CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O MONSTRO DE MUNIQUE

Da região mais escura do Parque Nacional da Floresta da Baviera, surgiu um monstro. Ele tem os neurônios de Bastian Schweinsteiger, os músculos de Javi Martínez, a mobilidade de Philipp Lahm, a altura de Thomas Muller, a velocidade de Arjen Robben e a cara feia de Franck Ribéry.

O mundo já sabia da existência dessa criatura perigosa e faminta. Ela apenas ainda não tinha mostrado suas garras de forma tão assustadora, seus caninos de maneira tão feroz. Nas vezes em que foi avistado e permitiu ser fotografado, parecia um animal tímido, como se precisasse ser convencido da própria potência.

Mas não estamos lidando com um animal puramente bruto, um predador preguiçoso. Não. Além de tantos atributos físicos, ele é dotado de um cérebro avançado que preparou seu ataque ao topo da cadeia alimentar.

A principal qualidade do monstro de Munique é a capacidade de ocupar todos os espaços de seu habitat. Ele patrulha o território anunciando sua presença imponente e não tolera a convivência com outras espécies.

Diferentemente dos seres que preferem garantir sua sobrevivência com oportunismo ou paciência, o monstro é prolífico e letal nas oportunidades de ataque. Ocasiões criadas em grande quantidade, para saciar seu metabolismo acelerado.

Invasores italianos e catalães que estiveram recentemente na floresta foram repelidos sem lutar. Sentiram o peso do maxilar do monstro ao levar dentadas que deixariam Luis Suárez com inveja. Não tiveram chance.

Impossível afirmar que o monstro de Munique é o novo senhor das florestas. Para ser dominante é necessário alcançar a posição mais alta no ambiente e, depois, sustentá-la sem dar margens a dúvidas.

Mas no momento em que outros concorrentes parecem ainda imaturos ou mostram sinais de fraqueza, não há outro espécime que reúna tantos elementos para se impôr. O monstro de Munique tende a ficar mais forte e mais inteligente com o tempo.

É possível que estejamos diante de um animal formidável.

SINAL

O placar agregado do confronto Alemanha x Espanha, após os jogos de ida das semifinais da Liga dos Campeões, está 8 x 1 para os tedescos. Acabou? O impossível não existe no futebol, mas a tarefa dos gigantes espanhóis – principalmente a do Barcelona – é o que existe de mais próximo da impossibilidade. A competitividade do Campeonato Alemão está na origem do futebol exibido por Bayern e Dortmund. O inverso vale para os espanhóis.

VISIONÁRIOS

Interessante que os profetas do fim da “Era Barcelona” tenham explodido em glória após a incontestável goleada sofrida na terça-feira. São como os sábios que acordam todos os dias e decretam que vai chover. Calam-se a cada tarde ensolarada, incapazes de aproveitá-las. Mas quando chove, bradam “eu avisei!”. Que tenham se aproveitado de um time potencialmente maravilhoso como o Bayern para afirmar suas “teses” revela o tamanho da cara de pau.



  • Fabius

    Eu que já não acreditava na virada contra o Milan, acho minúsculas as chances do Barcelona.
    Não torço por clube algum, apenas pelo bom futebol, seja pela técnica ou pela emoção.
    Por isso torço para que o jogo chegue ao intervalo com o Barça vencendo por 2×0.
    Lembrei até do Lehmann sendo expulso em 2006.
    Já imaginou?
    Tecnicamente seria ataque contra defesa, mas em termos de emoção…
    Aí o jogo vai para os pênaltis e, qualquer que seja o vencedor, vira filme.
    Claro que é improvável, mas vale lembrar que o Arsenal venceu e assustou os alemães.
    Depois da final de 2005, melhor não duvidar.

  • Emerson Cruz

    Faltou dizer que este monstro tem a cabeleira do Dante.
    Quanto ao “visionários” do fim da “Era Barcelona”, são os mesmos que diziam que o Guardiola nada demais tinha feito no comando do time, os mesmos do “Neymar é melhor que Messi”(injustiça com ambos, diga-se) os mesmos que não aproveitaram para curtir o maior time de futebol das últimas décadas, quiçá, da história – se é que de fato este período culé ficará no passado. De qualquer forma, azar deles.

  • André, se um dia você resolver fazer um livro com uma coletânea das suas colunas-crônicas, vai ser difícil filtrar só as melhores! Mais uma coluna primorosa, abordagem sensacional, precisão cirúrgica no trato dos fatos. Eu te pergunto: no que se transformará esse monstro quando além de atributos físicos e psicológicos, ele for encarnado pelo espírito Guardiola? Aumentará sua fome e devorará o mundo? Grande abraço.

    AK: Obrigado. Quanto ao Bayern de Guardiola, creio que será uma das histórias mais interessantes dos próximos anos. Um abraço.

