RISCO (MAL) CALCULADO



Sim, chegaremos a Carlos Amarilla em mais alguns minutos.

Mas há muito a ser considerado antes da atuação subversiva do árbitro paraguaio, porque o Corinthians é co-responsável por ela.

E não falo sobre a indicação dele para o jogo, que teria sido obra de dirigentes corintianos.

Falo sobre futebol mesmo. Ou falta dele.

O Corinthians não deveria ter nada a reclamar pela eliminação precoce, além dos próprios defeitos.

Permitiu, na Bombonera e no Pacaembu, que o Boca Juniors construísse o único caminho possível para passar pela eliminatória.

O pecado mais grave foi a postura fria no jogo de ida, quando não teve a capacidade de marcar o gol que encaminharia sua classificação.

Com um 1 x 1 em Buenos Aires, Amarilla poderia ter feito o que bem entendesse ontem – como fez – e o jogo iria para os pênaltis.

Ou, mais provável, já que o Corinthians teria praticamente todo o segundo tempo para fazer um gol, estaria agora nas quartas de final.

Mas esqueça por um minuto o gol que o Corinthians não fez.

A grande prova de que não foi a arbitragem que tirou o campeão da Libertadores é o lance com Alexandre Pato, precisamente aos 30 do segundo tempo.

Não tivesse ele se enrolado com a bola, a um metro da linha, é forçoso considerar a hipótese do Pacaembu empurrar o terceiro gol para dentro, não?

Haveria pelo menos 15 minutos para que isso acontecesse.

De modo que foi o Corinthians que se colocou na posição perigosa de não ter margem de manobra no jogo em casa.

Qualquer coisa que desse errado – um cruzamento que entra no ângulo, erros de arbitragem em ocorrências de gol – seria potencialmente decisiva.

Foi o Corinthians que falhou ao tratar o Boca Juniors como um adversário corriqueiro, talvez por tê-lo vencido na última fase da conquista histórica do ano passado.

O melhor Boca, o pior Boca, qualquer Boca… não faz diferença. Este é um clube que tem a Copa Libertadores gravada em sua carga genética, um clube em que a confiança no sucesso em jogos copeiros é absoluta.

Em qualquer época, com qualquer elenco, contra qualquer adversário, em qualquer lugar.

Um clube em que a confiança em jogos copeiros contra brasileiros, com Bianchi e Riquelme em campo, transborda.

Colocar-se na situação de não poder tomar um gol do Boca Juniors é ficar à mercê de uma “receita de classificação” testada e aprovada ao longo dos tempos. Algo que já vimos e ainda veremos muitas vezes.

Algo que o Corinthians deveria ter evitado a todo custo.

A oportunidade se apresentou na Bombonera, e, por tê-la negligenciado, o Corinthians deve se penitenciar.

Isto considerado, chegamos à arbitragem.

O trio comandado por Amarilla interferiu no resultado do jogo, no primeiro tempo, ao não marcar pênalti de Márin – que já tinha amarelo e seria expulso – e paralisar por impedimento inexistente o lance que terminou com um gol de Romarinho.

O segundo erro, que deve ser creditado ao auxiliar, é ainda mais prejudicial que o primeiro. Porque o gol de Riquelme aconteceu no minuto seguinte.

Independentemente disso, um jogador como Román, com tamanho currículo de vítimas brasileiras na Libertadores, jamais poderia ter sido presenteado com tal liberdade para lançar a bola para a área.

Tenha sido um cruzamento ou não.

Houve mais equívocos? Provavelmente sim. Mas não foram tão danosos ao jogo quanto os dois acima mencionados.

Que só foram tão danosos aos objetivos do Corinthians, porque o próprio Corinthians permitiu.



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