COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

TARDOU MAS VINGOU

O ano de 2005 chegava ao final e a carreira de Diego Tardelli, então com apenas 20 anos, não parecia promissora. O São Paulo se preparava para disputar o Mundial de Clubes da Fifa, oportunidade da qual Tardelli se excluiu por causa de seu comportamento.

Jovens dotados de grandes quantidades de talento costumam ser resistentes a regras de conduta. Dirigentes e técnicos esperam por um equilíbrio entre desempenho e comportamento que, na maioria dos casos, só se apresenta acompanhado da maturidade. O caminho é tortuoso.

“A cabeça do Tardelli não acompanha os pés. Ele tem a genialidade do futebol, mas precisa viver sob tratamento de choque”, disse Juvenal Juvêncio, à época vice-presidente de futebol do São Paulo, pouco antes de negociar o atacante com o Bétis, por empréstimo.

Se o futuro de Diego Tardelli lhe fosse exibido àquela altura, dezembro de 2005, ele teria dificuldade para se reconhecer. À exceção de um efêmero período de fartura no PSV Eindhoven, nada do que ele experimentou entre 2006 e 2009 sugeriu o que o temos visto fazer no Atlético Mineiro. Ao que parece, Tardelli se encontrou.

Não é surpreendente que tenha acontecido no mesmo clube pelo qual marcou 73 gols em 114 jogos, de 2009 a 2011, antes de aceitar ofertas financeiramente sedutoras do futebol da Rússia e do Catar. Tardelli saiu do Atlético como um favorito da torcida. De volta, tem acrescentado gols e sentimento à relação.

No jogo mais significativo da temporada do time mineiro até agora, a visita ao Morumbi para a ida das oitavas de final da Libertadores, Tardelli foi decisivo quando ficou evidente que o Atlético estava diante da chance de dar um xeque-mate no confronto com o São Paulo. Sua capacidade de se mover e se desmarcar entre as linhas transformou uma partida que os visitantes controlavam, mas não venciam.

O impacto no primeiro jogo contra o Tijuana foi semelhante. O que era uma assustadora derrota por 2 x 0 se converteu num interessante empate em 2 x 2, graças a um gol e uma assistência de Tardelli, mas não só. A coragem e o ímpeto que ele demonstrou, quando os mexicanos ameaçavam com o que seria um crucial terceiro gol, devem ser reconhecidos como fatores igualmente desequilibrantes.

Talvez seja cedo, ainda, para lhe conferir a etiqueta de craque, com o máximo respeito à opinião de Reinaldo, o primeiro e único. Em entrevista à Espn Brasil, o ídolo atleticano se referiu a Tardelli usando o termo que diferencia os jogadores comuns dos especiais.

E não se trata de estabelecer uma competição interna ou interferir na hierarquia do time de Cuca. Ronaldinho é o rosto, a apresentação, o pedigree. Bernard são as pernas. Tardelli é o punho. O coração é o Independência repleto, prestes a conduzir o Atlético Mineiro às semifinais.

Com 20 anos, Diego Tardelli era um atacante dispensável, de prognóstico duvidoso. Aos 28, não precisa mais viver sob tratamento de choque. Seus adversários é que vivem em estado de alerta.

CHAMPIONS DA ALEMANHA

O confronto doméstico entre Bayern e Dortmund suaviza o clima de final europeia que veremos hoje. São dois times acostumados a se enfrentar e que já têm todas as referências do que deve e não deve ser feito. A superioridade que o time de Munique tem mostrado na Liga dos Campeões perde um pouco de sua imposição diante de um adversário que o conhece e não o teme. Favorito natural, o Bayern carrega quase toda a pressão da decisão. Perder a terceira final em quatro temporadas já seria suficientemente ruim. Perdê-la para um rival seria indescritível. Motivos para assistir não faltam.

CABO DE GUERRA

No início da semana, a decisão de negociar Luis Fabiano estava praticamente tomada. O debate, via meios de comunicação, entre Juvenal Juvêncio e o atacante pode ter alterado os planos. Luis Fabiano prefere ficar no Brasil, o São Paulo prefere não reforçar oponentes. Complicado.



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