VICTÓRIA



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(imagem: Ramon Bitencourt/LANCE!Press)

No instante em que o árbitro marcou pênalti de Leonardo Silva em Aguillar, a bola estava nas mãos de Victor.

O goleiro do Atlético teve uma reação diferente dos companheiros ao contemplar o drama que havia se instalado no Independência.

Não reclamou, não se desesperou, não tentou convencer o juiz a rever a marcação.

Victor apenas levou a bola à cabeça e virou-se para a lateral do campo. Provavelmente falou algo que não pode ser publicado aqui. Ou talvez tenha murmurado um lamento profundo, o tipo de súplica que fazemos para nós mesmos, quando não resta outra opção.

De fato, ele ainda poderia fazer algo, mas um pênalti contra aos 48 minutos do segundo tempo é o que há de mais próximo de uma sentença de morte num jogo de futebol.

Contam os que lá estiveram que o silêncio que se apoderou do Independência foi assustador.

Um velório no Horto se aproximava, e não era para o adversário.

Não é possível descrever a magnitude da pressão que recai sobre alguém que PRECISA agir nesses momentos.

É por isso que os relatos dos envolvidos são quase sempre confusos, misturas de palavras e sensações que não resultam em depoimentos claros.

Um chute, uma defesa com o pé, e o mundo se inverteu para Riascos e Victor.

Um segundo antes, seria possível ouvir um lenço caindo no chão.

Um segundo depois, e ninguém notaria se o prédio desabasse.

E ao invés da missa do Galo no Independência, continua a procissão do time mineiro na Libertadores.

Épico, inesquecível, bonito demais.

Que pena de quem não liga para futebol.



  • Anna

    Defesa sensacional!!! O Galo merece!!!

  • Alisson Sbrana

    Belo texto, como sempre! A metáfora é brilhante: sentença de morte no futebol. Não sei qual escritor usou a expressão “atento como um condenado à morte segundos antes do fuzilamento”. Misturando ainda mais as artes (literatura e futebol), lembrei-me do fuzilamento do “Glória Feita de Sangue”. Na atitude do goleiro, comparando as possíveis citadas pelo AK (reclamar, brigar etc), e dos 3 condenados. Bom, exagerei na mistura, mas se o gol sai, acho que haveria um certo sentimento de injustiça (não quanto ao jogo, porque os mexicanos jogaram muito) como no filme. E isso (ou aquilo que felizmente não foi) só o futebol proporciona. Viva o futebol.

  • Iran Né

    Caro André, que pena mesmo. Eu não gosto do Atlético( porém amo o bom futebol seja jogado por quem jogar) mas estava morrendo de dó da torcida e o Galo não merecia sair daquele jeito da Libertadores.
    Um grande abraço !
    Iran Né

  • Anísio Câmara

    E há quem queira misturar as coisas e traçar paralelos com a eliminação do Corinthians, dizem que o juiz não queria que o Galo seguisse.
    Mas quem perderia o jogo ontem seria o Galo e só o Galo mesmo, esquecem da defesa monstruosa do Victor no 2° tempo e da bola na trave, o Galo tomou baile até maior que o Corinthians levou do Boca Jrs., se se joga bem não se deixa margem pra ninguém interferir, nem 0 juiz. O Galo jogou muito mal e vem jogando faz 3 jogos, colocar o time semi-titular contra o Coritiba foi uma besteira do genial Cuca.
    Aparentemente o descanso será muito útil ao Galo, tem pedreira pela frente, mas é favorito.

    PS: Me deixa puto essa mania de reclamarem das comemorações dos jogadores de futebol, são meras brincadeiras, metáforas, parecidas com as que os jornalistas usam, a propósito, sei que os jornalistas sabem o que significa de fato o termo artilheiro, por que nunca brigaram pra que se tirasse esse termo pra goleador no futebol?

  • Leonardo Moamed

    Tomara que Riascos não seja lembrado como o amarelão, e sim como o craque não brasileiro da Libertadores. Apesar de gostar muito de Scocco, e considerá-lo mais técnico, Riasco foi o que mais jogou. Se os dirigentes brasileiros fossem estudiosos e observadores, o colombiano já teria sido sondado por diversas equipes. Complexo de vira-latas à parte, ele seria titular de, no mínimo, 10 dos 20 times do Brasileirão. Galo: Está lembrando muito o Corinthians ano passado. Caso vença a competição, Victor será Cássio, Riascos será Diego Souza. Ontem, para mim, o Galo sagrou-se campeão.

  • leonardoatleticano

    André, em dois minutos o céu virou inferno e tornou a virar céu. O alívio pelo fim do jogo virou drama por estar no fim, e a penalidade máxima virou o maior dos prêmios. Alguns minutos e todas as possibilidades e emoções possíveis passearam pelo Horto.

  • Randel

    André, o Atlético quase pagou caro ontem por jogar com os titulares em Curitiba no final de semana. Os jogadores estava visivelmente cansados, sem a movimentação que é a cara desse time. Mas emfim, está com sorte de campeão! Depois de ontem tenho certeza que vai dar o Galo pela primeira vez! Parabéns ao time!

    • Leonardo Moamed

      Bem lembrado. Nitidamente o físico estava bem abaixo. Mas não foi isso o fator preponderante, e sim o Tijuana, ótimo taticamente.

      • Randel

        Claro. Concordo. O Tijuana foi muito bem taticamente e isso dificultou a vida do Atlético que estava visivelmente cansado pela sequencia de jogos desgastantes.

  • alex

    achei que o juiz iria voltar a cobrança, porque o Victor se adiantou bem….mas foi melhor assim.

  • Vicente Souza

    Brilhante texto. O futebol proporciona momentos únicos, épicos, de pura emoção, mas essa história de ontem, nem nos enredos mais dramáticos de Hollywood.

  • Alexandre

    Victor/Victoria, Blake Edwards. 😉

  • Leandro Azevedo

    E nem foi uma defesa… ele chutou aquela bola. Se fosse “apenas” uma defesa, tinha dado rebote que poderia ter gerado perigo adicional. Foi sensacional.

  • Eu não esqueço um post seu, sobre uma quarta feira de muitos bons jogos, em que você termina dizendo: “E tem gente que acha que futebol não é coisa séria…”

    Sempre lembro dessa frase quando vejo um jogo como o de ontem!
    SEMPRE!

    Abraço, André!

  • Emerson Cruz

    Espetacular! Curioso é que se o Atlético vir a ser campeão da Libertadores, significará que dificilmente a equipe repetirá uma atuação tão ruim quanto a de ontem. Mas provavelmente será este, o momento mais lembrado da campanha. É, o futebol e seus paradoxos. Que bom que é assim!

  • RENATO77

    Esse time do Galo merece. Cuca merece.
    A torcida merece, pela historia…talvez a única torcida do BR com a qual eu concorde quando o assunto é reclamação de arbitragem e teorias sobre o “eixo”. Ou estão com a razão ou tem MUITO azar.

    Que jogo foi esse?

    Os maus tratos com quem fala a língua portuguesa na sulamericana continuam. Eu não acredito que em terras de língua castelhana, fosse marcado um penalti como o de ontem, mesmo tipo de lance, NAQUELE contexto, CONTRA o time da casa. Mais fácil um besouro fumar maconha…
    Também não se pode esquecer que o desempenho do Atlético NÃO foi o mesmo que se esperava…que aproveitem a pausa para resgatá-lo.
    Parabéns ao galo. Jogo histórico.
    Abraço.

  • Rita

    Esse tal de futebol é um danado mesmo…
    Sensacional!
    A torcida do Atlético merece.
    Vai Cuca!

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