COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

RECOMEÇO

1 – A primeira grande diferença em relação ao jogo de ida é a aparição de Neymar. Apagado (machucado?) no Pacaembu, ele surge na Vila Belmiro como condutor dos movimentos ofensivos do Santos. O que transforma a dinâmica do encontro, também porque o Corinthians não marca no ataque como fez no primeiro jogo. Decide explorar a necessidade do Santos de ser mais ousado.

2 – Enquanto Santos e Corinthians empatam, as faltas ganham. O apito rápido de Guilherme Cereta de Lima faz do árbitro um adversário comum. Dez faltas nos primeiros quatorze minutos. A cada marcação, uma reclamação. Somatória da tensão dos dois times com a tensão de um apitador em sua primeira decisão.

3 – Neymar desequilibrante. Sensacional passe pelo alto, para a entrada em diagonal de Felipe Anderson. Surpreendente, pela inversão de papéis. Prova do arsenal do jovem craque. Cássio impede o gol santista, mas não a impressão de que Neymar está disposto a decidir.

4 – 26′, 1 x 0. Cobrança de falta de Neymar do lado direito, jogada ensaiada. Durval ajeita de cabeça para Cícero concluir. Menção mais do que honrosa para o giro acrobático do santista, que vence Cássio com um chute forte.

5 – 28′, 1 x 1. Danilo estava fora do campo no instante do gol do Santos, em atendimento por causa de um corte na testa. Reapareceu na área com a cabeça enfaixada para empatar o clássico. Jogada de todo o ataque corintiano, que Danilo completa após o rebote de Rafael. Melhor empate do que esse, praticamente imediato, só se fosse no último minuto.

6 – O enfrentamento revela dois times em estágios distintos. O Corinthians ataca inteiro, usando a força e os automatismos de seu conjunto. O Santos ameaça via Neymar, um jogador capaz de representar a totalidade das opções ofensivas de sua equipe.

7 – O travessão é amigo de Rafael. O primeiro tempo não termina com vantagem do Corinthians apenas porque a moldura do gol santista rejeita Paulinho e Danilo.

8 – Joga-se por um gol. O Santos, para garantir a decisão nos pênaltis e gerar uma pressão no final. O Corinthians, para colocar gelo no jogo. O contra-ataque corintiano flerta com o gol do título, em dois lançamentos longos desperdiçados por Edenílson e Romarinho.

9 – Em tese, é um cenário sob medida para o Corinthians, um time que se sente à vontade ao confiar na solidez defensiva combinada com a transição em velocidade. Na prática, o tempo passa e o Santos, sem outra opção, troca precaução por ousadia sem pagar o preço correspondente.

10 – Alexandre Pato em campo. Um gol incrivelmente perdido contra o Boca Juniors, um pedido por mais tempo em campo, e quinze minutos – um por cada milhão de euros investido em sua contratação – para justificar a demanda.

11 – A chegada dos acréscimos significa a impossibilidade de o Santos ser campeão no tempo normal. Santos em ligação direta, Corinthians em modo de manutençã da bola. E Pato perde mais um gol.

12 – Corinthians campeão paulista. Para o clube, é mais um, o vigésimo-sétimo título estadual. Para Tite, é o primeiro. Para o corintiano, é o recomeço de um ano que pode terminar com felicidade.

FRACASSO ESPECIAL

Eis que José Mourinho ostenta o pior desempenho entre todos os técnicos que dirigiram o Real Madrid por pelo menos três anos. A temporada 2012/13 termina sem nenhum troféu valioso, e com a celebração do Atlético de Madrid no gramado do Santiago Bernabéu após a conquista da Copa do Rei. A “estratégia de comunicação” de Mourinho tenta convencer as pessoas de que, com três semifinais seguidas de Liga dos Campeões, a posição do Real Madrid no continente foi restaurada. O argumento não dura nem trinta segundos, especialmente se comparado a técnicos que venceram o torneio pelo clube, com muito menos orçamento e poder.

FESTA

Devemos comemorar a inauguração do estádio mais caro do Brasil, que custou quase 80 milhões de reais a mais do que o dobro do previsto? Devemos comemorar que tudo foi feito com dinheiro do governo? Devemos comemorar que este estádio fica em Brasília?



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