NO LANCE! DE HOJE



(minha coluna no Lance! deste sábado, publicada aqui a pedido dos editores do jornal)

RIVAIS NO NINHO

Você é capaz de imaginar Corinthians e São Paulo disputando um título na China? Há quem esteja tomando providências para que aconteça. A ideia, sigilosa até este momento, já foi levada aos dois clubes e está nas mãos da Conmebol para uma decisão definitiva.

A iniciativa é do mesmo grupo que levou a Supercoppa da Itália, jogo de pré-temporada entre os campeões da Série A italiana e da Coppa Itália, a ser realizada no estádio olímpico de Pequim em três dos últimos quatro anos. O plano é fazer o mesmo com a Recopa Sul-Americana, que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Se todos os detalhes forem acertados, os rivais paulistas podem se enfrentar no Ninho de Pássaro, no segundo semestre.

Mas há problemas no caminho, e não são simples. Desde 1995, a Recopa Sul-Americana é disputada em dois jogos, com vantagem de mando para o campeão da Libertadores. O planejamento de marketing da competição é feito com base numa decisão em mão dupla, com os evidentes desdobramentos de direitos de televisão e exposição de patrocinadores. A conversão do sistema para um jogo único, condição para que o evento aconteça no palco que simbolizou os Jogos Olímpicos de 2008, é o quebra cabeça que a Confederação Sul-Americana de Futebol tenta montar.

Os clubes não falam no assunto, por orientação da Conmebol. Mas uma fonte ligada ao Corinthians tem conhecimento das negociações e aponta uma dificuldade: ao contrário da Supercoppa Italiana, jogo de abertura de temporada e de menor significado esportivo, a Recopa Sul-Americana deve ser tratada com máxima importância por Corinthians e São Paulo. “Você não troca um mando de jogo em sua casa, numa disputa de título com um rival, por dinheiro e exposição internacional”, disse a fonte, consultada em condição de anonimato por não participar das conversas.

A coluna apurou, no entanto, que os envolvidos gostaram da proposta e aguardam o desfecho decidido pela Conmebol. Ao que parece, os retornos financeiros e de mídia provenientes de uma rápida excursão à China no segundo semestre, ainda que durante a disputa do Campeonato Brasileiro, agradam as diretorias dos clubes paulistanos.

A Supercoppa Italiana é um evento acostumado a viajar. Já aconteceu duas vezes nos Estados Unidos e uma em Trípoli, na Líbia. Em 2009, 2011 e 2012, levou mais de 60 mil pessoas ao Estádio Nacional de Pequim. O maior público foi o do jogo de dois anos atrás, entre Milan e Internazionale, com 80 mil presentes.

Em sua história mutante, a Recopa Sul-Americana também se internacionalizou. De 1989 a 98, período em que reuniu o campeão da Libertadores e da Supercopa da Libertadores (torneio entre os campeões continentais), esteve em Miami e no Japão. São Paulo e Botafogo – este como convidado por ter sido campeão da Copa Conmebol, pois o São Paulo venceu a Libertadores e a Supercopa no ano anterior – jogaram em Kobe, em 1994, última vez que dois clubes brasileiros decidiram o título.

Dezenove anos depois, o destino pode ser a China.



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