COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

É A POSSE

O afastamento de Jorge Henrique não foi uma decisão intempestiva de Tite e da diretoria do Corinthians. Os episódios antiprofissionais do atacante são antigos, remontam à época em que o técnico era Mano Menezes. No segundo semestre de 2009, em virtude de atuações decisivas nos títulos da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista, Jorge Henrique mereceu e depois deslumbrou-se com um aumento salarial. Passou a agir como se treinar fosse uma opção. De lá para cá, alternou fases boas e ruins fora do campo.

Já sob Tite, ele não pode reclamar de punição sem aviso, tantos foram os conselhos que recebeu de companheiros para não acabar por comprometer a própria carreira. O Corinthians tem um grupo capaz de se regulamentar quando percebe desvios de comportamento, sejam eles de conduta externa ou interna, como no caso do descontentamento de Emerson Sheik com seus minutos em campo, resolvido momentaneamente. Quem chega a ponto de ser disciplinado de cima para baixo, como Jorge Henrique e, há mais tempo, Chicão, é porque ultrapassou várias camadas de proteção.

Perder Jorge Henrique prejudica o Corinthians no ponto de vista tático, especialmente num momento de decisão, mas os maiores problemas estão mais relacionados ao jogo em si. Quem observa o time não demora a notar uma clara diferença em relação ao ano passado: falta pressão no nascimento de jogadas do adversário. Mas este é o sintoma. A doença é um decréscimo na capacidade de manter a bola, que altera a dinâmica das posses e sobrecarrega Paulinho, Ralf e o sistema defensivo.

Alguns fatores contribuem para um time mais verticalizado e, por consequência, mais vulnerável. A idade de alguns jogadores, como Danilo, Fábio Santos e Alessandro é um deles. A lesão de Renato Augusto, outro. A baixa produção de Douglas, mais um. Juntas, tais circunstâncias produzem uma equipe que ataca com menos elaboração e expõe seus dois volantes a um constante ioiô entre as duas metades do campo.

Essa maneira de jogar não é, necessariamente, um problema para a decisão do Campeonato Paulista, que começa amanhã. Corinthians e Santos entram na final em igualdade de condições. As dificuldades serão maiores na próxima quarta-feira, quando o Boca Juniors virá ao Pacaembu com vantagem de um gol, ostentando a picardia que o caracteriza neste tipo de situação. Para construir o resultado que lhe transportaria para as quartas de final, sem depender da sorte ou da improvável colaboração do adversário, o Corinthians terá de gerar jogo como fez em 2012.

Só com percentuais de posse de bola mais generosos – e objetivos – será possível controlar a partida nos dois lados da bola, o que aproximaria o Corinthians de suas pretensões. Outra característica do conjunto que eternizou a temporada passada era a segurança que fazia o torcedor crer que o time poderia não vencer um jogo, mas também não o perderia. Sensação que ainda não se apresentou em 2013.

Não há momento mais apropriado do que o atual para voltar no tempo. A questão é como.

INTERPRETAÇÃO DE DRIBLE

No segundo tempo do recital oferecido pelo Atlético Mineiro, na quarta-feira, Ronaldinho Gaúcho fez uma jogada “de melhor do mundo” rente à linha lateral. Constrangedora sequência de dribles ilusionistas que, se encontrassem um gol – quase aconteceu – ao final do lance, o Independência certamente seria interditado por excesso de emoção. Foi uma aparição que reuniu magia e perigo, espetáculo e competição, nada que merecesse uma caracterização negativa. As declarações de jogadores do São Paulo em referência ao que teria sido “menosprezo” por parte de Ronaldinho são deprimentes. Um futebolista tem três opções ao se ver diante de uma ameaça dribladora: 1) aplaudi-lo, o que não seria muito profissional; 2) desarmá-lo, exibindo a própria qualidade; e 3) quebrá-lo, e lidar com as consequências. Passar recibo sentimental não é aceitável.



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