    • Juliano

      AK, imaginando o cenário em que o Bayern se confirme como a nova e principal potencia da Europa, como fora recentemente o Barcelona, vencendo a UCL e tudo (diferente do Chelsea, que venceu a UCL mas não se confirmou “monstro”), poderia ser o futuro de Neymar? (desde que não existam estes pré-contratos com o Barça que a imprensa espanhola não cansa de divulgar).

      Ele já foi questionado sobre jogar na Alemanha e não descartou.
      Ele sempre fala bem do Guardiola, e vice-versa.
      Está se cansando do clima no Brasil e seu pai dizendo que o ciclo no Santos está perto do fim.
      Se o Bayern se tornar o Barcelona (apenas no sentido de “bicho papão”)…

      Abraço

  • Só nos resta aplaudir! Obrigado pelo texto, ganhei a manhã e, com certeza, trabalharei mais inspirado!

    1 – A ideia do Emanuel é muito boa;
    2 – eu seria um dos 1ºs da fila, na noite de autógrafos;
    3 – AZAR do responsável que for incumbido de escolher seus melhores textos!

    André, o Bayern é um Monstro Cruel em todos os sentidos, inclusive nas contratações. O vencedor da Libertadores 2013 terá sérios problemas caso o Bayern seja campeão… ainda mais com Pep no comando e os reforços de Götzilla e Lewandowski (por enquanto)…

    … Maasss…

    … dentre os quase-mortos espanhóis: só eu estou achando a ‘Missão Impossível’ do Barça ‘menos difícil’ que a do Real?

    Meus motivos: nos jogos de ida Barça não jogou absolutamente NADA e Real jogou razoavelmente bem, finalizando, trocando passes etc.

    Abraços e parabéns por mais uma obra de arte!

    AK: Obrigado pelo elogio, exagerado. Um abraço.

    • Juliano

      Estou com a turma nessa, quem foi devidamente alfabetizado sabe como desfrutar de uma boa leitura. Passar aqui para este desfrute tornou-se um hábito. Os elogios são merecidos, e devem ser feitos sempre. Como aplaudimos os músicos em um show, os atores em um teatro. O aplauso é seu reconhecimento, aqui o fazemos com palavras.

      Texto novamente excelente, e as notas com a precisão de sempre. Gosto muito do seu humor, como na nota VISIONÁRIOS. A analogia dos “sábios” e a previsão do tempo é perfeita.

      Abraços!

    • Marcelo Morais

      felldesign,
      Desde 4a feira, apos a vitoria do Dortmund, um pensamento passa pela minha cabeca algumas vezes por dia: e se os espanhois conseguirem se classificar para a final? Sei que eh mesmo muito dificil pela qualidade dos adversarios e pela desvantagem nos placares apos os primeiros jogos – principalmente no caso do Barcelona.

      Mas, se acontecesse, seria um daqueles exemplos para bradarmos pelo resto de nossas vidas: “eu vi!!!!”. O que torna os jogos da proxima semana imperdiveis. (Nessas horas eu agradeco quem inventou o DVR…)

      AK: Sim, será épico. Mas independentemente do que acontecer, o futebol alemão já deu o recado. O que aconteceu nos jogos de ida não foi por acaso, e não tem pouco significado. Um abraço.

      • Juliano

        Uma rápida pesquisa na rede e encontrei os seguintes números:

        Barcelona:
        33 milhões de euros investidos em contratações
        603,8 milhões de euros é o preço que o time está avaliado

        Real Madrid:
        33,5 milhões de euros investidos em contratações
        595 milhões de euros é o preço que o time está avaliado

        Bayern:
        70,3 milhões de euros investidos em contratações
        431,7 milhões de euros é o preço que o time está avaliado

        Borussia:
        26,6 milhões de euros investidos em contratações
        254,7 milhões de euros é o preço que o time está avaliado

        Como AK disse, o futebol alemão já deu o recado. Se Muricy fosse o interlocutor do “recado”, no lugar de Jupp Heynckes ou Jürgen Klopp, diria: “AQUI É TRABALHO!”
        Claro que não é só isso. Foi uma brincadeira.

        Abraços!

      • Isso também está cutucando meu pobre cérebro, toda vez em que leio algo sobre os confrontos.

        Mas concordo com o André: mesmo que haja uma reviravolta (pouco provável), não tem como negar que o futebol alemão vem dando farol e pedindo passagem p/ o espanhol há tempos!

        A mágica safra espanhola já está perdendo fôlego, talvez pelo fato de seus 2 maestros não serem mais garotões… ou também porque seus poucos bons atacantes não estão correspondendo (e não é de hoje), enfim…

        A Copa das Confederações será interessante para avaliarmos o desempenho da Fúria e as sequelas dessa surra alemã!

