COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

BADERNA

Os fins de tarde em São Paulo convidam a uma conversa sobre a Copa do Mundo no Brasil. Uma conversa arriscada. Combinar futebol e política, com as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus como pano de fundo, tem potencial explosivo semelhante ao das ações da Polícia Militar paulista nos últimos dias. No final, é um erro tremendo.

O discurso do protesto pacífico agredido gratuitamente é infantil. O discurso da borrachada nos vagabundos é repugnante. O discurso que protege a legenda preferida é hipócrita. Cenas como as que vimos anteontem no centro da cidade só acontecem porque são estimuladas pelos dois lados, especialmente pela postura arrogante e ignorante das autoridades, todas elas.

Não há como aceitar os excessos de quem, supostamente, recebeu treinamento para lidar com esse tipo de situação no sentido de controlá-la. A polícia não pode ser promotora da violência, mesmo se estiver diante de agentes que a procurem. O quadro fica mais feio quando se trata da mesma polícia que deveria proteger uma cidade entregue à criminalidade, apenas um de seus inúmeros problemas.

Se você acredita que tudo é por causa de 20 centavos, interrompa a leitura. A palavra que melhor define os serviços públicos em São Paulo é colapso, e isso não aconteceu no dia em que o aumento das tarifas foi anunciado. O transporte na principal cidade do Brasil é uma das faces da carência generalizada que viaja pelo país e convive com a megalomania dos estádios, com as manobras de mobilidade urbana, com a farra da bola de uma Copa feita por muitos para poucos. Uma Copa que chama o torcedor às ruas, mas prefere o cidadão dormindo.

Não haverá Copa das Confederações na cidade dos protestos abafados com tiros nos olhos de repórteres e cacetadas em transeuntes. Mas o torneio nem começou e a miséria dos serviços que prestamos já se fez presente em outras partes. No Rio de Janeiro, levaram os italianos para treinar no Engenhão, interditado desde 26 de março. O Uruguai não conseguiu fazer um treino em Recife, porque choveu demais. Há problemas de entrega de ingressos e credenciais em todas as sedes.

Como evento teste, um dos objetivos é descobrir o que não vai bem. Falhas fazem parte do processo, ainda mais para quem é organizador de primeira viagem. Mas o “imagina na Copa” ganha contornos fantasmagóricos quando lembramos que trinta e dois times estarão presentes daqui a um ano. Tal nível de dificuldade para tratar com apenas oito não é inspirador.

Muito mais grave, porém, é o nível de agressividade da polícia de São Paulo para tratar com manifestantes e quem estiver por perto, seja por obrigação ou azar. A destruição do patrimônio alheio – um crime – vira pretexto para uma inaceitável isenção de responsabilidades. Todos são convertidos em baderneiros, até a PM.

O governador promete “apurar abusos”. O prefeito conclui que “protocolos não foram observados”. No Rio, o prefeito disse que se mata se o Brasil perder a final da Copa para a Argentina. E o secretário-geral aceita um chute na bunda se as coisas derem errado.

Chute na bunda? A PM de São Paulo é boa nisso.

ACERTO

Curiosa a trajetória recente de Luiz Antonio Venker Menezes, o novo técnico do Flamengo. No Corinthians, Mano Menezes; na Seleção Brasileira, Brother Menezes: agora, Merrrmão Menezes. O Flamengo entregou seu projeto de recuperação ao treinador certo. Mano é experiente e bem sucedido na condução desse tipo de trabalho.

TESTE

A Seleção Brasileira finalmente começará a competir neste sábado. A Copa das Confederações nos mostrará algo sobre o estágio em que o time se encontra. Conquistá-la, além de não parecer um bom presságio, não tem alto valor esportivo. Na relação entre desempenho e resultado, o que importa é o primeiro.

RADAR

Dilma Rousseff e José Maria Marin devem se encontrar logo mais, na cerimônia de abertura da Copa das Confederações. O Governo Federal tem mantido o presidente da CBF à distância. Atenção ao comportamento da presidenta.



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