COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

TRÊS TÉCNICOS

Um demitido, um pressionado e um preocupado.

O demitido é Jorginho, cujo trabalho no Flamengo não completou três meses. Pode ser um caso de despreparo para assumir uma posição tão significativa. Pode ser a forma reticente com a qual ele manejou o time durante os jogos. Mas antes de tudo é uma questão de incompatibilidade, pela qual o treinador não é o maior responsável.

As condições existentes no Flamengo para a travessia da temporada não permitem que se pense grande. Qualquer discurso que não seja o da campanha digna, com a metade da tabela como alvo, gera a ilusão de uma capacidade que o elenco atual não possui. E o encontro do que se vende com o que se entrega é quase sempre um acidente com vítimas.

É difícil de acreditar, mas o Flamengo não tem orçamento, hoje, para construir um time competitivo no Campeonato Brasileiro. A obrigação da diretoria que assumiu o clube em janeiro é uma gigantesca obra de saneamento que impõe restrições financeiras, realidade que não comporta uma equipe superior. Se o plano de reestruturação avançar em 2013, o resultado ao final do ano será mais importante do que a colocação do time na tabela. Desde que seja na Série A, meta que o próximo técnico precisa abraçar.

O pressionado é Ney Franco, derrotado em casa pelo Goiás na noite em que o Morumbi, ou pelo menos uma parte dos que lá estiveram, pediu Muricy Ramalho. O atual técnico do São Paulo faz parte de uma lista de nomes que parecem ter sido eleitos por falta de opções. Além de não ser a melhor maneira de iniciar uma relação, é garantia de contratempos quando o humor sofre. Foi o que se deu na quarta-feira, é o que se dará de agora em diante. Roteiro que costuma terminar em distrato.

O protesto que vem da arquibancada nem sempre é sábio e com frequência tem o patrocínio de interessados. Os apupos e as críticas não são agradáveis, mas não representam o verdadeiro problema de Ney Franco. É a falta de sustentação em seu próprio vestiário que o ameaça. Quase todos os técnicos lidam com insatisfações, claro. O problema é quando a balança pende para o lado negativo.

O preocupado é Tite, no comando de um Corinthians cada vez mais distante do que lhe fez forte. Não, Tite não corre riscos ou enfrenta problemas de ambiente. Vive situação completamente oposta nos dois casos. Mas seu time tem lhe convidado a reflexões intrigantes. A falta de apetite está apenas ligada à motivação? Quantos gols Alexandre Pato ainda perderá? Por que, na derrota para o Cruzeiro, a configuração de contra-ataque se transformou em total desprezo pela bola?

Não deve ser fácil manter um time continuamente disposto aos “sacrifícios” inerentes ao sucesso. No caso de grupos que já o saborearam, as cotas permanecem as mesmas, mas parecem maiores. Há quem precise ser relembrado, quem tenha de ser provocado e os que não podem mais ser recuperados. Não é por outro motivo que vencedores seriais são tão raros.

Em sua própria dialética, Tite enfrenta um problema de sustentabilidade. A parada para a Copa das Confederações lhe deve fazer bem.

CAMALEOA

A mudança estética da bola usada na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro deu errado. É difícil ver a redonda alaranjada, principalmente à noite e em gramados mais escuros. É quase uma camuflagem. Bolas coloridas são úteis em campos cobertos pela neve. Em nosso país, são tão necessárias quanto um par de esquis.

VIBRANTE

Com um chute forte de fora da área, e parceria do goleiro Ricardo Berna, Alex ajudou o Coritiba a vencer o Fluminense ao marcar seu gol número 400. Não consta que nenhum deles tenha sido comemorado com dancinhas.

ENGENHOSO

E o Estádio “Olímpico” João Havelange, o Encrencão, ficará dezoito meses interditado para reparos. Feche os olhos e imagine os envolvidos, todos eles, em sonoras gargalhadas. É exatamente o que está acontecendo. Só R$ 400 milhões foram gastos ali. Seis anos depois, já está na hora de gastar mais.



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