O LINK DA LIGA



Um cenário que parecia inevitável no jogo no Bernabéu era o que aconteceria quando o Real Madrid marcasse o primeiro gol.

A materialização da vantagem para um time que certamente seria só pressão nos movimentos iniciais testaria a capacidade do Borussia Dortmund de se controlar.

E o teste mais importante se apresentaria nos primeiros minutos após o gol, quando se costuma verificar se um time absorveu ou não o impacto do golpe.

Nós vimos tudo no final do jogo. O Dortmund não reagiu bem ao gol de Benzema, aos 38 minutos do segundo tempo. Tanto que levou o segundo, de Sergio Ramos, cinco minutos depois.

Mas o futebol é tão difícil de prever que, quando tudo indicava para um colapso de gigantescas proporções, os alemães não capitularam ao ambiente, aos próprios medos, e à iminência de mais uma remontada do Real Madrid (2 x 0 no Borussia Dortmund, eliminado no placar agregado de 4 x 3).

Sim, havia tempo para o improvável 3 x 0. O árbitro Howard Webb deu 5 minutos de acréscimo e deixou o jogo seguir por um pouco mais do que isso.

Mas foi exatamente quando se viu à beira do abismo que o Dortmund teve frieza para consumir alguns valiosos segundos, ao invés de apenas se defender de uma amedrontadora blitz espanhola.

Foi o desfecho de um jogo que não parecia caminhar para momentos de tamanha tensão.

Até sofrer o primeiro gol, o Dortmund se comportava tão bem que dava a impressão de que venceria.

Os alemães pecaram por falta de agressividade no início, optando por proteger sua área em vez de sair para definir a noite com um gol fora de casa. Preferiu aguardar a tempestade passar, embaixo de um pequeno guarda chuva, a procurar um lugar seguro.

Quase foi levado pela enxurrada, nas chances claríssimas que Higuaín e Ozil perderam.

O risco pareceu válido à altura da metade do segundo tempo, quando o Madrid nitidamente cansou e o Bernabéu se resignou com o 0 x 0.

Lewandowski, livre, já tinha chutado uma bola no travessão, e Gundogan, mais livre e mais perto, obrigado Diego Lopez a fazer uma defesa monstruosa.

Foi quando o Madrid abandonou o bom senso que de nada lhe servia e criou o instante que mudou tudo.

O furioso cerco à área alemã sugeriu que havia o dobro de jogadores brancos em campo. 1 x 0, 2 x 0 e o Dortmund pedia para sentir o que fez com o Málaga.

Engano.

Quando a pressão subiu a níveis quase insuportáveis, o time de Jurgen Klopp mostrou lucidez.

A sensação de que faltou tempo ao Real Madrid disfarça, mas não esconde, a falta de futebol que proporcionou o resultado largo no jogo de ida.

A quimera da décima conquista europeia se desfez nas semifinais pelo terceiro ano seguido.

Todos os sinais indicam que foi a última temporada de José Mourinho no clube, concluindo um período em que as promessas superaram amplamente a realidade.

Ensimesmado em destronar um rival doméstico, o treinador mais bem pago do mundo não foi capaz de construir um time que se impusesse no torneio continental.

Não lhe faltou orçamento.

O Borussia Dortmund é um finalista genuíno, um time que é mais do que a soma de seus jogadores, a metade de uma decisão alemã que pode se completar nesta quarta-feira.



  • Joao Daniel

    André, boa noite.

    “Os alemães pecaram por falta de agressividade no início, optando por proteger sua área em vez de sair para definir a noite com um gol fora de casa”

    Quanto ao paragrafo citado, penso q so faltou citar um detalhe. A lesao de Gotze. Ao entrar o Grosskreutz, fez com q o Borussia ficasse mais lento, resultando na falta de agressividade, ja q o polones é mais lento e tem menos passes q o pequeno alemao. De resto, belo texto. Abs!

