanha, apesar do penalti perdido, do gol salvo por David Luiz e de uma bela defesa de Júlio no segundo tempo.

    Tive a impressão é que a Espanha estava entregue. Poderia haver marmelada? (daquelas teorias conspiratórias clássicas, ainda mais no momento de manifestações do país, é um prato cheio). Talvez não, e o mérito tenha sido a entrega dos jogadores, se posicionando num 4-4-1-1 sem a bola, com atuação monstruosa de Thiago e David na zaga. O time todo estava com muita gana. Desde o hino, que já virou marca registrada.

    Acho que LFS deve repensar Daniel Alves. Ainda acho que no ataque ele e Hulk se confundem e disputam aquela faixa do campo, onde deveriam compartilhar com harmonia. Enquanto isso, Marcelo participou de gols e de outras ações ofensivas, em harmonia com Neymar por aquele setor.

    LFS deve repensar também um meia clássico, para lhe aumentar o leque de possibilidades. Gostei de ter colocado Jádson na final, demonstração de respeito. E este fez o que dele se esperava nos minutos que teve oportunidade. Não precisa ser Kaká, nem Ronaldo Assis. Pode ser DANILO. Eu iria de Alex, sem medo, mas não vai rolar. Alguém acredita ainda em PHG? Com a conquista do título, a formação da tal “família”, fica mais difícil conseguir entrar em um grupo tão bem amarrado.

    Deveria repensar ainda se Lucas pode ficar os 3 útimos jogos no banco – alguém sabe de alguma informação de algum acontecimento extraordinário para tal? Indisciplina, falta de rendimento, alguma coisa? Com um time verticalmente fatal com Neymar, com Lucas poderia ser ainda mais agudo. Não precisa entrar no lugar do Hulk, que deu passe para 2 dos 3 gols.

    Consolidação de ótima fase de Paulinho, Neymar e Fred. Com zaga tão sólida, a espinha está formada. É um time pra lá de competitivo, apesar do meio-campo sem criação no ataque e com excesso de ligação direta.

    Curiosidade extra: AK, assistiu no estádio ou na tv? Se foi no estádio, como foi a sensação desde o hino? Andei lendo relatos pra lá de emocionados.

    Abraço!

    AK: Vi o jogo na tv, pois tinha de escrever durante e prazo justo. Não fiz as notas da final, justamente por causa da coluna. Um abraço.

  • Rita

    Maracaibo… Efeito Weggis, nada de programas esportivos, nem telejornais, o blog me bastava. E foi massa!

    De fato, a vitória de ontem lembrou aquela sobre a Argentina.
    Respeitoso mas ciente de sua história, vencer merecidamente os favoritos, não tem preço!

    Parabéns a todos, especialmente ao Júlio, Paulinho, Oscar, Neymar e Fred. E terei de engolir Scolari até a Copa…

    A torcida foi digna de nota.

  • Felipe dos Santos Souza

    Caro André: sobre você considerar o segundo tempo de Brasil x Holanda a soma dos defeitos que aquele time tinha, concordo discordando. Explico: é isso mesmo, mas acho que os defeitos não teriam sido mostrados caso não houvesse a infelicidade de Júlio César e Felipe Melo, no gol de empate. Aquilo foi o estopim. Enervou o time. Mostrou a falta de alguém que acalmasse os jogadores. Mostrou a falta de opções para mudar o jogo.

    E aí, claro, méritos à Holanda (que são injustificadamente tirados dela). Há muitos times que não aproveitam elementos favoráveis que surgem no decorrer do jogo para vencê-lo. O time holandês aproveitou – claro, auxiliado pela performance inspiradíssima de Sneijder.

    Sobre domingo: particularmente, reforcei a ideia que tenho. Se souber somar elementos modernos ao que você chama de “ser um modelo”, a Seleção Brasileira é e sempre será favorita a vencer qualquer time, em qualquer situação.

    Abraços a você e a todos.

  • Paulo Pinheiro

    Sempre tive reservas ao que considero excesso de elogios a certos jogadores ou times. Quanto à Espanha, concordo que é uma equipe da qual é muito difícil tomar a bola. Sua troca de passes por vezes deixa o adversário até tonto. Parece que o campo virou uma grande quadra de futsal. Mas também sempre achei que a forma que os adversários perdem a bola pra eles vem mais do nervosismo (talvez justamente pelo status alcançado pela Fúria) do que por qualidade da marcação dos espanhóis. Sempre achei que o time que a enfrentasse sem tanto “respeito” causaria problemas e poderia, sim, vencê-la. O Brasil – com a autoridade de uma torcida que exerceu muito bem o seu papel – fez isso e o resultado foi o que vimos. Nem a qualidade do excelente Iniesta (craque, sem dúvida alguma) foi suficiente.

    É mister, no entanto, reconhecer que o árbitrou pipocou em momentos que os brasileiros mereciam sim o cartão amarelo. A expulsão do Piqué foi perfeita, não havia outra decisão a tomar. Mas houveram realmente ainda no primeiro tempo faltas dos nossos jogadores puníveis com amarelo que passaram em branco. Será que poderíamos marcar com o mesmo ímpeto com jogadores pendurados?

