COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

RINGUE

O dirigente corintiano Roberto de Andrade enriqueceu o debate futebolístico, anteontem, com a versão boleira do “eu não sou preconceituoso, tenho vários amigos negros”.

Em entrevista à Rádio Globo, o diretor de futebol do Corinthians externou seus sentimentos em relação à atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla no jogo contra o Boca Juniors. “Detesto violência, mas tem hora que parece que não resta outra coisa. Parece que só me restava bater na cara dele. Esse merecia!”, disse.

Registre-se que a declaração surgiu quase vinte e quatro horas depois da eliminação do Corinthians da Copa Libertadores, quando a temperatura do sangue já deveria ter retornado a níveis normais. Não que se deva perdoar que uma frase carregada de tanta infelicidade escape logo depois do jogo, quando custa mais conter os ímpetos. Mas nem a esse atenuante o citado dirigente pode recorrer. A distância entre o fato e o belicismo explícito de Andrade torna difícil crer que não estamos diante de um adepto do pugilato.

O que nos leva à repercussão mais preocupante de uma manifestação como essa. Não é preciso explicar a ninguém que vive o futebol no Brasil sobre o grave problema de violência que enfrentamos. Estimulá-lo é uma irresponsabilidade. Jogadores, técnicos e dirigentes têm obrigação de exercer seu papel no sentido oposto. Acéfalos que de fato agrediriam um árbitro – ou um torcedor adversário, um jornalista ou quem quer que seja – não devem receber esse tipo de aval oficial de um clube.

Mas é preciso oferecer a Andrade o benefício da dúvida. Acreditar que ele realmente não aprova o cenário que aventou, e só o fez por necessidade de posicionar o Corinthians em relação à atuação horrenda de Amarilla no Pacaembu. Outro equívoco. Primeiro porque o comentário sobre bater na cara do juiz paraguaio teve a companhia de uma acusação importante (“Ele veio com uma encomenda: tirar o Corinthians da Libertadores”, disse o cartola, na mesma entrevista). E depois porque o tom incendiário de argumentação não produzirá nada de interessante. Ao contrário.

Suponhamos que Roberto de Andrade saiba de algo que não sabemos, que indique que o Corinthians foi operado na quarta-feira. Imaginemos que se trate de uma retaliação da Conmebol pela forma como o clube se portou depois do episódio da morte de Kevin Espada. De que forma uma bravata serve ao que se pode fazer a respeito?

Dirigentes de clubes brasileiros, em sua maioria, sofrem de moléstias crônicas. Uma delas é a noção deturpada do que significa representar uma instituição. Muitos agem e se portam como se só devessem satisfação às próprias consciências. Se as declarações de Roberto de Andrade foram resultado de um impulso, o Corinthians deveria corrigi-las. Se foram fruto de uma estratégia pré-concebida, o erro é mais grave.

A arbitragem no futebol sulamericano é um filme de terror de baixo orçamento. Vociferar contra os atores é constrangedor e inútil, apenas alimenta as gargalhadas do diretor. Um clube como o Corinthians tem meios de exigir um elenco de melhor nível, ou não deve mais ir ao cinema.

Até para parecer malvado é preciso ser esperto.

ERRO CERTO

Riquelme falou a verdade quando disse que seu gol no Corinthians não foi intencional. A bola de curva chutada na direção do gol tem o objetivo de criar perigo, caso alguém a desvie ou não. No Pacaembu, a curva “não pegou” e o chute saiu mais alto do que ele gostaria. Se quisesse fazer o gol, Riquelme bateria de um jeito diferente, com o peito do pé, como contra o Grêmio em 2007.

ANO BOM

Contrariando o que se imaginava, o ano não tem sido tão ruim para o palmeirense. A campanha na Copa Libertadores teve exatamente a mesma duração das dos rivais. E o Grêmio, para onde Hernán Barcos se mandou em busca de melhores dias, também ficou nas oitavas. Mas o que interessa – e isso vale para todos – é como o ano termina.

MENTES GÊMEAS

Quando li Valcke (“Não há Copa no Brasil sem São Paulo”), lembrei de Teixeira (“O compromisso da CBF com São Paulo é o Morumbi”).



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