SENSIBILIDADE



(o jornal me pediu um texto, para a edição de hoje, sobre Boca Juniors 1 x 0 Corinthians. Aí vai.)

SENSIBILIDADE

Tite se irritou com a sugestão de que o Corinthians “sentiu” a Bombonera. Ele tem razão, mas não no apelo aos títulos, usado para imunizar o time desse tipo de fraqueza. O Corinthians realmente não sentiu o jogo, o que explica a atuação pouco característica. Se tivesse sentido, provavelmente teria vencido.

É necessário estar em sintonia com o momento. Talvez seja difícil interiorizar o chamado “espírito de decisão” numa fase da competição em que as coisas ainda parecem mornas. Mas as oitavas de final são tão decisivas quanto o que está adiante delas. E contra o Boca Juniors, qualquer Boca Juniors, é obrigatório antecipar – em todos os aspectos – a máxima dificuldade.

O atual time do Boca é claramente inferior ao do Corinthians. A maneira como se portaram em campo revela que os argentinos têm exata noção da diferença técnica entre as equipes. O Boca conduziu o jogo para o território que lhe interessava, um ambiente de mais pressão e intensidade. O Corinthians passou mais tempo preocupado em responder ao convite do adversário do que em fazer o que lhe tornou campeão.

Só Tite pode dizer se a marcação recuada foi uma ordem ou uma adaptação. A fragilidade e o momento ruim do Boca sugeriam que a pressão alta era o mecanismo indicado para gerar uma vantagem no placar. O Corinthians decidiu esperar e pagou por isso. Tomou um gol “sem querer”? Sim. Mas esse é o risco que correm os times que permitem que a bola ronde sua área.

Tite também tem razão quando diz que o resultado é plenamente reversível. A derrota em Buenos Aires significa, apenas, que a margem de manobra do Corinthians no Pacaembu será menor. Situação perigosa contra times que, independentemente do momento e do elenco, sabem como explorar a necessidade do adversário de propor o jogo. O Boca Juniors é catedrático nessa área.

O desnível técnico deve prevalecer no jogo de volta, se o Corinthians utilizar o que não fez na Bombonera como um aviso. Desde a Libertadores do ano passado, houve momentos em que faltou futebol. Mas ainda não havia faltado postura.

É preciso “sentir” esses jogos.



  • alex

    Análise perfeita…..espero que tanto o Tite quanto os jogadores leiam umas 15 vezes esse post.

    Talvez seja tarde demais….

  • Anna

    Nao da pra menosprezar o Boca em nenhuma situacao… Sera que e o fim da Era Corinthians… Esse mesmo questionamento e aplicado ao Barcelona… Creio que o Corinthians vai virar no jogo de volta. Otimo final de semana, Anna

  • RENATO77

    Esperava “menos” do Boca, sinceramente.
    Não consegui ver muita diferença entre o jogo da final na bombonera e o deste ano, além do placar. Sofremos com a posse de bola do BJ em 2012. Agora não foi diferente. Fizemos o gol com Romarinho no ano passado. Desta vez, bateu na trave.

    Enfim, o SCCP joga assim. Sempre no limite. Desde Mano Menezes.
    Um mata-mata de libertadores entre BJ e qualquer outro clube será jogo duro e de difícil e prognóstico sempre.
    Tô cabrero, preferiria outro clube, qualquer brasileiro seria melhor, seria “menos” ruim para o SCCP. Vamos ter que encarar a mística de Bianchi/BJ x brasileiros decidindo no Brasil.
    Xô zica!
    Abraço.

  • Guilherme

    Parabéns André! Mais uma vez sua análise foi perfeita!

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