    Nada que lance dúvidas sobre a vitória. Talvez sobre o placar…

    • Marcos Nowosad

      Arbitro “pipocar” em relação ao time da casa faz parte da “vantagem” que o Brasil terá em 2014. Historicamente, acontece em quase todas as Copas.

      Talvez com exceção de 1998, onde a França foi vítima de 2 expulsões rigorosas (Zidane e Blanc).

      Não é justo, claro. Mas os adversários do Brasil vão ter que aprender a lidar com esse fator na Copa do Mundo.

  • Sandro Melo

    André vc esqueceu de acrescentar a goleada histórica que a Seleção Brasileira aplicou no Uruguai em Montevideo, pelas eliminatórias em 2009, por 4 a 0. Acredito que o Felipão conseguiu dar um padrão de jogo para os Canarinhos, como marcar sobre pressão já na defesa do adversário, como a Espanha faz com perfeição! Que essa vitória histórica sobre a Espanha, na final da Copa das Confederações seja o começo de uma nova era da nossa Seleção e ainda não vencemos nada, apenas o começo de uma batalha. Que em 2014, o Brasil consiga vencer os 7 jogos e se tornar Hexa. Resta saber como os jogadores irão chegar, após o término da temporada 2013-2014, daqueles que jogam na Europa.

  • Ailton

    Caro Andre
    Não consigo entender, das melhores partidas da Seleção de 2005 a 2013 de 7, 5 são da era Dunga, dos 23 convocados em 2010, somente 6 não participaram em nenhuma dessa 5 partidas.
    Não entendo como poderia ser um time carente no repertório, tendo apresentações memoráveis. Você poderia me explicar?
    2007 – BRASIL 3 x 0 ARGENTINA
    Doni, Maicon, Alex, Juan e Gilberto; Mineiro, Josué, Elano (Daniel Alves) e Julio Baptista; Robinho (Diego) e Vagner Love (Fernando)
    2009 – EUA 2 x 3 BRASIL
    Júlio César; Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos (Daniel Alves); Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Elano) e Kaká; Robinho e Luís Fabiano
    2009 – Uruguai 0 x 4 Brasil
    Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Juan e Kléber; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Ramires ) e Kaká (Júlio Baptista); Robinho (Josué) e Luís Fabiano.
    2010 – Argentina 1 x 3 Brasil
    Júlio César; Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Daniel Alves) e Kaká; Robinho (Ramires) e Luís Fabiano (Adriano)
    Brasil 1 x 0 Holanda – primeiro tempo, Copa do Mundo de 2010
    Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto Silva e Felipe Melo; Daniel Alves, Kaká e Robinho; Luís Fabiano (Nilmar),
    12 Doni, 14 Luisão, 15 Thiago Silva, 17 Josué, 18 Ramires, 19 Júlio Baptista, 20 Kléberson, 22 Hélton, 23 Grafite, 7 Elano, (machucado)

    AK: Posso te explicar, sim. Primeiro, são poucas partidas memoráveis num período de quatro anos. Depois, e mais importante, pois é aí que está a carência de repertório: era um time que só sabia vencer de um jeito. Veja que, nessa lista de jogos que ficaram na memória, só há um em que o time tenha conseguido uma virada. Talvez aí esteja uma das razões do descontrole contra a Holanda, logo depois do empate. Um abraço.

    • Ailton

      Tudo bem André. Mas se um time só sabe vencer de um jeito é porque ele consegue impor o seu estilo ao adversário, ex. Barcelona, Espanha e o Brasil saiu com 1 a 0. Na minha opinião o descontrole surgiu mais de uma pressão desnecessária da mídia esportiva

      AK: Se você acha que o Barcelona e a Espanha só sabem vencer de um jeito, não está prestando atenção. Mas nada em seu comentário é tão ficcional do que “o descontrole surgiu mais de uma pressão desnecessária da mídia esportiva”. Tal afirmação é verdadeiramente surreal. Um abraço.

  • AILTON

    sobre o treinador. O Zagallo quando levou o Ronaldo em 1994, o Ronaldo tinha sido campeão da Copa do Brasil: 1993 e Mineiro: 1994 e feito 12 gols na Supercopa Libertadores de 1993. Você levaria o Neymar e colocaria no Brasil e Holanda de 2010? Não esqueça que o Ronaldinho Gaúcho estava fora de forma e o Adriano que seria o centroavante tinha seus fantasmas,

    AK: http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/2011/07/22/camisa-12-57/
    Um abraço.

    • Ailton

      Prezado André
      Por te lido esta matéria sua na época e acompanhando o seu blog, que achei um pouco incoerente da sua parte afirmar que “soma dos defeitos de um time que era carente no repertório”. Eu falei que eles impõem o seu estilo. Quem fala que o Barcelona e a Espanha só jogam de um jeito não sou eu são vários comentaristas renomados que dizeram que a Era do Barcelona acabou quando perdeu Bayern e a Espanha que quando quase perdeu para Itália e agora para o Brasil não é mais o bicho-papão.
      Anota aí a Seleção a ser batida em 2014 será Alemanha de Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger, Mario Götze, Toni Kroos e Thomas Müller todos titulares do Bayern.
      Um grande abraço

      AK: Desculpe, seus conceitos sobre futebol estão confusos. Minhas opiniões a respeito do time de Dunga permanecem as mesmas, não há incoerência no que escrevi. Na coluna mencionada e em outros textos publicados no blog, está claro que eu teria levado Ganso e Neymar para a Copa, justamente por causa da falta de repertório. E nada do que estamos discutindo tem a ver com quem será a seleção a ser batida em 2014. Um abraço.

