CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DISTRIBUIÇÃO DE TALENTO

Não sabemos se o jogo de ontem fez parte da turnê de despedida de Neymar, ou se foi mais um de uma temporada em que seus talentos estarão a serviço do Santos. E não, esta não é mais uma coluna em que se dirá se ele deve ou não deixar o Brasil.

Esta é uma coluna que parte da ideia de que Neymar ficará, e aborda o que precisa acontecer para que tanto ele quanto o Santos aproveitem o máximo da relação dentro do campo, onde, ao contrário do que se vê do lado de fora, a parceria não tem sido lucrativa.

Tudo é muito polarizado em torno de Neymar. Quando ele é o assunto, formam-se dois grupos antagônicos que não são capazes de se concentrar no que importa. Deve ficar ou sair, é protegido ou abandonado pelos árbitros, é craque ou cai-cai, precisa descansar ou se concentrar no futebol.

Se o Santos vai bem, é por causa de Neymar. Se vai mal, é apesar dele. Bem ou mal, é dependente de seu futebolista mais valioso, como se Neymar não fosse jogador do Santos, e sim um alien que o time tem a bênção de escalar vez por outra. Em meio a tantas reuniões, propostas e cenários, quanto tempo se utiliza pensando no papel de Neymar na equipe do Santos?

Não se questiona aqui o quilate de Neymar ou a distância entre ele e o que temos como nível padrão no futebol brasileiro. Muito menos se imagina que ele deva marcar o lateral adversário ou se converter em mais um jogador “tático”. A questão é que Neymar e os demais jogadores do Santos não podem ser duas unidades distintas.

No livro “Cestas Sagradas”, Phil Jackson revela uma conversa com Michael Jordan na época em que o Chicago Bulls não conseguia vencer nos playoffs. Jordan era o melhor jogador na quadra, o cestinha de todas as noites, mas seus companheiros apenas o olhavam fazer o que ele sempre fazia. Jackson o mostrou a necessidade de elevá-los a jogadores melhores.

Talvez Neymar conheça essa história. Poderá usá-la, se ficar por aqui.

CONFUSÃO

Há muitos responsáveis pela situação de Luis Fabiano no São Paulo. O próprio não rendeu e não se comportou como devia. A diretoria não soube administrar sua presença e sua personalidade. O time não soube recebê-lo e entender sua importância. Negociá-lo para se desfazer do problema é prova de incompetência. Se for no mercado brasileiro, prova de insanidade.

COLISÃO

A representação brasileira na Copa Libertadores foi reduzida a um terço do que era, o que beneficiou os remanescentes Atlético Mineiro e Fluminense. Ambos continuam sendo candidatos, mas agora com menos concorrência doméstica. A questão é que, se jogarem de acordo com seus potenciais e alcançarem as semifinais, obrigatoriamente se enfrentarão.



  • Emerson Cruz

    ” Necessidade de elevá-los a jogadores melhores…” Exatamente este é o ponto. Há dois anos o Santos é apenas um arremedo de equipe. O elenco muda pouco a cada temporada, mesmo assim, parece uma equipe recém formada e sem algo que se possa chamar de jogo coletivo. Seu treinador não consegue fazer com que os atletas possam render no seu limite. Um meio-campo com Renê Júnior, Arouca, Cícero, Montillo e até Felipe Anderson, poderia formar um setor homogêneo o suficiente para proteger a limitada defesa do time (que se bem protegida não aparentaria ser tão limitada) e aumentar o repertório de abastecimento de bolas aos atacantes. Entretanto, o que se vê é o oposto disso. O treinador santista tem se mostrado incapaz de executar tal tarefa.

  • Dennis

    Quem mais deveria conhecer essa história (aliás, o livro todo) é o Muricy, não?

    • RENATO77

      Boa!

  • Marcelo Morais

    Muito lucida a nota “Confusao”. A atual trapalhada com LF parece o capitulo final de uma historia de puro nonsense, que nos apresentou episodios constrangedores, como a festa organizada para receber o atacante. Uma prova dconcreta e que a atual direcao do SPFC ignora o que deveria ser o cerne de suas preocupacoes: a montagem e manutencao de um time de futebol competitivo e vitorioso.

    O alento eh saber que a atual diretoria um dia cairah. Ateh lah, testemunharemos outras trapalhadas.

  • Juliano

    É isso mesmo AK. Difícil é o Neymar com 21 anos ter conhecimento dessa história no nível que se deseja e, ainda assim, não dependeria apenas dele. Ele não tem Phil Jackson, pior que isso, mas muito pior que isso, é Muricy (que não tem cara de quem se importa em ler algum livro… enfim, posso estar enganado).

    Ninguem joga junto com Neymar, parece mesmo uma coisa distinta. Com a implosão da equipe de 2010 e 2011, para as medíocres equipes de 2012 e agora 2013, Neymar ficou sem ter com quem jogar. E aí aparece seu pior futebol: se obriga a tentar resolver, chama mais a responsabilidade, erra mais, sofre mais falta, apanha mais. A diretoria/comissão técnica não foi capaz de cercá-lo de jogadores capazes de jogar JUNTO com ele. Contratações equivocadas somadas a um Muricy cansado e sem criatividade. O cenário é péssimo.