  • Gustavo

    Joao, o Grosskreutz eh alemao, nao polones.

    Andre, ja acertei metade do meu palpite. Agora eh so esperar a confirmacao do Bayern amanha.

    Ficou provado que quem joga pra segurar resultado se da mal nessa Champions. O Bayern achava que tava ganho e quase eh eliminado pelo Arsenal. Mesma coisa com o Real vs Galatasaray, e agora o Borussia que sempre joga pra frente quase poe tudo a perder.

    Logico que as chances do LewanGOALski (aquela bola no travessao) e principalmente do Gundogan, se tivessem entrado mudariam completamente o panorama da partida e matariam o Real de uma vez.

    • Joao Daniel

      Gustavo, falhei nessa! Valeu pela correçao. 🙂

  • Leonardo Moamed

    Pergunta: A seleção “mundial”, que é anunciada no dia da entra da Bola de Ouro, leva em consideração apenas a temporada, né? Se for assim, Weidenfeller não merecia ser eleito o melhor goleiro do ano? Apesar de tecnicamente Buffon e Casillas serem melhores, nenhum deles o superou. Eu votaria.

  • Alexandre

    Que sina do Madrid, hein!
    Se livrou da maldição de cair sempre nas oitavas (seis (!) vezes seguidas entre 2005 e 2010), para cair logo em seguida na maldição das semis (2011,2012 e 2013).

  • Fernando Almeida

    Criticar um treinador porque não ganhou a Champions League é falta de bom senso, o trabalho do Mourinho é longe de ser ruim. Quando chegou o time não estava ganhando nada, há anos não passava das oitavas de finais da competição européia e era massacrado pelo Barcelona. Agora foi campeão do Espanhol e da Copa do Rei, além de ter alcançado por 3 vezes consecutivas a semifinal da Champions e, no momento, ter revertido o domínio do Barcelona nos confrontos diretos. O trabalho pode até não ser fantásticos, mas é um bom trabalho sim.

    AK: Mourinho não foi contratado para isso. Um abraço.

    • Thiago Luiz

      É exatamente por essa mentalidade que o Real Madrid se decepcionou com Mourinho. Embora o time do Real fosse subjugado pelo Barça de maneira humilhante (subjugar de maneira humilhante é uma redundância proposital, ante o domínio aplicado), a função de Mourinho não era essa. Claro, para conquistar a Europa seria preciso ultrapassar o time catalão, acabar com sua hegemonia na liga espanhola, superar as dificuldades a nível europeu (não creio que poderíamos chamar de hegemonia a nível europeu. Faltou pouco, mas não o consideraria hegemônico).

      Porém, talvez pela obsessão do português somado ao grande rancor sentido pelos madrilistas por conta do que estava acontecendo com o futebol do Barça, ele pensou (ou simplesmente colocou na cabeça) que sua principal função era tirar o Barcelona do topo. Pensando por esse lado, realmente ele foi bem-sucedido. Em parte por sua qualidade, em parte pela queda natural do Barcelona.

      O que foi esquecido é que o Real Madrid é grande demais pra se contentar com “três semifinais seguidas”. Se nessas semis houvesse uma final, ou um título, vá lá. Mas não… Parou aí. Como um time com 9 UCL’s iria ficar satisfeito com as semi-finais?

      Fazendo uma analogia bem simplória, é o mesmo que comemorar o Brasil eliminado nas quartas de finais da Copa do Mundo. Afinal, estar entre as 8 melhores seleções do mundo é algo grandioso. Será que você pensaria assim?

  • Gustavo

    Engracado que ninguem comentou nada da “contusao” do Gotze logo no comecinho do jogo…
    Levando-se em conta que eh praticamente certo que a final vai ser contra o Bayern nao ta parecendo armacao pra ele nao entrar em campo e nao se queimar com o pessoal do novo time?
    Talvez seja so mais uma teoria da conspiracao, mas eu sou torcedor do Borussia e estou inconformado de ver o cara indo pro Bayern desse jeito, entao me parece muito suspeito, ou muuuuita coincidencia.

