COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AMOSTRA

1 – Há algo positivo em enfrentar a França. Trata-se de uma seleção que não tem as cicatrizes que normalmente se nota em adversários do Brasil. Os franceses se lembram da camisa amarela e encontram boas sensações. Em tese, é um oponente que pensa primeiro em jogar seu jogo, o que é sempre elogiável.

2 – Também há algo positivo em ver a Seleção se apresentar no Rio Grande do Sul. Lá não se tem registros do infame “sou brasileiro, com muito orgulho…”.

3 – Mas esta França não peca apenas no traje azul neném que não faz jus às suas cores. Sem seis titulares em relação à escalação da última partida de competição que disputou (Espanha, em Paris, pelas Eliminatórias Europeias), é um time que não tem o suficiente para, como dissemos há pouco, pensar primeiro em jogar seu jogo.

4 – Quem faz isso é o Brasil, que consegue manter a bola no campo de ataque e rondando a área de Lloris. Mas mesmo após um período de trabalho caracterizado como “intenso” em Goiânia, não há automatismos que permitam ao time romper as últimas linhas francesas.

5 – A “bola para Fred na área” se converte em principal movimento ofensivo da Seleção Brasileira. É pouco. Sim, Fred está lá para isso e tem justificado sua presença com gols em todos os jogos em que foi escalado por Scolari. Mas é interessante que ele seja uma das opções, não a única. Também é interessante que a bola o encontre em condições de finalizar.

6 – Antes dos dez minutos do segundo tempo, Fred (fora da área) aciona Oscar numa jogada que inverte todos os conceitos, menos um: a retomada de bola na intermediária adversária, que está na origem de tantos gols. Intervenção de Luiz Gustavo, ainda que possa ter sido faltosa. 1 x 0.

7 – Luiz Gustavo é quem faz mais da oportunidade recebida. Sério no cumprimento de suas funções, o jogador do Bayern Munique certamente satisfaz um técnico que sabe o que quer de seus volantes.

8 – A entrada de Fernando no lugar de Oscar libera Paulinho para agradar quem gosta de volantes goleadores. Mas é com uma bola recuperada na defesa que o corintiano cria o contra-ataque do segundo gol. Hernanes, para delírio da imprensa. 2 x 0.

9 – Assim como aproveitou os treinos para perder peso e reencontrar a forma, Marcelo lucra no amistoso. Muito superior a qualquer obstáculo que a França pudesse usar para tentar contê-lo, soma pontos para ser a escolha de Felipão para a esquerda. É dele a jogada que termina no pênalti convertido por Lucas. 3 x 0.

10 – Vinte e um anos sem vencer os franceses chegam ao final em Porto Alegre. Primeira vitória do Brasil sobre uma seleção campeã de mundo desde 2009. Os desfalques da França não podem ser desconsiderados.

11 – Conclusão: a missão de superar adversários fechados será constante na Copa das Confederações, torneio muito mais importante para a Seleção Brasileira do que para os demais participantes. Mau primeiro tempo do time considerado titular, abaixo do que mostrou no domingo passado contra a Inglaterra. O primeiro gol abriu o jogo e a fase de substituições terminou por evidenciar a superioridade do Brasil. Vitória merecida, resultado um tanto largo.

ALVO

Aos olhos da torcida, ao que parece, Neymar entra em campo com a obrigação de resolver todos os problemas. É até um exagero em relação ao tradicional “cobra-se mais de quem pode dar mais”. Neymar não está em seu melhor momento, mas deve acompanhar o caminhar do time. Bom ver que ele não se abate. Melhor, ainda, lembrar que Neymar tem idade para disputar três Mundiais. Interessante tema para conversas com Messi.

NATURAL

Ao considerar a evolução da Seleção e o tempo que resta para a estreia na Copa das Confederações, Felipão disse na entrevista coletiva que “a natureza não dá saltos”. Exato. Este é precisamente o problema central. E em comparação aos principais candidatos ao título mundial no ano que vem, o atraso do Brasil em termos de formação de uma equipe é evidente. Até a Copa do Mundo, será preciso dar uns pulinhos.



MaisRecentes

Vitória com bônus



Continue Lendo

Anormal



Continue Lendo

Saída



Continue Lendo