COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SORRISO AMARELO

O clássico:

1 – São Paulo em controle. A soma da postura menos agressiva da primeira linha corintiana com a qualidade do trato de Jadson e Ganso resulta num início em que o dono da casa propõe os movimentos. O São Paulo também não pressiona com a mesma verve que se viu contra o Atlético, talvez por causa do desgaste excessivo sofrido na quinta-feira.

2 – É um mistério o recuo do Corinthians em relação a uma de suas características mais marcantes em 2012. A trégua oferecida à saída de jogo do adversário compromete a recuperação da bola no campo de ataque. Ao mesmo tempo, não se vê um time perigoso ao esperar o oponente para surpreendê-lo na transição. Assim como na Bombonera, é um Corinthians que conversa ao invés de discutir.

3 – A posse do São Paulo leva o jogo às portas da área corintiana. O último passe para Luis Fabiano se converte na maior ameaça, o que obriga a última linha alvinegra a viver no limite do precipício. Acionado em condições de marcar, a maior competição do 9 são-paulino é a linha de impedimento, que o vence – uma jogada, milimétrica, deveria ter seguido – durante o primeiro tempo.

4 – Osvaldo no hospital. Dores no osso do quadril o retiram do jogo e exigem um raio-x. Mais um problema médico para um time que perdeu dois jogadores no meio de semana, com lesões musculares. A ausência de Osvaldo torna o ataque do São Paulo mais previsível. Enquanto a semifinal do Campeonato Paulista se desenvolve, a missão de quarta-feira no Independência fica mais difícil.

5 – Poderia se esperar uma queda física do São Paulo no segundo tempo. Reflexo do esforço excessivo por jogar cerca de uma hora com um homem a menos contra o Atlético Mineiro, na noite de quinta-feira. O Corinthians atuou na noite anterior. Mas não é o que se percebe no Morumbi, talvez porque o visitante não acelerou o passo na segunda metade do clássico.

6 – O jogo se deteriora rapidamente. Um clipe de melhores momentos da etapa final se transforma em tarefa inglória até para o mais otimista dos editores. Para um observador desatento, nada indicaria que se trata de uma semifinal, um passo para a decisão de um título. Nível de vibração que revela o prestígio do torneio. Nem a rivalidade é estímulo. Os dois times carregam o jogo para a disputa de pênaltis, em que uma derrota e sua repercussão doem menos.

7 – Dois dos jogadores mais importantes do São Paulo falham. Ganso perde o alvo, Cássio rejeita Luis Fabiano. Erros que ficarão na memória de quem conseguir se lembrar deste domingo. A cobrança desperdiçada por Alessandro, o mais condecorado dos atuais jogadores do Corinthians, será esquecida.

8 – O que ficará na história: antes de levar o Corinthians à final, Alexandre Pato cobrou um pênalti com barreira.

9 – O Campeonato Paulista é uma companhia oportunista para a Copa Libertadores. Atrapalha quem sustenta as duas frentes, não consola quem perde o que é mais importante e mais desejado. Quem fica pelo caminho no estadual pode se concentrar no principal objetivo, como fez o Corinthians em 2012. É o que o São Paulo quer, mas não será fácil.

SUPREMO GLORIOSO

Não haverá final no Rio de Janeiro neste ano, porque a superioridade do Botafogo decidiu o campeonato antes. No futebol, não há campeão sem merecimento, mas há torneios em que não sobra absolutamente nada para os outros. Quando se contar a história deste estadual, só se falará sobre o Botafogo. O time que venceu o primeiro turno e todos os jogos do segundo. O time que mostrou trabalho, desempenho e resultado. O time que tem um treinador competente, um líder internacional e um elenco que permite ao torcedor sonhar com uma temporada orgulhosa. O estadual carioca de 2013 foi o campeonato que já não tinha o Maracanã e perdeu o Engenhão. Um campeonato decidido fora do Rio de Janeiro, por falta de estádios. Um campeonato sem público. Mas foi o campeonato do Botafogo e dos botafoguenses, que não têm nada a lamentar. Apenas a comemorar.



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