COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PARA BUFFON, COM CARINHO

Foi a combinação de dúvida e insegurança que já traiu tantos e tantos goleiros. A falta perto da área exigia a escolha de um dos cantos para ser protegido. A posição da bola e a característica do batedor, destro, facilitaram a opção de Gianluigi Buffon: fechar seu lado direito com a barreira e cuidar pessoalmente do outro.

Barreiras são como sistemas de segurança. Não garantem que o roubo não acontecerá, mas impõem dificuldades ao ladrão. A escolha de Buffon apresentou um dilema a Neymar. Se buscasse o canto onde o goleiro não estava, o jovem craque teria de fazer a bola passar por cima do biombo. A proximidade (a um passo da linha da grande área) tornava difícil uma batida que reunisse as qualidades necessárias – força e precisão – para fazer o gol. Se quisesse evitar a barreira, Neymar teria de chutar a bola exatamente onde Buffon a aguardava.

A mensagem do experiente goleiro italiano era direta: “chute aqui”. Era o máximo que ele poderia fazer. A angústia de todos os arqueiros reside no fato de não saber o que acontecerá, é o batedor quem decide o destino da bola. Todo blefe carrega o desafio de conviver com o risco.

Muitos goleiros não suportam a ansiedade e dobram a aposta. O medo de levar o gol no canto da barreira gera o impulso de tentar trapacear a sorte e terminar por cometer o pior dos equívocos: um passo para o meio no instante da batida, medida desesperada para alcançar o lado desprotegido. Ao duvidar da própria decisão e entrar no jogo de adivinhação com o batedor, o goleiro começa a trilhar o caminho que o amaldiçoa.

É surpreendente que Buffon, consagrado e admirado, tenha se colocado em tal situação. No momento do apito, Neymar já tinha se decidido. Sua resposta ao enigma era, não por acaso, a mais ousada entre as alternativas possíveis: obrigar um dos maiores goleiros do mundo a digerir um gol de falta em seu próprio canto. A resposta de Neymar para o “chute aqui” seria um “toma”.

A posição da barreira oferecia uma visão clara do canto que Buffon guardava. Como não era necessário encobri-la, a chance de uma batida forte atingir o alvo era maior. O plano de Neymar tinha duas etapas: primeiro, superar Buffon no teste de malandragem. Depois, batê-lo tecnicamente.

A cobrança foi impecável. Por fora da barreira, numa linha direta com a rede lateral. Não seria uma defesa fácil, mas Buffon provavelmente teria chance se não tivesse se movido para o lado errado. Na fração de segundo em que tudo aconteceu, o som do contato entre a bola e a rede o puniu com uma dose extra de constrangimento. Ele nem estendeu o braço.

O gol que Neymar “devia” a seus críticos – contra um grande do futebol mundial – está pago. Com a técnica que corre em seu sangue e o diploma dos que se formam em campo, precoces na idade e maduros no talento.

Um goleiro como Buffon não deveria levar um gol assim, ferida que ele terá de tratar. Mas a noção de que não será o único há de consolá-lo e prepará-lo para o próximo encontro. Haverá vários.

CLÁSSICO

Tão importante quanto a vitória sobre os vice-campeões europeus (registre-se, pois até bem pouco tempo atrás se cobrava algo assim) foi a atuação formidável de Fred. Não apenas por ele, que já começava a sentir saudades do gol, mas porque o sistema com centroavante de referência é a opção principal da Seleção Brasileira. Fred fez tudo o que se pede a um 9, e mais.

SONHO

A Espanha veio ao Brasil para conquistar um título que falta à atual geração, e para viver experiências inéditas, como jogar no Maracanã e enfrentar a Seleção Brasileira. Se tudo correr sem surpresas nas semifinais, a decisão da Copa das Confederações reunirá os desejos dos espanhóis em um jogo só. Seria um encontro maravilhoso.

FOLGA

Espanha e Uruguai chegam às semifinais em vantagem física. Fizeram apenas dois jogos, enquanto Brasil e Itália fizeram três. O Taiti não conta.



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