SEGUNDO TEMPO, INDEPENDÊNCIA



Atlético Mineiro 4 x 1 São Paulo

1 – Frenético Mineiro. Blitz feroz nos primeiros segundos do jogo. Duas chances evidentes antes do cronômetro marcar dois minutos. Pressão que reúne a adrenalina, o barulho e a velocidade com que a bola chega ao gol são-paulino. Não é correto dizer que o visitante sentiu o golpe, porque o jogo mal tinha começado. Não houve mudança de comportamento. O árbitro apitou, a bola chegou à área de Rogério e de lá não saiu.

2 – Uma aparição de Ganso na área obriga Victor a usar os pés. Falsa sugestão de que o jogo passou a ser disputado por duas equipes. Engano. O Atlético não está instalado no campo de ataque, mas controla tudo o que acontece no Independência. A um São Paulo de posses curtas, resta tentar converter em calma uma tempestade assustadora. Em vão. Tardelli e Bernard são velozes demais.

3 – O Atlético agride como uma série de ondas num dia de ressaca. O São Paulo tem apenas o tempo suficiente para erguer a cabeça acima da superfície, antes que uma nova montanha de água desabe. E o perigo vem de todas as formas. De trás, pelo chão, com os volantes mineiros ultrapassando as linhas de pressão sobre a bola. De perto, com o alto volume de desarmes na metade do campo. E de longe, com a já tradicional bola longa de Victor em ligação direta.

4 – 17′, 1 x 0. De Victor para o campo de ataque, a ideia é que Jô “quebre” a bola para um dos atacantes. A jogada do gol não se desenvolve assim. Mas a bola encontra Tardelli no lado direito. O passe para Bernard liga o alarme na defesa do São Paulo. A sobra para Jô é aproveitada com um petardo.

5 – Em oportunidades construídas, o primeiro tempo termina com 5 x 1 a favor do Atlético. Pelo volume, pareceu até mais.

6 – A primeira obrigação do São Paulo era entrar em estado de amnésia induzida. Esquecer onde estava, como estava e quanto estava. Recomeçar do zero em busca de no mínimo dois gols improváveis. Mesmo se conseguisse alcançar tal desprendimento, teria de lidar com um adversário superior e longe, longe de estar satisfeito. Nem nos piores cenários os planos tricolores consideravam o que se passaria no segundo tempo.

7 – 17′, 2 x 0. Mesmo minuto do primeiro gol, e mesmo autor. A zaga são-paulina perde Jô na linha do impedimento. Jô não perde a chance de iniciar a festa. O placar encerra o confronto, mas não o jogo. O Atlético tem outras intenções.

8 – 19′, 3 x 0. Nocaute. Mais uma bola que vem do campo de defesa, e Rafael Tolói resolve participar do ataque do Atlético. Não percebe Tardelli, em altíssima velocidade, passar por ele em direção à área. Cabeceia na medida para a intervenção do atacante, antes de Rogério. O jogo entra oficialmente no território das goleadas, opõe euforia e depressão com contornos claros.

9 – 23′, 4 x 0. De batido a abatido, o São Paulo perambula no Independência à espera do fim do sofrimento. Mas, além de ser muito cedo para a rendição, o Atlético está se divertindo. Começa o show estético de Ronaldinho, que jogava muito bem mas com certa discrição. Ele ganha no ombro de Wellington e aciona o artilheiro da noite. Triplete de Jô.

10 – 30′, 4 x 1. O São Paulo chega a um gol que será pouco lembrado. Luis Fabiano.

11 – Aparição de Ronaldinho melhor do mundo. Sequência de fintas humilhantes na lateral do campo, uma delas para Douglas jamais esquecer. Outra finta na área, e o gol não sai por pouco. Magia.

12 – Majestoso Atlético. Entre dois times grandes do futebol brasileiro, é um dos jogos mais unidimensionais dos tempos recentes. Um Atlético dominante em todos os ângulos. Vibrante e brilhante. Um São Paulo superado, subjugado, entregue. Não houve competição no Independência nesta quarta-feira. Houve uma exibição de um excelente time de futebol.



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