  • Cleibsom Carlos

    Estou torcendo pelo Guardiola, mas acho que ele terá muito trabalho no Bayern, isso se não sofrer um boicote declarado…Já li declarações do elenco do time alemão dizendo que o Bayern não precisa do espanhol. Caso Guardiola siga seus conceitos, ele já começará mudando metade do time alemão, e com isso será que não terá um motim no elenco? Certamente tem jogador do time Bavário se mexendo! Um coisa é o Beckenbauer querer e outra muito diferente é o elenco deixar…

  • Junior

    Sobre o texto VISIONÁRIOS

    A glória dos profetas me fez lembrar o filme Moneyball, mais especificamente o discurso que um comentarista faz quando o time é eliminado.

    Outro que me fez lembrar do filme foi Paul Breitner no programa Bola da Vez. Breitner fala do Barcelona da mesma maneira que o dirigente do Red Sox fala do modelo do A’s no filme.

  • Edwin Perez

    Sobre o parágrafo “Visionários”, o mesmo aplica-se a Neymar. Ele desde 2010 está vendido a algum clube europeu. Ao invés de desfrutarmos do seu futebol, cada vez mais o querem longe daqui.
    Como você disse, desfrute o sol, um dia a chuva chega. E é inevitável….

  • “A competitividade do Campeonato Alemão está na origem do futebol exibido por Bayern e Dortmund. O inverso vale para os espanhóis.”

    Mas que bela frase. Belíssima. Lembro de você defendendo o campeonato alemão como um dos mais interessantes do mundo já a alguns anos.

    Minha pergunta: estamos caminhando para a “espanholização” do campeonato brasileiro, com Flamengo e Corinthians nos papéis de Real e Barça. Concorda com essa afirmação? O que fazer para não entrarmos neste caminho que só empobrecerá ainda mais o futebol brasileiro?

    Abs!

    • Cleibsom Carlos

      Não entendo esta tão decantada “competitividade do futebol alemão”…O Bayern já é campeão com algumas rodadas de antecedência e está 20 pontos à frente de 2º colococado! Que competitividade é essa? Assim como Barcelona e Real são fortes por si só independente do baixo nível técnico de seus adversários espanhóis, o mesmo raciocínio vale para Bayern e Borússia quanto ao campeonato alemão.

      AK: Temos um polemista entre nós… como é frequente, os problemas conceituais estão evidentes. Abraços a todos.

      • Cleibsom Carlos

        Então tem sentido chamar um campeonato em que o campeão chega 20 pontos na frente do 2º colocado de competitivo? Que pessoa em sã consciência pode afirmar que sim? Não é questão de polêmica, mas se algo parecido acontece no Brasil os “profetas do apocalipse” logo aparecem! Evidente que não há comparação entre o futebol alemão atual e o brasileiro, os germânicos estão muito à frente…Assim como o campeonato espanhol terá como campeão o Barcelona ou o Real, o campeonato alemão não escapará do Bayern ou, em caso de surpresa, do Borússia no estágio atual. Esqueça as excessões que foram Werner e Schalke…

      • Marcos Nowosad

        Sinceramente, não vi a intenção de polemizar por parte do Cleibsom (detalhe: não sou amigo dele, nem fui contratado para ser seu advogado de defesa).

        Ele tocou num aspecto muito debatido na Europa no momento. A evidente concentração de forças em apenas 1 ou 2 clubes cada país teria tornado os campeonatos pouco disputados, devido a disparidade entre os times. Campeonatos de desfecho tradicionalmente imprevisíveis (Inglaterra, Alemanha, Itália) têm tidos desfechos monótonos, com 10 ou mais pontos de diferença nos últimos anos.

        Por exemplo, o empolgante final de campeonato da Inglaterra do ano passado na verdade foi uma exceção solitária nos últimos 20 anos, desde o início da Premier League.

        Nesse sentido, o campeonato da Alemanha parece ter se aproximado à “monotonia” do campeonato Espanhol (Real Madrid ou Barcelona) nos últimos anos (Bayern ou Borussia).

        O ponto de interrogação seria, então, se a concentração de forças em poucos times em um país aumenta ou diminui a competitividade do futebol praticado pelos times desse país?

        Nesse sentido, acho a discussão pertinente e bem interessante. Porque se discute a possibilidade disso ocorrer no futuro no Brasil. Seria bom termos apenas 3 ou 4 times fortes (ex: Corinthians, Sao Paulo, Flamengo) ou seria ruim para o futebol brasileiro?