    • Marcos Nowosad

      Achei a mesma coisa, Gustavo.
      Nao duvido muito se a “lesao” impedi-lo de jogar a final…

  • Emerson Cruz

    Dos 15 minutos de jogo, até o gol do Benzema o jogo esteve nas mãos do Dortmund. Os dois gols merengues ao final da partida transformaram a eliminação do Real Madrid em algo mais digno, afinal eles estiveram muito próximos de uma classificação que seria épica, os aplausos dos torcedores no Bernabéu ao final do jogo demonstram isto. Mas ao baixar a adrenalina, não há como não chegar a conclusão óbvia, o trabalho de Mourinho ficou aquém do que se esperava, seu título mais expressivo em 3 temporadas foi 1 Liga espanhola, chega a este momento eliminado por um time que custou algo em torno de 10% do seu, além disso o relacionamento com boa parte do seu grupo foi marcado pelos “problemas de vestiário”. Mou fracassou? Vai, ou fica? E agora, José?

  • José A. Matelli

    Goleiraço esse Diego Lopez. Ser titular do Real deixando um ídolo espanhol, com condição de jogo, no banco e dar conta não é para qualquer um. Será que ele permanece titular se o Mourinho sair?

  • RENATO77

    O pecado do RM foi ter perdido as boas chances de gol nos primeiros 15 minutos do jogo.
    Não dá pra afirmar que o classificado seria outro, mas o jogo seria mais dramático. O time alemão mostrou-se mais “inteiro” fisicamente que o espanhol, redundância.
    Hoje, acho que o Bayern não dará chances ao Barça e faz um gol, que já fará o adversário pensar na próxima temporada.
    Abraço.

  • Ronaldo Fenômeno pede que os gramados para a Copa sejam como na Europa…
    http://500copa.blogspot.com.es/2013/04/do-jeito-que-o-europeu-gosta.html

  • Juliano

    Sempre achei o Mourinho um bossal e muito overrated (pleonasmo, mas ele faz jus).

    O Real tem uma bela história no futebol. Voltará a ter a minha simpatia quando este senhor deixar o clube.

    Uma pessoa estúpida, que tornou-se o profissional com o pior custo-benefício do momento.

    Um abraço!!

    PS: Barcelona abdicou, jogou a toalha. Nada explica escalar Messi no fim de semana (quem viu o estado dele na terça-feira passada na Alemanha não podia crer que ele fez o que fez no fim de semana) e deixá-lo no banco hoje. Era difícil, era quase impossível. O Barça não quis fazer história e aceitou o impossível. Precisa de uma renovação, e isso passa obrigatoriamente por uma renovação em conceitos e mentalidades.

  • Rodrigo

    Nenhum tecnico do Real Madrid eh contratado para isso.

  • Thiago

    Final alemã,se não me engano é a quarta vez que dois times do mesmo país fazem a final da Champions.

    Favoritismo total,pleno e absoluto do Bayern,que até agora foi quem jogou o melhor e mais eficiente futebol.

    Bayern 7×0 Barcelona. O “melhor time do mundo” jogou 180 minutos contra um adversário que já havia estudado,sabia dos pontos fracos e fortes e mesmo assim,além de levar sete,não conseguiu fazer um sequer, A “Era Barcelona” aconteceu apenas,e só apenas,quando Guardiola estava no comando do time.

  • André, muito boa análise.

    Porém, discordo que o Mourinho não foi capaz de fazer o time se impor na UCL. Ano passado ele foi eliminado somente nos pênaltis e esse ano, não fosse o jogo desastroso da ida, teria chegado.

    Acho, no entanto, que dá pra condenar o tipo de tática adotado, que não corresponde com a qualidade do material humano que ele teve à disposição.

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