    Apesar de não entrar no mérito do sai-ou-fica, me parece evidente que sua saída seria benéfica para todos os envolvidos. Se ele ficar, o Santos não vai elevar o resto do elenco a serem jogadores melhores. Lamentável. Com ou sem Neymar, penso que o Santos participará do BR-13 para não cair.

    Fico sempre muito feliz quando faz alguma menção ao basquete, ainda mais utilizando de fonte tão boa vinda de monstros como Phil e MJ.

    Abraço!

  • catraca

    Comentários perfeitos, tanto no caso do Neymar quanto no do Luis Fabiano. Engraçado que o Neymar de 2010 conseguiu fazer com que jogadores medíocres parecessem melhores do que eram, basta olhar para o que Wesley e André estão fazendo esse ano e o que fizeram naquela época. Mas é verdade também que naquele time Neymar tinha a compania de Ganso e Robinho.

    Agora, a diretoria do Santos merece muitas críticas pela montagem do time. Um time que tem a sorte de parir um Neymar tem a obrigação de arrumar uma linha defensiva melhor do que Durval, Dracena e Léo (nem falo de lateral direito, pq desde que o Danilo saiu não há ninguém ali).

    Abraço!

    • Alexandre

      Mesmo com falhas no sistema defensivo, o trabalho do Dorival Júnior em 2010 foi incomparavelmente melhor do que o que faz o Muricy Ramalho.

  • Dyl Blanco

    Na mosca. No time de Dorival, Neymar brilhava muito. Mas naquele time, por exemplo, André rendia muito, com suas melhores características aproveitadas, Zé Love também rendia jogando confortavelmente, Arouca era uma unanimidade. Uso esses exemplos porque estiveram sob o comando dos 2 técnicos (Dorival e Muricy). A contribuição de Muricy foi inestimável, imprimindo uma maneira de marcar, de combater, que sustentou bons resultados para o Santos até agora. Mas o respeito que ele tem pelos talentos, pela liberdade de criação, impedem de estabelecer também um padrão de ataque. A parte ofensiva ele delega aos jogadores, acreditando na qualidade. Dorival fazia o contrário. Lá atrás era chutão e correria e na frente organização e inteligência. Robinho em uma de suas entrevistas disse que aquele time não perdia gols. Fruto de uma organização ofensiva eficiente. O próximo técnico do Santos, se contar ainda com Neymar e atentar para o setor ofensivo com competência, estará em um time de sonhos. Se for o Dorival Jr então, entrará para a história.

  • RENATO77

    “Tudo é muito polarizado em torno de Neymar. Quando ele é o assunto, formam-se dois grupos antagônicos que não são capazes de se concentrar no que importa. Deve ficar ou sair, é protegido ou abandonado pelos árbitros, é craque ou cai-cai, precisa descansar ou se concentrar no futebol.”
    Perfeito…como essa discussão é “corinthianizada”…ou amam ou odeiam.

    NO PAPEL, o time não é tão ruim como dizem…mas Montillo, André e Arouca tem jogado abaixo do esperado. Sempre achei Arouca superestimado. Ele é um PRIMEIRO VOLANTE top, mas como SEGUNDO VOLANTE, seu desempenho cai bastante.
    Convenhamos, um trio de frente com Neymar, André e Montillo, seria, NO PAPEL, pra encher os olhos. Não foi o que aconteceu. Uma dupla de zaga que “satisfaz”. Goleiro idem.
    O elenco é enxuto, isso sim, mas a equipe que seria titular é boa. Me parece que o problema é outro.

    Luis Fabiano é um grande jogador, um dos últimos a “sentirem” o jogo…isso tem o lado bom e o ruim. Pergunto, que time tem um quarteto de frente como esse: Ganso, Jadson, Oswaldo e LF?
    Acho que o problema do time está na defesa,laterais e volantes que não tem o mesmo nível. Curiosamente nas posições onde a diretoria tricolor tem acertado nas contratações, num passado recente.

    A libertadores continua com arbitragens sofríveis para quem fala portugues, mas o AT/MG parece ungido contra esse mal. Resultado de campeão ontem, pela maneira que foi alcançado.
    Cara de campeão. Mas mata-mata é mata-mata, tensão até o fim.

    Abraço.

  • Cleibsom Carlos

    Quantos jogadores ja surgiram como ” o novo Pelé” e depois de um curtíssimo período caíram na real? Será que este não é o caso do Neymar? Falar que o garoto não está jogando nada devido a limitação do elenco do Santos me parece equivocado…Por que na seleção ele nunca jogou nada, então? Quero estar enganado, mas sou da opinião de que Neymar sempre foi um jogador superestimado.

