COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

COMEÇO

1 – A Copa das Confederações começou com o hino nacional. Menos pela música, mais pela emoção. Emoção que se apoderou de Julio César, um goleiro acostumado a esses momentos, e revelou algo diferente. É interessante perceber como essa novidade – um torneio desse nível em nossos estádios – se reflete nos jogadores brasileiros.

2 – A Copa das Confederações também começou com um gol de sonho. Pela estética e pelo autor. Neymar, aos três minutos. Um gol para declarar o torneio aberto para aplausos, ao contrário do que se deu com Dilma e Blatter, vaiados. Neymar queria fazer exatamente o que fez, e como fez. A maneira como ele ajeitou o corpo para bater na bola é o sinal de grandeza. Confiança e talento.

3 – A Seleção Brasileira respirou fundo e acertou a frequência cardíaca. Como no primeiro quilômetro de uma longa corrida, os passos e o fôlego entraram em sincronia. Um gol no início, ainda mais na estreia, tem esse efeito.

4 – O papel esperado para os japoneses, desorientados pelo fuso horário como deveria estar quem jogou no Catar na terça-feira, era fazer uma reverência e aceitar que a sorte estava decidida. Mas japoneses não são assim.

5 – Jogo controlado pelo Brasil, mas equilibrado pelo Japão, que incomodou em pontadas não muito frequentes, especialmente em cruzamentos. Fred teve um gol roubado pelo goleiro japonês, jogada em que fez tudo certo, do domínio ao chute. Kawashima fez melhor.

6 – Parênteses para Luiz Gustavo. O torcedor pode não vê-lo em campo, por causa da discreta eficiência de seu trabalho. Mas o time adversário o vê, e certamente não gosta. Ele é o viabilizador, o que possibilita muito do que seu time faz. Nenhuma grande equipe – algo que o Brasil ainda não é – vive sem um jogador assim.

7 – Mais parênteses, agora para Hulk. A combinação de vigor e dedicação é suficiente para que ele tenha a simpatia do técnico. O chute de perna esquerda, forte e preciso, completa o pacote que ele oferece. Mas Hulk leva algo mais para o campo: a noção de que, por algum motivo, será mais cobrado do que outros.

8 – Paulinho, 2 x 0. O domínio e o giro na área, rápidos, são próprios de jogadores que não precisam atuar longe do gol. Mas Paulinho faz a dupla função parecer simples. Um pouco de humor, nada mais do que isso: Scolari pode estar descobrindo que volante goleador também é bom para o técnico.

9 – O terceiro gol, já com três atacantes na variação treinada nos últimos dias, mostrou que vale a pena ver partidas até o final quando jogadores como Oscar estão em campo. Um presente para Jô aumentar o saldo, pois nunca se sabe quando as contas serão necessárias.

10 – Gramado ruim. Observação obrigatória.

11 – Conclusão: o gol e a atuação de Neymar foram os pontos altos de uma vitória que não pode gerar alta dose de empolgação. Adversário inferior e debilitado. Algumas associações já são visíveis, como Marcelo-Oscar-Neymar. E Dani Alves-Hulk, ainda com certa timidez. A Seleção Brasileira parece uma obra com evolução planejada e cronograma a cumprir.

CARAPUÇA

Dilma Rousseff não apenas permitiu a aproximação de José Maria Marin, que ficou a seu lado no Mané Garrincha, como se confraternizou com o presidente da CBF ao encontrá-lo. Mais um motivo para que as vaias que tomaram conta do estádio tenham sido merecidas. Políticos tradicionais e políticos do esporte têm vida dura nesse tipo de situação, diante de tanta gente. Não é por outro motivo que Ricardo Teixeira as evitava.

PALMATÓRIA

Joseph Blatter também mereceu a reprovação popular, mas o presidente da Fifa já deve estar acostumado. Surpreendente a petulância do cartolão suíço ao dar um pito no público que se manifestava. Blatter perguntou onde estava o fair play. Temos muitas perguntas para ele, se houver interesse em respondê-las.

ATRASO

Em São Paulo, em Brasília e no Rio de Janeiro, a polícia militar foi ao ataque. Carência de neurônios.



  • Mario

    acredito q o Blatter pensou q o povo seria igual a Dilma e o Aldo Rebelo q dizem amen a tudo q ele pede.

    a Dilma merece as vaias como tambem não merece o meu voto , pena q não tenhamos um bom candidato a presidencia ano que vem.

  • Emerson Cruz

    Estou gostando de muita coisa que estou vendo nestes dias. Gostando de algumas evoluções do time do Felipão, assim como gostei do futebol da Itália, e óbvio, da Espanha.
    Acima de tudo, estou adorando a reação popular, protestando, ainda que tardiamente, contra uma porção de mazelas causadas por quem detém o poder. O 17 de junho de 2013, já é uma data inesquecível.