  • Ailton

    Prezado André
    Falar de 2014, foi um pouco em respeito a sua pessoa e por achar que as nossas opiniões sobre a Seleção do Dunga são diferentes e não chegaríamos a lugar nenhum. Não vou querer que você mude de opinião, mas se eu fosse treinador não levaria jogadores de 17 e 19 anos que não havia sido testado ainda. Uma Copa do Mundo não é um campeonato Paulista. Pelé estreou em 1957 e Ronaldo ficou em terceiro lugar na artilharia do campeonato Brasileiro e artilheiro da Supercopa Libertadores em 1993, mesmo assim com a seleção pragmática de Parreira, ele não jogou uma partida sequer e com um meio de campo com Dunga, Mauro Silva e Mazinho, poderia ter um ataque de Romário, Bebeto e Ronaldo. Se você levasse Neymar e Ganso e o colocasse naquele jogo e Brasil tomasse uma goleada histórica, você seria considerado um irresponsável e teria queimado duas promessas. O se não joga e como você disse anteriormente era uma seleção que sabia ganhar de um jeito e até aquele momento era o suficiente, então me desculpe, respeito muito a sua opinião, mas levar Ganso e Neymar e achar que mudaria o repertório é jogar com o se. Não esqueça que o mesmo Ganso e Neymar ficaram abobados vendo o Barcelona jogar e por isso o Santos levou um vareio histórico numa final de Mundial Interclubes. Um forte abraço, continuo fã dos seus comentários

    AK: Não há problema algum em termos opiniões diferentes. Há todo problema em você ver incoerência da minha parte, onde não há. A coisa não é tão complicada: se houvesse jogadores no banco de reservas que pudessem tentar algo diferente, talvez o jogo contra a Holanda terminasse de outra maneira. É apenas isso. Um abraço.

    • Ailton

      Este é o problema André, os jogadores que poderiam está no banco ou até mesmo jogando, naquela época ou estava em má fase ou tinha problemas pessoais ou eram muito novos e não tinham passagem na seleção principal, é aí que eu vejo que há pouco de incoerência da sua parte. Eu não levaria o Kleberson e o Julio Baptista, poderia levar o Ganso, mas não levaria o Neymar por inexperiência e não ter maturidade física ou você acha que ele encontraria os corredores entre meio de campo e defesa que se encontram no Brasil. Vamos analisar o Se, jogando certinho como estava jogando a seleção se o Elano não se machuca o Brasil poderia ser campeão, pois tinha um time bem armado na defesa e tinha uma excelente saída pelo lado direito e tinha conjunto. Digamos se os 2 estivessem lá, tira Felipe Melo ou Kaká coloca o Ganso e tira Robinho ou Luís Fabiano coloca o Neymar. Holanda faz 4, 5 ou 6. Você não entra mais no Brasil. Digamos que aconteça o improvável, Brasil ganha de 3 a 2 ou empata e vence nos pênaltis. Analisamos a 2a opção, Ganso e Neymar até abril de 2010 não tinha sido ainda campeões como profissionais e nem tinham disputado uma final. Ganso não foi bem na sub20 e Neymar não foi bem na sub17 no mundial da categoria em 2009. Pergunto a você jogadores que não fazem diferença 6 meses antes na seleção de sua categoria, não ganharam nenhum título nem disputaram decisão, o que faria você acreditar que estes jogadores poderiam fazer algo diferente? Você apostaria suas fichas nesses jogadores com este histórico ou sem histórico? É uma Copa do Mundo não é um campeonato paulista. Se jogadores mais experientes sentiram o peso de disputar uma copa do mundo. Imagine dois jovens que até 6 meses atrás um não passou da 1a fase na sub17 e outro foi vice-campeão na sub 20, mas ficou a maior parte do campeonato na reserva

      AK: Não se trata de “apostar fichas”. E estas não foram as razões pelas quais eles não foram convocados. Foi porque Dunga “fechou” o grupo. Um abraço.

  • Ailton

    Um forte abraço

  • Ailton

    Caro Andre
    Só a ultima pergunta, as razões acima não são o suficiente para não convocar um jogador?
    Um forte abraço

    AK: Não creio. Elas não invalidam a possibilidade de contribuição deles. Ademais, como já disse, eles não foram convocados por outro motivo. Um abraço.

  • Ailton

    Tudo bem André. Mudando de assunto como você analisa que os 5 jogadores que mais despontaram na copa das confederações, sendo 3 titulares: Neymar, Paulinho e Fred e 2 reservas: Jo e Bernard (sua entrada foi mais comentada do que a do Lucas) jogavam no país?

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