COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

O PROFISSIONAL

Não é verdade que Tite recebeu uma proposta para trabalhar na Internazionale de Milão. O que não significa que não tenha acontecido um contato, uma sondagem, uma aproximação, seja qual for o nome que se queira dar a uma mensagem que, sim, chegou da Itália. Chegou e foi redirecionada ao agente Gilmar Veloz, que é quem cuida dos destinos profissionais do técnico campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes da Fifa.

Um conhecido de Tite foi o portador do recado. Intermediários que costumam negociar com o clube italiano gostariam de saber se uma conversa direta com o treinador do Corinthians seria possível. Tite respondeu que eles deveriam procurar seu empresário, conduta adotada desde sempre, seja qual for o clube ou a ideia, porque é exatamente para esse tipo de situação que profissionais do futebol contratam agentes para os representarem.

Desnecessário dizer que nem todos se comportam dessa maneira respeitosa com seus empregadores, mas imperativo salientar que existe outra explicação para a forma como Tite lida com qualquer nível de assédio: é o jeito que ele encontrou para conseguir continuar trabalhando com a seriedade e a concentração que cobra dos que estão à sua volta.

O contato aconteceu há cerca de duas semanas. Desde então, a Inter de Milão não voltou a ocupar o tempo de Tite, exceção feita às perguntas de pessoas interessadas em saber o que havia acontecido. A resposta foi sempre a mesma, porque Tite e seu agente não conversaram mais sobre o assunto, um sinal de que as coisas não evoluíram.

Num ambiente em que a supervalorização de qualidades próprias é quase a norma, pode custar a crer que um treinador brasileiro trate a possibilidade de trabalhar na Europa com tamanho, digamos, desprendimento. Não é difícil elaborar uma lista de nomes que, diante de oportunidades bem menos significativas, sabotariam suas obrigações por total incapacidade de praticar o que se chama de profissionalismo.

Mas Tite convive da mesma maneira com convites para palestras em recantos paradisíacos do Brasil, que pagariam muito bem mas desorganizariam sua rotina de trabalho. Propostas do tipo têm acontecido com cada vez mais frequência, reflexo natural do sucesso recente, mas também têm sido interrompidas ao menor sinal de dificuldade logística. A orientação para quem as recebe é nem estender a conversa, ou falar em valores.

Claro que a atenção despertada é maior quando se trata de um clube como a Internazionale, uma vez que, ao contrário dos jogadores, técnicos brasileiros não compõem uma categoria estabelecida na elite do futebol mundial. Mas não se pode dizer que os dias atuais apresentem o maior risco de Tite deixar o clube em que vive o horário nobre de sua carreira.

Este momento foi durante o segundo semestre do ano passado, entre as conquistas internacionais que transformaram o técnico do Corinthians num alvo prioritário. Clubes brasileiros, estrangeiros e seleções – a Brasileira, inclusive – telefonaram ou mandaram recados.

A resposta foi sempre a mesma.

HANNIBAL

Luis Suárez Lecter atacou de novo, desta vez num campo de futebol da Inglaterra. O atacante do Liverpool tascou uma mordida no braço de Ivanovic, zagueiro do Chelsea, neste domingo. As imagens são indiscutíveis. Os motivos, intrigantes. Especialmente se lembrarmos que não foi a primeira vez. Quando jogava no Ajax, em 2010, Suárez mordeu o ombro de Otman Bakkal, num jogo contra o PSV. Pegou sete jogos de suspensão na ocasião. Reincidente, uma focinheira talvez seja uma punição mais adequada.

TÉCNICO DE FUTEBOL

Ontem fez sete anos que Telê Santana morreu. Sua contribuição para o futebol não caberia nas páginas deste diário. Protagonista da formação futebolística de gerações de privilegiados, dentro e fora do gramado. Seus times iam a campo para jogar futebol. Ganhar era consequência.

ADRENALINA

Acabou a “temporada de classificação” do Campeonato Paulista. Que emoção.



MaisRecentes

Vitória com bônus



Continue Lendo

Anormal



Continue Lendo

Saída



Continue Lendo