  • Anna

    Eu daria nota oito à seleção. Gostei muito de Neymar, Oscar, Hulk e Luiz Gustavo. Só pude ver a reprise quando todos já tinham dado seu veredito. A apresentação me surpreendeu muito. Felipão recolocou a seleção em viés de alta! Grande abraço

  • Josenílson

    André, ótima análise, parabéns! Esperamos que este “animal” já esteja completamente evoluido na Copa 2014. Acredito que mais uns 3 ou 4 amistosos, depois das Confederações, contra grandes equipes serão de grande valia.
    Em tempo: Não esperava uma vaia tão sonora, porém eu iria vaiar o Blatter de qualquer forma. Já tinha decidido isso. Quando ele perguntou pelo fair play, eu pensei em pergunta-lo onde ele guarada os milhões de dólares que certamente tem.
    Abraço,

  • Cleibsom Carlos

    Sem querer ser do contra, mas a seleção brasileira jogou um futebol sofrível sábado. Algo tão feio e horripilante que me assustou!!! Estas manifestações também deveriam ser contra a crônica esportiva. Assim como os políticos que perderam o compromisso com os eleitores, só quem perdeu a noção da realidade pode elogiar esta seleçãozinha pequena. A insatisfação da torcida era evidente no estádio após o jogo mesmo após o “elástico” placar. Respeito todas a opiniões, mas é brincadeira elogiar a seleção pelo futebol que jogou contra o timeco do Japão.

    AK: É isso. Estamos brincando aqui. E realmente precisávamos de um comentário como o seu. Um abraço.

    • Cleibsom Carlos

      AK, não se iluda com os comentários postados aqui que concordam contigo. A maioria absoluta da torcida brasileira achou o futebol da seleção apresentado sábado sofrível. Eu estava lá e a melancolia no estádio após o jogo era evidente. Assim como o Neymar, não adianta a seleção ser festejada na mídia e não jogar nada em campo. Nesse caso a decepção se multiplica!!! Não vai ser com aquele tipo de jogo que o torcedor será reconquistado! Mas eu entendo…Assim como os políticos, a maioria daqueles que escrevem nos jornais parece que vive em um planeta particular! Mas aguardemos: nada melhor do que ter nossas convicções desmentidas pelos fatos.

      AK: Vivemos num planeta particular, constantemente visitado por sábios. Um abraço.

      • Cleibsom Carlos

        Ak, não me inclua neste rol de sábios…Na verdade eu sou um ignorante porque, pelo menos no que se refere ao jogo de sábado, não tive sua inteligência para captar tamanha evolução da seleção brasileira. Eu estava no Mané Garrincha mas eu e toda a torcida quando ensaiamos uma vaia devido aquele triste espetáculo foi por não termos a sua percepção…Você é um visionário e merece os meus parabéns!!!

        AK: O que lhe faltou foi compreender o que está escrito. Por isso você alterna entre o nonsense e a ironia. Ficamos por aqui, ok? Um abraço.

        • Cleibsom Carlos

          Claro…Um abraço para você também!!!

          AK: É bem melhor assim. Obrigado.

      • Alisson Sbrana

        Não sei qual o instituto que o comentarista usou para tirar o dado genérico de que “a maioria absoluta” achou o futebol “sofrível”. Também não entendi porque ele falava que “os protestos deveriam ser também contra a crônica esportiva”. Pelo menos eu não consegui ver no texto nada além de constatações sobre lances importantes e evolução de jogadores… Não vi juízo de valor sobre o “futebol” aparentado. Mas posso ter lido errado também. Se bem que, já vi tanta coisa nesses protestos que não duvidaria se, nos próximos, faixas sejam erguidas contra os jornalistas que cobrem esportes.

        Também estive no jogo e minha percepção foi, curiosamente, bem diferente “da imensa maioria”, diria Cleibsom Carlos. Meus ouvidos também não estavam afinados com os habitantes do planeta terra presentes no jogo. Ouvi vaias pontuais, mais no 1 tempo, por conta de recuo, ou por causa do Lucas no banco.

        Alias, não achei merecidas as vaias. Não que estivesse tudo lindo (pessoalmente, não gosto do “estilo” felipão), mas num jogo de estréia, de time em formação, esperava um pouco mais de paciência dos extraterrestres.

        (Cabe uma metáfora cinematográfica aqui, com esse papo de “planeta particular” e “melancolia”, que amigo afirma ter sentido depois de um jogo de 3 gols, sendo um nos acréscimos, não? Será que ele viu o filme do Lars?)

