COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CASA NOVA, ERROS ANTIGOS

1 – Antes de qualquer coisa, entremos num acordo: faz mais sentido analisar a Seleção Brasileira com base naquilo que ela pretende ser, não naquilo que se pretende que ela seja. Os conceitos não mudarão até a Copa do Mundo, de modo que ignorar essa realidade é elocubrar sobre um time que não existe.

2 – Outro lembrete: o pedido de paciência feito por Scolari antes do jogo será necessário contra a maioria dos adversários. Paciência é uma virtude de diversas utilidades. Por vezes, nos ensina a manter a calma diante de equipes fechadas atrás da linha da bola. Noutras, a não esperar futebol de alta qualidade de quem não quer oferecê-lo. Que seja só o primeiro caso.

3 – A Inglaterra veio ao novo Maracanã para deixar a bola com o Brasil. Historicamente, é assim que os ingleses se sentem mais confortáveis. Assim procuram vencer jogos em que a sensação é a de que terminarão derrotados. Pode-se criticá-los por várias razões, mas não por querer ser o que não são.

4 – Posse de bola só se traduz em vantagem técnica quando é uma ferramenta para impôr o jogo ao adversário. Quando é estéril, gera falsa impressão de superioridade, exatamente o que oponente deseja. A tarefa dos times que controlam a posse é criar um número de chances de gol que seja condizente com o domínio das ações.

5 – Por volta dos 35 minutos de jogo, o Brasil goleia por 15 x 0 nas finalizações. Mas perigo, mesmo, só em duas ocasiões com Neymar: uma diante de Joe Hart e outra de fora, em que a bola que buscava o ângulo sai por muito pouco. Um chute defeituoso de Hulk provoca pedidos tímidos pela presença de Lucas. A solicitação de paciência foi atendida por pouco mais de meia hora.

6 – As entradas de Marcelo e Hernanes configuram a Seleção Brasileira para seu modo de ataque declarado. Pouco depois, Lucas confirma a intenção. A qualidade do chute de longe de Hernanes derruba a defesa inglesa. No rebote, Fred faz o que faz melhor: aproveita-se de seu senso avançado de posicionamento para marcar. Curioso que ele tenha sido acionado pelo travessão e não por um companheiro.

7 – Chamberlain é a resposta de Hodgson para não perder. Um arremate desviado pela zaga brasileira e um cabeceio que passa à direita de Julio Cesar revelam o crescimento da ousadia inglesa. Rooney e Lampard participam da construção do empate, chute preciso do jogador que entrou para transformar o técnico em sábio.

8 – O gol de Rooney, em chute que desvia e entra no ângulo, faz ecoar o grito de “England!” no novo Maracanã. Um sentimento constrangedor o acompanha, pela iminência de mais um resultado ruim contra uma seleção considerada grande.

9 – Paulinho, 2 x 2. Porque “a imprensa” adora volante que faz gol.

10 – Conclusão: domínio e alguma eletricidade no primeiro tempo, com Neymar envolvido (no melhor sentido) e Fred desperdiçado. Bom início de segundo tempo, pelo ímpeto e a utilização de jogadores de caráter ofensivo. Depois, queda de energia e desempenho que a Inglaterra explorou a seu estilo. Resultado coerente com o jogo.

11 – PS: é bom ver a Seleção Brasileira jogar no Maracanã.

PORTA ABERTA

Ótima ideia do Santos de tentar trazer Marcelo Bielsa para trabalhar no Brasil. O argentino é um treinador de futebol, no sentido literal da expressão. Tem método, caráter e obstinação. Representaria uma novidade saudável e uma influência positiva no futebol brasileiro. Ao final, depende dele, pois certamente haverá opções para continuar na Europa. Mas Bielsa não pensa e não age como a maioria. Tomara que dê certo.

INTERVALO

A Copa Libertadores só volta em julho e a questão é a quem a longa pausa será mais prejudicial. Temos um “intruso”, o Independiente Santa Fé; um argentino tradicional, o Newell’s Old Boys; uma camisa respeitável, o Olimpia; e um brasileiro virtuoso, o Atlético. O palpite aqui é que a parada ajudará o time de Cuca a reencontrar a forma e a postura. Será pior para quem surfava o momento, como o Newell’s.



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