COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O JOGO E A TAÇA

“Agora estamos diante do desafio de um título que não temos, de jogar no Maracanã, e a oportunidade de enfrentar o Brasil. Tenho 123 (atuações pela Espanha) e nunca joguei contra o Brasil!”

A declaração de Xavi ao jornal espanhol El País, trecho de uma entrevista concedida há dez dias, é um bom resumo de como os jogadores espanhóis enxergam o encontro com a Seleção Brasileira, na final da Copa das Confederações. Antes mesmo de o torneio começar, um das referências da seleção campeã do mundo e bicampeã da Europa já falava em título, Maracanã e Brasil. Todos os “desejos” de Xavi se reunirão amanhã, a partir das 19 horas.

Esta edição da Copa das Confederações era mais importante para a Seleção Brasileira do que para os outros participantes. Em casa e em construção (sem trocadilho com o nome da loja de materiais), o torneio significava uma etapa central no apressado processo de formação de grupo e de uma ideia de jogo a um ano da Copa do Mundo. Os dois objetivos parecem atingidos.

Mas o título deste ensaio para o Mundial é mais valioso para o lado vermelho da final deste domingo. O Brasil venceu as duas últimas edições do torneio, enquanto a Espanha, nos anos recentes, ganhou todos os troféus menos o que estará em disputa no novo Maracanã. Esta maravilhosa geração de jogadores deve chegar à Copa do Mundo do ano que vem, mas não terá outra chance de conquistar a Copa das Confederações e completar a galeria de títulos referentes ao período mais rico da história do futebol espanhol.

Orgulhosos do que fazem, e de como fazem, os espanhóis vieram ao Brasil para viver um dia como o de amanhã. A Seleção Brasileira do outro lado de uma decisão, num estádio icônico, é exatamente o que eles queriam. E que não se confunda – pedido inútil, sabe-se – o cenário imaginado por Xavi e seus companheiros com despeito ou arrogância. Ao contrário, é respeito e elegância: a ilusão de uma conquista que seja repleta de significado.

Se os jogadores da Seleção Brasileira não pensam de forma semelhante, deveriam. Nada poderia ser mais interessante do que encarar a melhor seleção dos últimos tempos no jogo final. Mesmo porque o resultado importa menos do que o desempenho. Medir-se com o que há de mais alto ajudará a revelar a real estágio do time no aspecto do jogo, não necessariamente do placar.

Se o Brasil ganhar – e é evidente que pode ganhar – a partida, o título será o encerramento ideal de um torneio que, de certa maneira, já foi conquistado. Antes, não havia um time. Independentemente de opiniões favoráveis ou contrárias, agora há. Também não havia uma relação próxima com o torcedor no estádio, o que pôde se verificar nas últimas quatro apresentações da Seleção. E obviamente não havia a experiência de enfrentar adversários de alto nível, jogando no Brasil, algo que será muito útil no ano que vem.

Se a Espanha ganhar, será normal. Reflexo da idade e da qualidade dos trabalhos. E nada do que está escrito no parágrafo acima deixará de ter validade.

IDEIA

O que seria equivalente a uma vitória para a Seleção Brasileira: enfrentar a Espanha futebolisticamente, no sentido de apresentar argumentos de jogo em resposta ao que o oponente oferecer. E que esses argumentos estejam diretamente ligados ao resultado. Esperar, especular e apostar no erro para tentar vencer é algo que teria pouco valor.

UM JOGO

Por estilo e adaptação às condições (um dia a menos de intervalo e uma viagem mais longa), espere a Espanha investindo na posse defensiva e num jogo mais lento do que a Seleção Brasileira deseja. Espere vaias ao “jogo chato”. E dependendo do desfecho, espere “entendidos” desmerecendo o currículo espanhol.

REFERÊNCIA

Último jogo para valer da Espanha antes de vir ao Brasil: França, em Paris, pelas Eliminatórias Europeias. O adversário era pior do que a Seleção Brasileira, mas o ambiente era semelhante. Vitória por 1 x 0.



MaisRecentes

No banco



Continue Lendo

É do Carille



Continue Lendo

Campeão de novo



Continue Lendo