CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DIREITO

Parece claro que, aos ouvidos do torcedor do Palmeiras, o nome do estádio erguido onde ficava o Palestra Itália deveria exibir uma ligação íntima com a antiga moradia do clube. A remodelação do local, feita com recursos de terceiros e destinada a transformar uma praça essencialmente esportiva em sede para diversos tipos de eventos, representa uma valiosa oportunidade para todos os envolvidos, mas – ainda – não foi capaz de romper com certas tradições.

O nome do novo estádio do Palmeiras é um dos protagonistas da operação que possibilitou que ele exista. Nela, a grosso modo, a construtora (WTorre) se encarrega de erguê-lo sem que o clube disponha de um real. O clube recebe um estádio top de linha e concorda que, por um período pré-determinado, a construtora o explore para reaver seu investimento e, obviamente, mais do que isso. Uma das maneiras de fazê-lo é comercializar os direitos de nomenclatura do lugar.

Para tanto, é preciso que alguém se interesse por estampar sua marca na fachada e a ver mencionada pelo público e meios de comunicação. É publicidade pura e simples. Paga-se por espaço e pela mídia gerada. Nesta semana, soube-se que uma seguradora alemã (Allianz) aceitou investir R$ 300 milhões para ter esse direito por 20 anos.

É um absoluto contrassenso pretender que uma empresa disposta a tal investimento (lembre, sem ele o negócio não fica em pé) escolha um nome que não seja o que lhe interessa. Impor a quem contribui para o financiamento do estádio uma outra sugestão é o equivalente à seguradora determinar à construtora que materiais utilizar na obra. Ou ao Palmeiras a escalação de seu time.

Num cenário ideal, a empresa detentora dos direitos optaria por um nome de consenso e todos ficariam felizes. Mas a questão é prerrogativa dela. Num cenário verdadeiramente ideal, o clube não precisaria de ninguém para construir seu estádio.

DINHEIRO VEM

A Juventus construiu seu próprio estádio e escolheu chamá-lo de Juventus Stadium, o que deve agradar boa parte dos torcedores. Mas os direitos de nomeá-lo já foram negociados com uma empresa de marketing que está a procura de interessados. Quando, e se, alguém chegar a um número que agrade, o nome mudará. E a maior torcida da Itália terá de compreender.

DINHEIRO VAI

Ainda no tema, que ninguém se atreva a mudar o nome do Engenhão. A mais recente movimentação de João Havelange, renunciando à presidência de honra da Fifa para não ser expulso por corrupção, impõe que o estádio interditado continue a levar seu nome. Num país decente, as “comissões” embolsadas deveriam ser devolvidas e usadas para corrigir o projeto.



  • Palmeirense, 42, eu costumava chamar o estádio de Parque Antártica, e só nos últimos anos é que passei a chamá-lo de Palestra.

    Se ficar Allianz Parque, com a devida anuência de quem está bancando os 300 paus, para mim estará mais do que bom.

    AK: O interessante é que o termo “parque”, visto como melhor opção no sentido nostálgico, remete a um nome de estádio que nada tem a ver com o clube. É óbvio que sempre haverá opiniões e preferências, mas antes de um nome, há um estádio – o que é de fato importante – que só foi erguido porque o nome pode ser vendido. Um abraço.

  • Leandro Azevedo

    Sem contar que em lugar nenhum no mundo estádios que usam do recurso de “naming rights” fazem qualquer alusão ao time que joga no estádio, mas no Brasil acham que deveria ser diferente.

    E achar ruim um investimento no estádio para colocar um nome, que muito provavelmente nem será usado pela torcida e rede Globo nas suas transmissões, é arrumar problema onde não existe.

  • Emerson Cruz

    Não entendo o que faz uma empresa investir tanto dinheiro para ter seu nome num estádio brasileiro. Afinal, do ponto de vista da exposição da marca me parece dinheiro jogado fora, pois no Brasil a maior parte da mídia omite o nome do patrocinador que nomeia o palco do jogo. Exemplos: O Ba-Vi continua sendo disputado apenas na Fonte Nova. No Paraná, a Kiocera Arena sempre foi a Arena da Baixada. Em São Paulo não importa o nome que queiram atribuir, dificilmente os estádios de Palmeiras e Corinthians, deixarão de ser, respectivamente, Arena Palestra Itália, e Arena Corinthians, ou Itaquerão.

  • Renato Orsi

    Oi André, sou palmeirense e concordo que a empresa tem total direito de chamar o estádio do que bem entender. O torcedor precisa entender que o Palmeiras praticamente alugou um imóvel comercial para uma empresa mediante uma senhora reforma do local. Onde já se viu um proprietário que aluga um imóvel comercial querer definir o nome do comércio que ali se instalará? O grande erro da Allianz foi abrir a escolha do nome para voto popular. Deveriam ter escolhido o nome (como até acho que já escolheram) e pronto.
    Abraços!

    AK: Exato. Um abraço.

  • Lippi

    André, eu sou palmeirense e o nome que mais me agradaria (e acho q da maioria da torcida) é Allianz Palestra. Mas, até para uma possível “projeção internacional”, gostei do Allianz Parque, até pq pode ser falado como ‘Allianz Park’ pelos gringos.. E ainda vai ter uma relação com o clube e tudo mais…
    Acho que o grande problema é se a imprensa em geral vai realmente usar e difundir os nomes desses estádios.
    Abraço

  • Teobaldo

    Neste caso é impossível não generalizar: “A imprensa” (não adianta perguntar quem é “a imprensa” porque eu não sei a resposta) terá papel fundamental em ajudar a fazer os “nomes dos estádios pegarem” e, indiretamente, incentivará novos investimentos, de outros parceiros, em naming right.

  • Leonardo Moamed

    AK, eu comentei isso com um amigo meu. O torcedor palmeirense, assim que surgiram os rumores, começou a elaborar alguns nomes. Entre eles, o “Allianz Palestra”. Por que, então, não topar este nome? Cada uma, viu. Depois não sabem o motivo de não se aproximarem do torcedor. Já começou da maneira errada: contrariando o cliente.

  • Joao CWB

    Caro André, o que acha de comentar um pouco sobre coisas que ocorrem fora do “eixo do mal”?

    Aqui no Paraná o Atlético conseguiu uma jogada muito astuta, que acabará beneficiando até os rivais acomodados.

    http://exorbeo.com/2013/05/atletico-paranaense-da-licao-de-como-negociar-com-a-rede-globo.html#comment-4338

    Abraço

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