        Enfim, AK, cuidado com os protestos. Abraços.

        • Alisson Sbrana

          (Perdoe alguns erros de digitação… Escrevo muito errado, mas o corretor do celular ajuda um bocado na confusão. Ex: aparentado = apresentado… Nem vou ler o resto).

  • Teobaldo

    Assisti a transmissão do jogo sem o áudio (acreditem, é muito chato; por mais irritante que sejam o narrador e os comentaristas, não façam isso!) tentando ver apenas o que a Seleção Brasileira produziu e não o que eu queria que ela produzisse. Sinceramente, achei pouco e fiquei com a nítida sensaçao de que aquele gol no início tirou o time de uma enrascada. O que interpretei do jogo é quase surreal se comparado com o que ouvi após colocar o som. O texto deste post parece-me mais próximo da realidade, principalmente onde se lê “Jogo controlado pelo Brasil, mas equilibrado pelo Japão,”. Um abraço!

    • Alisson Sbrana

      É. Isso mesmo. Estive lá. Jogo não foi uma maravilha. O Neymar foi, no gol e em vários lances. Mas foi melhor do que esperava. Acho que o futebol dessa seleção não vai ser nunca exemplo de beleza. Mas acho que será competitivo na copa, se mantiver a tranqüilidade. E Neymar e Oscar, Marcelo e Lucas (quem sabe um Gaúcho pra opção de segundo tempo já que o Jadson não deve ter confiança do treinador, ou já teria jogado)… Enfim, jogadores muito talentosos que temos podem dar os momentos de beleza que tanto nos faz falta!

  • Gustavo Xavier Almeida

    AK, você é muito bom.
    queria discordar de você para ter meu post respondido, mas eu concordo!

    confesso, estou enojado com esse país maravilhoso, governado e habitado por pessoas hipocritas, egoistas e sem educação…não é essa situação que eu quero deixar para meus filhos.
    to muito triste com a desigualdade social.

    ler teus textos me dão uma alegria imensa, é muito bom ler e viver o que está escrito.

    abraço.

    AK: Obrigado. Um abraço.

  • Crueldade sua citar cronograma, planejamento e subentender prazo num texto do time da CBF!

    rs!

  • LauroCezar

    Gostei muito, como sempre, André! Gostei em especial da parte final, sobre Blatter, Dilma e a PM. Abs

  • Murilo SC

    Ola Andre, sei que fujo ao tema mas gostaria de fomentar uma questão que não me sai da cabeça. Com os manifestos acontecendo brasil a fora, povo arregaçando as mangas, o que me preocupa é saber que quem esta no poder não mede esforço para ficar, as eleições no Brasil não por acaso são sempre nos anos de Copa do mundo, na sua opinião poderia haver ajuda da Fifa para o Brasil ser campeão de qualquer maneira, para aumentar o circo e o povo sair para rua no ano que vem para festejar (não reinvidicar) e os atuais mandatarios politicos se reelegerem com facilidade, com slogan, gastamos um monte de bilhões reais mas fomos campeões em casa, “valeu a pena” . Abraço.

  • Arnaldo Nunes

    Podem falar o que quiserem, mas me orgulho desse meu país. Onde no mundo se conseguiria fazer tudo isso ao mesmo tempo? Mudança na postura do povo, melhorando nossa democracia e mesmo contestando estamos fazendo essa merreca dessa copa das confederações muito melhor que muitos outros paises fizeram.
    Meu medo é na final, o Neymar ficar tietando os novos companheiros de clube em vez de jogar para ganhar. Foi assim que o Santos se ferrou, Muricy não deu instrução alguma e os garotos do Santos ficaram mais preocupados em dar a mão, levantar ou pedir camisa do que de jogar e vencer. Quem não conhece sua história comete os erros mais idiotas. O Brasil sempre foi o astro quando o assunto é futebol, mas essa geração play-station sofreram lavagem cerebral da midia e em vez de dar sequencia aos antepassados vitoriosos estão se entregado feito tiete, caindo de 4 como mosca no mel. Vençam, ganhem, aniquilem esses espanhóis arrogantes, é o dever dessa seleção. Imaginem se a espanha é que tivesse o histórico do Brasil, as conquistas, os feitos memoráveis… quem suportaria a arrogância desses mequetrefes ? Uma única geraçãozinha que deu sorte de uma copa cair no colo deles e já se acham o santo-graal do futebol. Detona com eles Brasil. Quem dá as cartas ainda somos nós, a Italia, Alemanha e um pouquinho a argentina, o resto é aspirante.

    AK: É você, pacheco?

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