CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SENHORES

Sempre vi um pouco de Telê Santana em Alex Ferguson. O olhar repleto de sabedoria, o mau humor perfeccionista, o mastigar eterno de um chiclete ou coisa que o valha.

O semi-sorriso de Telê no Japão, enquanto Raí corria para comemorar seu gol contra o Barcelona, é Ferguson puro. Está tudo ali: a alegria contida, porque nada é definitivo; o semblante que revela o pensamento longe, em algo mais importante; as palavras (“não te falei, meu filho?”) que não precisam ser ditas.

Vi Sir Alex duas vezes, em decisões de Champions League. Na primeira, em 2008, a madrugada moscovita já marcava quase 3h30 do dia seguinte à conquista do Manchester United nos pênaltis, contra o Chelsea. Ele passou apressado pela zona mista, carregando seu paletó. Aos pedidos de uma palavra, respondeu com duas, balançando a cabeça: “muito cansado”. Não duvido que, apesar da felicidade, o homem tenha dado uma bronca em seu time pela demora para ganhar o título. Não há sentido em chegar ao hotel com o dia amanhecendo.

Na segunda, após a aula do Barcelona em Wembley, dois anos atrás, Ferguson reconheceu seus erros ao dizer algo como “fazia tempo que não levávamos um baile assim”. Nobre como só ele.

Como Ferguson, Telê se equivocava, sabia ser teimoso e chato quando queria. Mas não havia como duvidar de suas intenções ou suspeitar de seus conselhos. Ou, ainda, criticar sua ideia de futebol.

Tipos assim parecem carregar os segredos do jogo no bolso. Devemos prestar atenção quando eles falam, desfrutar do conhecimento que estão dispostos a transmitir, descobrir formas de admirá-los mesmo quando a empatia não é automática.

De certa forma, gente como Telê e Ferguson são o futebol. Sem eles, o que sobra são famintos midiáticos, ensimesmados, que pretendem nos convencer de que partidas começam a ser vencidas na sala de imprensa.

Longa vida a Sir Alex.

PALMAS

Um aplauso a Rodrigo Caetano, Abel Braga e a todos os envolvidos na decisão tomada pelo Fluminense de dar suporte ao jovem Michael. Emocionantes as declarações de Abel no sentido de “adotar” o jogador. Que Michael receba a ajuda de especialistas e compreenda a importância do momento que vive. E que outros clubes, em situação semelhante, façam o mesmo.

MAIS PALMAS

Outro aplauso aos vereadores do Rio de Janeiro que apresentaram um projeto de lei para substituir o nome do Engenhão. Sai João Havelange, entra João Saldanha. Saem a política e a corrupção, entra o futebol. Mas devo insistir: que a troca aconteça apenas depois da reabertura do estádio. Enquanto estiver interditado, que o nome de Havelange permaneça.



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