    AK: Quem falou que “ele não está jogando nada devido à limitação do elenco do Santos”?

    • Teobaldo

      “A imprensa” (Ah, Ah, Ah)! Irresistível essa resposta! Um abraço!

      ps.: Nadinha de nada da NBA??????

    • Cleibsom Carlos

      A imprensa esportiva brasileira, AK. Não é possível que você nunca tenha lido ou ouvido algo do tipo dos seus colegas de profissão!

      AK: Você postou um comentário aqui, onde não se afirmou isso. Apenas um lembrete de que “a imprensa esportiva brasileira” é algo que não existe. Um abraço.

      • Alexandre

        Teobaldo levanta, Cleibsom corta e…bloqueiooo do André!!!
        Ponto para o time da imprensa esportiva brasileira.
        🙂

    • Juliano

      Eu não sou nem tenho a pretensão de ser a tal “imprensa” (que não existe mesmo), e EU, penso que a limitação do elenco do Santos é UM DOS fatores que contribuem para a fase ruim do Neymar.

      Existem outros tantos fatores que podem ser listados (contusão na coxa desde a partida contra o Chile, sua vida de pop star, baladas, compromissos comerciais, entre ainda muitos outros que nem temos conhecimento), mas acho que se ele estivesse cercado de um time jogando melhor como conjunto, com peças mais talentosas, sua fase ruim não ficaria tão evidente.

      É responsabilidade demais para ele – dentro e fora do campo. Fora do campo o Santos tem parte da culpa, pois seus contratos são necessários para que ele se pague ficando no Brasil. Dentro do campo vai dividir a responsabilidade com quem? Robinho, Elano, Ganso, já se foram. Trouxeram quem? Montillo overrated? Ah tá…

      Não dá mais. Diretoria + Muricy montaram um time mediano pra baixo. Muricy não realiza um bom trabalho no Santos desde a Liberta’11, vencida na base do Muricybol, com pitadas de talento fornecidas por Neymar, Ganso, Arouca, Danilo…

      Abraços!

  • Cleibsom Carlos

    Como não existe, AK? E todos os programas e jornais especificamente esportivos que existem no Brasil? O próprio Lance está inserido neste rótulo, o resto são sofismas e jogos de palavras. Como esta imprensa é sempre depreciada pela imprensa dita culta, o que é estúpido, os jornalistas que trabalham nela não gostam de vê-la chamada assim. Talvez o termo não seja esse e essa dita por mim “imprensa esportiva brasileira ” são todos os veículos de informação esportivos que estão localizados geograficamente no território brasileiro. E esta imprensa em sua imensa maioria emite opiniões favoráveis ao “menino de ouro” Neymar.

    AK: Errado. Cada jornalista é responsável pelo que pensa, diz, escreve. E sua afirmação sobre o que incomoda ou não a um jornalista de esporte é falsa. Um abraço.

    • Cleibsom Carlos

      Em nenhum momento eu falei que o jornalista não é responsável pelo que escreve. A imprensa esportiva não tem um pensamento único, graças à Deus, e por mais que neguem, os “jornalistas esportivos” quando rotulados assim ficam logo com o ego ferido, afinal, por mais que eles só falem de esportes, eles não são “jornalistas esportivos” e sim “jornalistas”…Perceberam a diferença?

      AK: Vejam, amigos, como é difícil. Abraços.

      • Teobaldo

        Não falei (quer dizer, escrevi) que “a imprensa” era uma resposta irresistível?

  • Alexandre

    O Muricy foi importante na conquista da Libertadores de 2011, mas a impressão é que desde então seu desempenho como técnico do Santos tem sido cada vez mais sofrível.
    Para alguns, a ficha caiu já no jogo contra o Barcelona. Seis meses de trabalho foram insuficientes para que o Muricy montasse um time minimamente competitivo, e o que se viu foi um técnico e um time entregues.
    É verdade que o Santos errou bastante em contratações nos últimos anos, embora muitas delas tenham sido por indicação do próprio Muricy, mas com um elenco bastante modificado durante o período, o time dele nunca chegou a convencer em dois anos.
    Enquanto o Neymar, junto com dois ou três valentes companheiros, conseguia carregar o time, tudo corria razoavelmente bem.
    Não dá mais!

  • Paulo Pinheiro

    Vou ser sincero: eu hoje não gostaria do Luis Fabiano no meu clube.
    Não acho que ele seja um “ex-jogador em atividade”, mas chegou a um momento em que seu custo tem sido maior que seu benefício. E não estou falando só do custo financeiro. Ele cria problemas demais e resolve problemas de menos. Quando a balança pendia para o outro lado valia a pena.

    Sobre o Neymar (no momento em que escrevo já está sacramentada sua saída) queria lembrar uma coincidência: Em 2005 o último jogo do Robinho (a jóia da época do Santos) antes de se transferir para o Real Madrid também foi contra o Flamengo. Na ocasião o rubro-negro venceu por 2×1. A única derrota do Santos naquele campeonato com o Robinho em campo.

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