        • Alexandre

          Marcos,
          Se isto ocorrer no Brasil, será muito pior do que lá, pois eles têm a Champions League, onde estes poucos grandes de cada país se juntam num único campeonato.
          Já a Libertadores é cada vez menos competitiva, pois nem os argentinos conseguem mais competir com os principais brasileiros em termos financeiros.
          Além disso o brasileiro, acredite, gosta menos de futebol que o europeu. Muitos clubes pequenos de divisões inferiores conseguem públicos expressivos nesses países, enquanto no Brasil vemos os clubes de menor expressão definhando.
          Será que a crise técnica no futebol brasileiro não tem a ver com esse processo de concentração que começou na década de 90 e se acentuou nos últimos anos?

    • Eu não acredito nisso por um simples motivo: o Flamengo não contribui.

      Abraço!

      • Alexandre

        Isso é transitório. O corinthians também não contribuía até bem pouco tempo.

  • Marcelo Morais

    Mais um brilhante exemplo de por que eu uso meu tempo visitando este blog.

  • Sousa

    Incrível como vivemos na era dos extremos !!! Em geral, as pessoas que são contra o Barcelona, assim o são de forma irracional e ofensiva/depreciativa ao extremo, com provocações gratuitas. Da mesma forma assim o são aqueles que são a favor do Barcelona, como o colunista. Completamente fora de necessidade a última frase. O mesmo se aplica a outro “temas” como Neymar e Rogéri Ceni. Será que manter o equilibrio é tão difícil assim ?!

    AK: Seu comentário mostra que, sim, é difícil.

  • Rodrigo

    Pra mim não surpreende os times alemães, apesar de ter ficado encantado c/ oq o Bayern fez diante do Barcelona!
    E também o Borussia Dortmund diante do Real Madrid!
    Eu sempre acompanho o campeonato alemão e o considero de longe o mais agradavel de se ver, pois ultimamente o campeonato italiano e espanhol estão insuportáveis, muito fracos, e o inglês continua muito bom também, pelo menos não falta ação!!!!
    Eu gosto do jogo do Bayern mais do que o do Barcelona, e me refiro ao grande Barcelona de Guardiola, que foi o melhor time que vi jogar, mas o jogo do Bayern me agrada mais, sem comparar quem é melhor ou pior, apenas preferência a um estilo de jogo, o do Bayern é mais vertical, mais agressivo, mais incisivo!!!

    A Alemanha (base formada por Bayern e Dortmund) vem muito forte e desta vez, pelo menos é a impressão q passa, finalmente pronta pra vencer, e creio será a copa em 2014!!!

  • Samuel Santos

    Excelente texto, André!!

    Parabéns pelo talento com as palavras, sempre aliado à uma interpretação serena e precisa dos fatos. Seu blog é o melhor de todos.

    Também estou muito curioso para acompanhar os próximos passos desse time do Bayern, reforçado por Guardiola e Gotze.

    Gostei muito das declarações do Paul Breitner no programa Bola da Vez, mas foi inevitável pra mim (e creio que pra muita gente) ver uma dose de arrogância em muitas delas. Mas admito que a cada dia essa arrogância parece menor, ou, no mínimo, mais justificada por uma visão interna e consciente do que está acontecendo no futebol alemão.

    Abraço.

  • Willian Ifanger

    Sensacional André, apesar da maldade com o Ribéry.

    • Marcelo Morais

      Maldade seria se ele escrevesse “e a beleza facial de Franck Ribery”.
      🙂

  • Matheus Brito

    Os próximos anos prometem mais até do que os que passaram, pois a diferença do Barça para os demais era colossal, agora devem vir a reformulação Catalã e as compras Madridistas. O Dortmound, infelizmente será enfraquecido, mas o mundo verá pelo menos três super times.

  • Thiago

    Cara,nunca houve uma “Era Barcelona”. Houve um time que estabeleceu um padrão de jogo onde geralmente se sobrepunha ao adversário,aliado a um elenco de muita qualidade e homens de meio que desequilibravam o jogo. Ficou claro que o padrão de jogo imposto pelo time espanhol estava atrelado a Pep Guardiola,pois desde a saída do mesmo o time não é mais o mesmo.

    O time passou pelo Milan graças a um jogo acima da média,onde lembrou aquele time de dois anos atrás,e frente ao PSG passou apertado,se garantindo com um empate com gols fora de casa

    Não existem visionários,existem saudosistas que achavam que uma fase áurea seria eterna.

    Dá pra lembrar um título do Barcelona nos últimos dois anos?

    • Marcos Nowosad

      – Champions League 2011
      – Campeonato Espanhol de 2011
      – Mundial de Interclubes 2011
      – Campeonato Espanhol de 2013

      • Thiago

        Pois é…

        Claro,a Champions e o Espanhol de 2011 tem um ano e onze meses,falha minha,eu tinha que postar isso daqui a um mês,então já teriam passados dois anos completos,não é? Cada um…

        E o Espanhol de 2013 ainda não acabou. O Barcelona é o virtual campeão,estãácom as duas mão na taça,mas ainda não levou,tá???????!!!!!!

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