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Esqueça, por um instante, o resultado.

Esqueça que o Bayern aplicou 4 x 0 no Barcelona nesta terça-feira, em Munique.

Esqueça, também, que dois desses quatro gols não deveriam ter sido validados. Um por impedimento e outro por falta.

Deixe as falhas da arbitragem de lado, mesmo que pareçam decisivas num confronto em que a diferença de gols determina quem segue e quem para.

O placar final do jogo poderia ter sido diferente, mas não é isso que importa agora.

O que importa, entre tudo o que aconteceu, é o “como”.

O que o Bayern Munique fez hoje foi inédito, desde que o Barcelona, este Barcelona, é considerado o melhor time do mundo.

O Bayern transformou o “é” em “era”. E o fez com uma monumental combinação de marcação coletiva, posse de bola agressiva e entrega física.

O gramado da Allianz Arena parecia pintado de vermelho, tal o nível de ocupação dos espaços que os alemães executaram, algo que só é possível quando se tem jogadores bem condicionados e inteligentes.

O aspecto crucial para entender como o Bayern anulou o Barcelona é a posse de bola do time catalão.

Não o número (63%), mas o caráter.

O que se viu foi um Barcelona em modo de posse defensiva durante praticamente toda a noite, sinal inequívoco de dificuldades técnicas e de um problema ainda mais grave: a noção de que não seria possível jogar de outra maneira.

Já tratamos do tema aqui e não convém voltar a ele em todos os detalhes: no sistema que levou o Barcelona a revolucionar o futebol, a posse jamais foi um objetivo. Foi, sempre, um meio de criar superioridade numérica na defesa adversária e proporcionar oportunidades de gol.

Quando este time abdica da agressividade e passa a se concentrar em conservar a bola, à espera de um presente do oponente, ele se torna inofensivo e perde a capacidade de se proteger. Leva gols pelo alto, por exemplo, com os mesmos jogadores baixos que conseguiam evitá-los.

O mérito histórico do Bayern foi não apenas ter se aproveitado, mas ter obrigado o Barcelona a recorrer a um rascunho do que deve ser.

Não foi superioridade futebolística, foi supremacia. Nenhum time havia produzido tal cenário. Nem o Real Madrid, nem o Milan.

Sim, Messi praticamente não jogou, limitado por sua lesão.

Sim, a defesa perdeu peças importantes a tal ponto que Bartra foi titular num jogo deste tamanho.

E foi evidente a diferença física entre os times, resultado da maneira como cada um administrou sua temporada.

Mas a forma como os alemães controlaram o jogo não pode ser diminuída, pois é a fundação para que sejam candidatos a tudo nos próximos anos.

O futebol evoluiu nesta terça-feira, com a apresentação de uma nova força e a imposição de mudanças no time que deu as cartas no passado recente.

Independentemente do que acontecer (não há nada impossível no futebol, mas uma virada do Barcelona é o mais próximo do impossível), este Barcelona chegou ao fim em Munique.

Batido pelo tempo, pelas lesões, pelos erros cometidos na vida pós-Guardiola, pela seleção natural do futebol, finalmente oferecida por um majestoso e assustador Bayern.

É uma sentença de irrelevância no futuro próximo? Claro que não.

O elenco atual passará pela dolorosa reciclagem que é necessária para continuar a perseguir títulos, manterá sua espinha (com jogadores como Piqué, Busquets, Iniesta e, óbvio, Messi) e seu caminho.

Mas essa reconstrução impõe uma separação entre o que acompanhamos desde 2008 e o que veremos a partir do ano que vem.

Separação patrocinada por um time que está posicionado para ser dominante na Europa, temporada após temporada, por um bom tempo. Mesmo que não venha a conquistar essa Liga dos Campeões.

Êxito só tem significado se for sustentado.

Nesta terça-feira, ao superar – o que é diferente de apenas derrotar – o time que nos deu essa lição, o Bayern Munique mostrou que entendeu tudo.



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