CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SIMULADOR

Muito tempo atrás, durante a gravação de um programa de televisão, o meia Alex disse uma dessas frases que permanecem na memória de jornalistas. O jogador que hoje está no Coritiba falava sobre o período em que trabalhou no Palmeiras, com Luiz Felipe Scolari.

“O que ele faz no treino acaba acontecendo no jogo”, disse Alex, ao responder a uma pergunta que investigava as conexões necessárias entre um treinador e seus jogadores. O comentário se referiu ao técnico que Alex conheceu entre 1997 e 2000, por isso é importante estabelecer o contexto. Scolari pode ainda ser assim, ou o futebol e o tempo podem ter determinado o prazo de validade do depoimento.

A resposta será conhecida em campo, quando a Seleção Brasileira estiver efetivamente competindo. Teremos um primeiro momento de observação a partir de sábado, na Copa das Confederações, ainda que o torneio seja muito menos importante para os outros participantes. Todos estão num estágio de desenvolvimento, no sentido da formação de time, adiantado em relação ao Brasil. E o papel de seleção anfitriã amplia a responsabilidade, a pressão e a necessidade de mostrar serviço.

Recuperando a frase de Alex, o amistoso contra a França produziu um bom resultado. Além da vitória, o roteiro dos dois primeiros gols. Tanto a bola resgatada no campo do adversário, por Luiz Gustavo, quanto o contra-ataque iniciado por Paulinho, com uma opção de cada lado, foram movimentos treinados durante a semana anterior em Goiânia. Nada revolucionário, claro. Mas os jogadores – e quem prestou atenção no que foi trabalhado – perceberam.

Se aspectos treinados continuarem a se materializar nos jogos do Brasil, duas situações serão prováveis: 1) jogadores da Seleção se sentirão, em relação a seu técnico, da forma como Alex se sentiu há cerca de 15 anos; e 2) Scolari mantém as qualidades daquele treinador.

Os objetivos da Seleção Brasileira dependem destas questões.

TROCA

O discurso de recuperação da empatia entre a Seleção Brasileira e a torcida não é compatível com o que vem sendo feito pela CBF. Em casa, o contato dos jogadores com o público deveria ser estimulado, respeitando, é claro, as necessidades de quem está trabalhando. Esconder a Seleção e depois cobrar apoio incondicional nos estádios não é uma boa ideia.

TEMPO

Em teoria, a parada das competições para a realização da Copa das Confederações é boa para todos. Descanso e tempo para trabalhar não atrapalham ninguém. Mas os times que foram eliminados da Libertadores, especialmente o Corinthians, agradecem imensamente a oportunidade. Outro que precisa se recompor é o Atlético Mineiro, sonhando com a América.



  • Luiz Mello

    “Em teoria, a parada das competições para a realização da Copa das Confederações é boa para todos. Descanso e tempo para trabalhar não atrapalham ninguém.”

    Concordo em grande parte, AK. Penso que só não é bom para times que vêm “embalados” em momentos importantes de competições. Na Libertadores, por exemplo, os times que chegaram em melhor forma às semifinais são prejudicados pela pausa, em termos relativos, ao contrário daqueles que vinham caindo de produção (como o Galo).

    AK: Ninguém pode se dizer prejudicado por uma pausa que era conhecida desde o início do torneio. Entendo que o Newell’s Old Boys, por exemplo, gostaria que a competição continuasse, pois seu momento era bom. Também entendo que a parada tende a nivelar os times, mas todos terão a mesma oportunidade de melhorar durante o período. Um abraço.

  • Emerson Cruz

    A pausa no calendário será útil a todos. Mas seria bem melhor se no lugar da interrupção das competições, simplesmente os calendários da CBF e Conmebol acompanhassem o resto do primeiro mundo do futebol, com suas competições começando somente no segundo semestre.

  • O Analista

    Olá…

    Nosso calendário só poderá ser adequado ao calendário mundial, quando tivermos coragem de acabar com os famigerados campeonatos estaduais.

    Mas como acabar com as únicas possíbilidades que alguns clubes tem de levantar uma taça ?

    Dias desses li uma pesquisa que dizia que nos últimos anos o BOTAFOGO-RJ havia ganho 12 taças, ou seja havia sido “campeão”.

    Como sou de fora do Rio, estranhei a informação pois o último título do FOGÂO que eu tinha lembrança era o de campeão brasileiro de 1995, com direito a gol de Tulio em impedimento e anulação de gol legítimo do Santos.

    Ai, veio a explicação: as 12 taças se referiam a TURNOS do campeonato carioca, apelidados de Taça Guanabara e Taça Rio, mais os próprios campeonatos cariocas…

    Das 12 taças, nenhuma relacionada ao campeonato brasileiro, copa do Brasil, Libertadores ou até mesmo a Sulamericana (espécie de 2a. divisão da América).

    Então, como acabar com os famigerados estaduais ?

    Abs

  • Mario

    mas o problema de estimular o encontro dos jogadores com a torcida pode trazer o sentimente de oba-oba e prejudicar o trabalho igual 2006 , mas tambem não pode ser igual a 2010 o certo seria achar um meio termo.

    eu não gosto do trabalho do Scolari acho q ele parou no tempo e não sabe mais lidar com os jogadores.

  • João Sardinha

    O jogo contra os reservas da França mostrou o que já estamos cansados de saber: Felipão continua parado no tempo. A substituição de Oscar e Hulk os dois melhores do Brasil no jogo mostrou mais, mostrou que ele está gagá. Felipão e qualquer trinadorzinho meia tigela nesse país são a mesma coisa, nada se acrescenta pois nada vemos de novo, só os iluminados da mídia esportiva enxergam diferente. Felipão está conseguindo a proeza de deixar o Paulinho, o Fred, o Neymar e o Oscar visivelmente constrangidos na seleção tamanha é a sua mania de só pensar na defesa. Nas entrelinhas para aqueles que acompanham com atenção as entrevistas vê-se claramente a insatisfação dos jogadores com o esquema do técnico. Isso não vai acabar bem!
    A sorte do Felipão é que a mídia o protege não se sabe lá o por quê.

  • João Sardinha

    Segredos do Esporte com AK e Fininho falou tudo com Rai, ele disse muito bem o que escrevi acima. Se os líderes não acreditam no treinador bau bau. Duvido que Oscar, Jadson, Fred, Neymar acreditem nas idéias de defensivistas ao extremo do Felipão. Aliás, o modo como trabalha Felipão deve ser um tormento para o jogador de futebol que gosta de descontração. Eu cantarei a seguinte bola no jogo de hoje: Japão com meio de campo rapidíssimo e de toque de bola. Brasil com meio de campo engessado e lento= Emoções mil.

  • Acho essa característica do Felipão, apesar de previsível, fundamental. Saber o que poode acontecer no jogo e entender as suas responsabilidades em cada situação dá ao atleta confiança suficiente para tomar decisões em prol do time.

    Assim, quando o time consegue fazer uma leitura de jogo em conjunto, não somente taticamente, mas emocionalmente, torna-se uma equipe extremamente competitiva. Isso era facilmente observado no Corinthians do Tite no ano passado. A equipe sabia medir a temperatura do jogo e se sentia confortável de atuar de acordo com o desenrolar da partida, caracterizando uma ótima leitura de jogo.

    Faz sentido?

    AK: Faz. Os jogadores do Corinthians dizem exatamente isso sobre Tite. Um abraço.

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